Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CASA DO POETA NO RECIFE, ALEGORIAS E ADJACÊNCIAS

A vida vadia e a poesia me trazem aos ventos de Boa Viagem, ao sol moreno fazendo verdes os olhos em Porto de Galinhas.

Enlameei os pés cansados nas trilhas do Povo, benzi os pecados nas imagens de portaladas altas, pombos e muitos pobres à volta de São Chico de Assis.

Rememorei Castro Alves no Teatro que toma a água suja do Capibaribe, e Santa Isabel fez a ablução da garganta, para que a voz dos escravos fique apenas na triste memória.

O coro dos vivos ainda canta Manuel Bandeira e suas trajetórias.

Registro nesta Pousada de Villa Boa Vista, olhos mareados de despedidas, às tantas horas de silêncios vários... Tento redimir-me pela brasilidade cabocla adentrando ao sertão de minhas penas e glórias.

Deixamos, eu e João Justiniano da Fonseca, matuto sertanejo de Rodelas/BA, poetas em missão de servir o associativismo cultural, o legado histórico da fundação da Casa do Poeta Brasileiro - POEBRAS RECIFE.

Curiosamente – talvez para mostrar o quanto os recifenses são magnânimos – a Casa do Poeta deu o primeiro choro em OLINDA (Ó linda!), cidade Patrimônio da Humanidade, num salão social situado a cerca de 20 km desta pousada onde estamos arranchados..

Tudo para que o futuro saiba que nesta Villa Boa Vista a Poesia está ancorada nas paredes, nos quadros, nas cerâmicas e no bom-gosto de gerência e funcionários.

Aqui flui naturalmente o humor de bem-servir aos míseros pássaros migratórios que chegam de outras plagas de asas cansadas, bebem todo este primor e até fazem poemas!

Ah! Como é bom desvirginar a página. E o branco de minhas idéias anula o gesto gráfico.

É preciso o ponto final prá dizer a todos que a vida segue piscando olhos e asas, tal como o beija-flor que suga o néctar no jardim e fixa em mim seus olhinhos de mar e medos.

Sorver vida, tirar dela o sumarento dos dias e alçar-se mundo afora, polir a pedra bruta, este é o destino do Homem!

E segue a barcarola de Caronte batendo remos entre a Vida e o Rio Profundo.

– Lavratura original feita no livro-registro da Pousada Villa Boa Vista, localizada na Rua Miguel Couto, 81, no Recife.

– Do livro EU MENINO GRANDE, 2006 / 2008.
http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/85143
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 13/12/2005
Reeditado em 21/09/2008
Código do texto: T85143
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Joaquim Moncks). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709603 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 20:31)
Joaquim Moncks