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Solidão

Acostumei-me com o exercício da solidão.
 
De repente algo acontece, como um raio, vem como uma chuva, a molhar minhas entranhas secas. Sinto o seu frescor, deleito-me nessas águas. Chego a pensar que a solidão se foi. Minhas sementes se incham, ensaiam germinar.
 
Acordo na manhã seguinte. O quarto está vazio, não há vozes, não há sombras, não há presenças.
Meu corpo está só. Não floresceu.
A chuva foi um sonho, passou.
 
Reflito, volto ao meu interior. Vou de encontro a minha solidão. E ela sorri para mim, como a dizer que só ela é minha companhia. Mas por um instante pensei que não mais a sentiria. A solidão que demorou tanto para ser minha cúmplice. Resisti por muito tempo à sua compaixão.
 
Finalmente entrego-me a minha velha amiga e fiel solidão!
Nerah
Enviado por Nerah em 21/11/2005
Reeditado em 23/10/2010
Código do texto: T74597
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Nerah
Canadá, 69 anos
118 textos (4236 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 04:16)
Nerah