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Sorte

Cenário de um tempo místico,
Tempo do tempo que temporiza o momento, a sorte.

Sorte?
Imagine-se sem ela!
Dizem que ela meneia a vida.
Seria melhor o escuro, o mal, o salobro ou a sorte?
Pelos menos com estes somos realistas e não sonhadores...
Com sorte todos são bons,
Com sorte, fazem deuses...
Pelo menos é assim que dizem que é.
Monoplegia: é isso mesmo que a sorte é.
A sorte me dá náuseas!
Aliás, ela não me dá nada...
Com ela, quem era merecedor se faz nulo,
Quem era nulo, vence;
Vence vencido pela sua própria imobilidade mental;
Eis o atestado da inércia destes: a sorte!

Justo mesmo é aquele que tece às bordas de seu caminho,
No tear complicado do trançar dos seus passos diários, tece,
Faz da sorte pedra solúvel nas águas bravas dos dias,
Insulso...
Faz dela comida podre e insossa, ignorada.
Sem ela, pelo menos não passa fome!
É que no seu caminho há sempre um Sumé.
Sumé ensinou a plantar,
Depois partiu desgostoso porque Homi não aprender.
Homi traiu Sumé.
E Sumé sumiu semeando-se...
Mas, há aqueles que aprenderam a plantar com Sumé,
A colher frutas, tecer o sustento,
Ter frutos que frutificam no seu próprio esforço.
Diz: “Não dependo da sorte que os outros dizem que tenho”.
Tartufo diz ter sorte,
Ela é afilhada dos taumaturgos.
É remorqueur dos barcos parados no mar revolto,
Daqueles que querem ser sem ser.
Ardil dos incompetentes: isso é que é ter sorte!
Vai ter sorte assim no inferno!
Assim o ditado diz.
Discordo, é bem verdade,
Pois, no inferno, não há sorte feliz.
 
De sorte, vivo sem ela,
Ça m’est égal!
Afinal, sou várzea,
Frutifico pelo que as raízes buscam águas,
De todo, espera-se o tempo da colheita,
Pois com ela há alimento,
Ensinar aos meus, o que Sumé ensinou: Sumé ensinou a somar!
Sumé ensinou a somar esforços
Sumé ensinou a não ficar parado;
Pena suave que plana ao vento e quer repousar com Justiça.
Mar revolto para os barcos parados à sua própria sorte,
Vento tranqüilo soprando em minhas velas hasteadas,
Timoneiro que aguarda ordens do comandante maior,
Olha a pena leve que escreve seu próprio destino no tronco da árvore da vida,
Mar que quebra suas ondas nas pedras certas: Não à sorte!
Mar de tintas que escreve suas vírgulas quando deve e pontos onde pára...
Quando não, é pena ao vento e repousa tranqüilo, aonde D’us quiser.

P.S.: Esta poesia está devidamente registrada em cartório no nome do autor. Toda reprodução sem a devida autorização sofrerá as sanções penais previstas em lei.
Carlos Maciel CJMaciel
Enviado por Carlos Maciel CJMaciel em 09/12/2005
Reeditado em 13/12/2005
Código do texto: T83367
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Sobre o autor
Carlos Maciel CJMaciel
Recife - Pernambuco - Brasil, 45 anos
140 textos (4622 leituras)
4 áudios (148 audições)
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Carlos Maciel CJMaciel