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O ARPEJO DOS ACORDES DA POESIA

Por ser o poema um homem com alma de mulher, o temor e o horizonte da perda estão vívidos logo na próxima esquina.  A insegurança aponta o amanhã. Este é o leque que abana o sentir nunca comportado.

Mais que o lugar comum da vida, o verdadeiro poema (com as digitais da dama Poesia) nasce para o futuro, quando o parceiro escolhido ou o de ocasião bebe a primeira taça. Pode nem estar cheia, mas tem de parecer suficiente para o alumbramento.

É preciso ajustar o futuro dentro do inocente chá das cinco. E esperar a madrugada dos dias como uma loba na estepe, uivando ao longe, em solidão.

Quando há fome, a entrega ao ato de amar é tão natural quanto o comer e o beber. O novo, o inusitado na barriguinha do poema, é o nunca dantes revelado, mesmo que seja café com pão ou arroz e feijão.

Sempre vale o brinde à vida curtindo o calor do amanhã.

Fazer o poema é sentir-se dentro dele, compartilhar de sua irreverência amalucada. Copular com ele tantas vezes até o gozo. Antes que o humor se transmude e se esvaia no hálito do que passa.

– Do livro EU MENINO GRANDE, prosa poética; in CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre Prosa e Poesia. Porto Alegre: Alcance, 2008, p. 289.
http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/761617
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 02/12/2007
Reeditado em 20/04/2010
Código do texto: T761617
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2778 textos (755319 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/08/17 04:20)
Joaquim Moncks