Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O LOUCO

O LOUCO


Eu sou nada em tudo que há
Sou passos na contramão
Em direção a lugar nenhum
Sou piada mal contada entre prédios e preconceitos
Dormi na porta do boteco esta noite
Fui açoitado por olhares mudos
Só há uma coisa que dói mais que uma coça: palavras malditas
Só há uma coisa que dói mais que palavras malditas: a mudez alheia
As palavras caladas me doem a alma
Pois de fronte a elas, cadê eu? Pra onde fui?
Para um mundo melhor. Para o meu mundo
Aqui sou ouvido por todos, querem-me por perto. Aceitam-me.
_ Bom dia, dona Mangueira!
_ Bom dia, carrocinha com papelão!
_ Bom dia, Chico! (Chico é o meu cachorro, ele dorme em cima da carrocinha)
Converso com as sarjetas, com os postes,
com os cestos de lixo, com o gramado da praça.
Quando eu preciso voltar para o mundo dos homens
Quem me ouve? Quem me olha? Quem me aceita?
Estão todos em busca dos adjetivos esteticistas em prol da auto-imagem
Atropelam-se, esfaqueiam-se, poluem-se.
E depois eu é que sou louco (!)
por viver em um mundo em que verdadeira alegria
é saber que o meu cachorro deu cria
e que não se chama mais Chico. Chica.
Clebber Bianchi
Enviado por Clebber Bianchi em 23/11/2007
Código do texto: T749710
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Clebber Bianchi
Taubaté - São Paulo - Brasil
31 textos (725 leituras)
1 e-livros (16 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 20:04)
Clebber Bianchi