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Noite distante

Preciso sair um pouco. Aonde ir? Há na noite qualquer coisa sempre se anunciando, um convite no ar.

Imagino um monge a imaginar mundos distantes. E todos nós, monges subalternos ou não, queremos alcançar algo indefinido ou ultrapassar um estado atual, limitado pelo conjunto irregular de sentimentos tortos e seus resquícios. Ali há, muitas vezes, o medo de viver e a fraqueza despeitada de quem despreza o medo de viver e a fraqueza despeitada.

A noite assobia, há muito material humano para escutar, estudar. Há nas avenidas pontes que ligam as pessoas.

O que me faz acreditar?... Vê-se no conjunto estático de estrelas, tão belas e desunidas, que a base para agir e entrar no espaço visual dos seres, abraçado a imagens interiores, ainda é de uma concentração muito diluída, em vista da verdade da injustiça universalizada, do derrame desnecessário de trivialidades, dias inúteis de trabalho inútil se sucedendo, com estas noites que nos deixam sentimentais, vestidos de uma esfarrapada esperança sonâmbula que sonha tomar parte numa tarefa.

Os sentidos mais patéticos me dão a força da ternura para seguir desejando que ainda nestas últimas horas de hoje algo se concretize, além das palavras brilhando frágeis como estrelas. Primeiro, vencer a força do sono.
wsdafae
Enviado por wsdafae em 01/12/2007
Reeditado em 03/06/2010
Código do texto: T760960
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Sobre o autor
wsdafae
São Paulo - São Paulo - Brasil, 27 anos
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