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GÊNESE DE JOESA
        - 28/11/07 -

 

Algas, plânctons e sal.

 

Faz muito tempo, (1989) foi numa praia deserta, estava eu e a tua futura mãe, pois ainda não éramos casados, mas tu já existias como uma vontade cósmica que pretendia fundir-se e estar junto de nós.

Largados e perdidos nas brancas areias, embevecidos e ensimesmados conversávamos a respeito de coisas banais, apenas éramos interrompidos pelos  arrulhos comungados  de recém namorados.

Eu observava atento o vai-e-vem das ondas naquele ritmo próprio e secular quando, num ímpeto inconsciente escrevi na areia molhada o teu nome, “JOESA”.

Foi uma doce aglutinação  que na hora eu inventei, com as iniciais do nome da tua futura mãe e as minhas iniciais, mas de forma invertida, para que produzisse um cacho louco de sonhos e que hoje vejo em teus lindos olhos pretos.

Portanto, minha linda, desde aquele momento, tu  passaste a viver e a pulsar de forma escondida no escaninho secreto do meu inconsciente, e ali, gestava em mim, uma vontade cheia de luz que Deus não teve outra alternativa, senão abençoar-te, pois era a tua gênese que principiava.

Ali naquela conjunção verde-celeste de céu e mar, apresentava-se uma indizível apoteose da natureza, e  eu passei a te amar como um sonho que muito em breve se tornaria uma gostosa realidade, e que, futuramente, encheria de muitas esperanças os meus olhos já cansados e tristes.

 

De repetente, me acordei assustado desse sonho, pois as ondas intermitentes e teimosas borbulhando em espumas e bolhas e, como um apagador natural, levava o teu recém-criado  belo nome para as profundezas infinitas do mar.

Mas depois de alguns anos outra conjunção sideral ocorreu, eu senti que do meu inconsciente  se desprendia uma força, propiciando-me assim, uma singularidade inefável e, de  um ponto qualquer do cosmo, vieste divinamente pousar no relicário de vida da agora tua mãe, graciosamente engravidando-a.

Eu quero que tu entendas o porquê de te chamar de Rosa Sideral Gerada, pois  quero também a tua compreensão, porque foste tu que levantaste o véu de Isis para mim.

 E assim, eu passei a entender melhor o enigma do amor e, desse momento em diante, eu passei a afirmar que amar é divino, mas ser amado é sublime.

Amo a todos os meus filhos, teus irmãos, mas tu foste especial porque, como um anjo cheio de promessas, soubeste apaziguar o meu coração que andava ensimesmado e aflito.

Confesso-te sempre que, eu me encantei e me naufraguei de amores pelos teus lindos olhos pretos de ébano e pelas tuas luzidias melenas que muito acariciei, quando tu eras a minha pequena menina cheia de magia e graça.

Ah, Minha linda sereia, minha Rosa Sideral Gerada, por isso tu tens aroma de mar, cheiro  de  sal marinho, e hoje tu és alimentada com os plânctons do meu amor, pois sempre notei  que  o teu coração nasceu enfeitadinho com as algas dos arrecifes dos meus sonhos.

Joesa querida, agora eu quero que tu saibas que valeu a pena o meu sacrifício, as minhas lágrimas e as minhas saudades de ti, pois ainda me dói lembrar quando fomos abruptamente separados, amargando aquela dor sentida nas nossas constantes partidas, mas isso agora não importa mais.

Pois a recompensa sempre é maior, o benefício e o presente  são lindos, porque agora, surge para esse velho pai, uma linda mocinha para dar musicalidade ao meu derradeiro canto e para  embelezar os meus crepusculares sonhos.

 

 

 

 

 

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 28/11/2007
Reeditado em 03/12/2007
Código do texto: T755887
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira