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A Maquinista [ por ela mesma ]

Ela pilota seu próprio trem-destino. Perfura os horizontes que bem quer.  Atravessa Céus e Infernos. De dores e bençãos formula novo combustível. E prossegue.

A cada mundo que visita, espalha o pólen valioso e gratuito do aprendizado até então adquirido.
Troca a própria pele por novos frutos.
Do alimento guarda -zeloza- as valiosas sementes.

E novamente parte, vagões franqueados a sinceros aprendizes, enquanto os vacilantes criam raízes nas Estações. E condenados à pequenez, esperam eternamente. Porque o trem nunca volta.

A Maquinista prossegue, já esculpida em nova forma. Recomposta e bela. Das agruras da travessia fluem novos sorrisos. Pontos de Luz se acumulam no olhar, cada vez mais amplo. Enquanto canais internos estremecem no orgástico prazer do vislumbre de novos e inexplorados mundos.

Os passageiros não questionam sobre o próximo destino. Confiam, simplesmente. Pois sabem que o caminho percorrido lhes revela em virtude o real aprendizado. Sabem da importância de manterem-se atentos. Ela avisou: usufruam do tempo, devorem os fatos, memorizem eventos. Mesmo os mais simples. Entendam as grandes evidências nas pequenas coisas. Camuflagens perfeitas de verdades abissais...

Ela vai só na cabine, envolta em misteriosos ventos. Cabelos longos e revoltos. De tons dourados. No limiar do desapego, sugerem ares devassos aos olhares da voragem. Que ignora, em displicente altivez. Mas lhes conta histórias de muitas viagens. Explora os detalhes. Os fatos divertidos. E sua voz de ondina hipnotiza. Acalma e faz sonhar os meninos.

Em seu território poucos adentram, a despeito da total receptividade da condutora. Talvez porque lhe saibam da completude forjada em muitos renascimentos. Ou que a solidão é a mais sábia companheira dessa alma povoada.

Aqueles que o fazem possuem olhares profundos e tais que lhe percebem recantos internos, mantidos em recato, intocados e vazios de si mesma.

Reservadas alcovas para o definitivo encontro de almas, que ela pressente, e que se anuncia por vias implícitas.

Talvez seja somente isso o que lhe falta.
O que busca intensamente, em seus imensos silêncios.
Ou na sua explosiva e sutil determinação.

Quem sabe assim - destemida e doce - alcance seu destino derradeiro ?

Quem sabe o apogeu verdadeiro ?

Quem sabe até, o Amor ?


Claudia Gadini
20.12.05
 
 
 







Claudia Gadini
Enviado por Claudia Gadini em 20/12/2005
Reeditado em 27/12/2005
Código do texto: T88520

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Sobre a autora
Claudia Gadini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
318 textos (54197 leituras)
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Claudia Gadini