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Para Ana Cristina

A vida se refez no escuro do meu quarto. As gavetas repletas de fotografias manchadas, utensílios quebrados, uma penumbra sufocante de tristeza amarga, morcegos de solidão com as asas enferrujadas que ruíam noite inteira, sem trégua.

A bagunça do quarto e a pouca claridade me impediam de achar a mim mesma e a vida urgindo lá fora. As cortinas empoeiradas retorciam a luz que o sol cochichava pelos cantinhos, pelas frestas de esperança da janela. A chuva insistia.

Uma flor brotou, você abriu a porta e a janela através de sua beleza pacífica, acolhedora, forte, feminina. Fez-me te amar sem sofrer, sentir saudades sem entristecer, mas ter paz, sorrir, rejuvenescer. Encontrar-te foi um encontro comigo mesma, hoje minha vida exala tua fragrância de flor.

Criou raiz no xaxim do meu coração, trouxe beleza e vida para meu quarto de menina, aonde o sol hoje vem brincar comigo e aquecer-nos de amor, e a chuva saciar a sede de viver, no alvorecer te rego com a vida que corre no meu sangue, te alimento sempre minha, te deixo mais bela, mais viva dentro de mim até meus últimos dias, quando o sol se pôr.


Alessandra Espínola
Enviado por Alessandra Espínola em 14/12/2005
Reeditado em 24/12/2007
Código do texto: T85954
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Sobre a autora
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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