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bom dia matinal


toque padrão,
nível três de volume,
configuração espartana

o som ecoa,
sacode e acorda o longo corredor vazio,
onde o bom e quase velho strike,
testemunha digital, passou a noite
molhando sua negra bolacha de lítio
na xícara acinzentada de chá energético,
embutida na parede branca

a surpresa,
redundantemente inesperada,
me derruba da cafeteira
(a cama tem me expulsado bem antes)
e obriga os chinelos novos a me fazer
abandonar rapidamente a cozinha

enquanto o pijama separa as nádegas
do carpete judiado do corredor,
meus olhos quase ao mesmo tempo
namoram o visor de cristal líquido,
que muito competentemente identifica,
sorri pra mim e mostra: green

era ela, sim, a miss das pinças,
a madamoiselle do caracol,
a moça de lua, a lua das moças,
a doce guria dos olhos verdes,
a princesa, a pequena flor...

que ligou,
logo e assim tão cedo,
pra me desejar um bom dia matinal,
de primeira hora

a surpresa,
redundantemente inesperada,
me põe em pé, a caminhar, feliz
como alguém que está recebendo
um alimento raro e necessário

sempre foi assim,
muito homeopaticamente,
quase nunca, a conta-gotas,
(quase que eternamente entupido)
com esse seu bom dia matinal

como tudo o mais, enfim...

uma raridade, um bom dia assim!
tão raro, que não aconteceu

como tudo o mais, enfim...
RAUL POUGH
Enviado por RAUL POUGH em 26/11/2005
Reeditado em 24/06/2011
Código do texto: T76522

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Sobre o autor
RAUL POUGH
Curitiba - Paraná - Brasil
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RAUL POUGH