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ENTRELACE NUMA PROSA POÉTICA by Cláudia Freire &Denise

O beijo/DA DESPEDIDA

Atrás da cozinha da escola
LOCAL ONDE DEPOSITEI UM SONHO...TALVEZ,
Com a banda da cidade tocando uma música que já não me lembro, TANTAS RECORDAÇÕES CONFUNDEM MINHA MENTE...
Noite linda e quente, ERA VERÃO, PRIMAVERA...SEI LÁ...
Noite que me despeço da pureza infantil e das bonecas que desejei, mas nunca tive (SOMENTE EM SONHOS DE CRIANÇA)
Os desejos começam a serem outros,DESEJOS DO ADOLESCER.
Ainda muito cedo, mas, tarde para quem tem sede de carinho e aconchego desde sempre ,MUITAS VEZES NEGADOS
Desejo toque, afeto, desejo sentir a pele quente, a boca quente, olhar de carinho , DE UM ALGUÉM PARA SER AMADO...
Carinho que busquei naqueles que deveriam me amar (DEVERIAM?!)
E não amaram porquê?(NEM SEMPRE OS PORQUÊS TÊM RESPOSTAS...)


O beijo foi rápido e assustador...FUGIDIO, ROUBADO, DADO SEM VONTADE...NEM SEI...
Diferente do que imaginava, ESPERAVA EU ALGO MELHOR?SENTIMENTO?
Muito diferente...NEM TUDO É COMO PARECE SER...
Corri para casa numa pressa de quem busca a salvação
NEM SEI DO QUE, TALVEZ A MINHA, OU DE OUTRO ALGUÉM QUE EU PENSAVA SER...
Durante o trajeto vários pedidos de perdão
(SERÁ QUE EU O RECEBERIA?)
Perdão a Deus, meu companheiro inseparável, DAS HORAS DE DOR E AFLIÇÃO!
Abro a porta VAGAROSAMENTE... e lá está ela (PERDIDA)
Como sempre acompanhando seu mundo de sonhos
(ILUSÕES MAIS DOCES QUE A REALIDADE)
A novela era o único sonho doce daquela pessoa amarga
A VIDA DURA TRANSFORMOU-A EM ESTÁTUA, GÉLIDA...
A mãe, mergulhada em seu mundo nem percebe meu desespero
TENHO VONTADE DE GRITAR...ESTOU AQUI!NADA DIGO!...SÓ ME
Desespero por afeto, pelo seu afeto, QUE NUNCA ME FOI DADO...
Sento ao seu lado, (ELA IMÓVEL) e espero
Quando termina o sonho levanto e tento abraçá-la
(COLO QUENTE NA MINHA IMAGINAÇÃO!)
Hoje sei que era um abraço de despedida
(DE NOSSAS VIDAS DOLORIDAS...A MINHA, A DELA...)
Despeço-me da infância perdida e sofrida
QUE FICARÁ GUARDADA NA MEMÓRIA
Estou indo para outro mundo
VOU AVENTURAR, BUSCAR FELICIDADE...
Vou desejar outras coisas, PERCEBER OUTROS HORIZONTES
Mas ela não percebe (OU NÃO QUER PERCEBER) e se enraivece com meu afeto (TENTO MAIS UMA VEZ...COMO É INÚTIL!)
Empurra-me como se meu carinho fosse espinho que penetra sua pele (QUEM NADA TEM A DAR, NÃO SABE RECEBER)...CONSOLO-ME!...
Adeus mãe, QUE NUNCA TIVE...
Adeus infância, QUE VIVI A DURAS PENAS...
Vou buscar afeto.SERÁ QUE VOU ENCONTRAR?
DEUS AJUDE-ME!

Cláudia Freire "Lima” /DENISE SEVERGNINI

http://denisesevergnini.multiply.com/journal/item/921
Denise Severgnini
Enviado por Denise Severgnini em 02/12/2005
Reeditado em 02/12/2005
Código do texto: T80114

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Sobre a autora
Denise Severgnini
Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil, 57 anos
11345 textos (916766 leituras)
16 áudios (8882 audições)
311 e-livros (34110 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 11:12)
Denise Severgnini