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Clareia o céu

Clareia o céu e tua voz ainda em meus ouvidos de falar tanta coisa que não nos serve ainda. Ainda rio da mesma piada que você esqueceu de contar como termina e ainda teima em começar. E falo, de tudo um pouco do que me acontece nesses sóis que queimam a alma nas noites que você não vem escrever no meu travesseiro uma palavra qualquer de lembrança. Novamente murmura saudade da primeira cerveja num bar qualquer sem lembrar muito bem como fomos parar naquela estrada sem luz e sem sinalização fazendo nossas mãos correrem sem medo das multas. Rimos. Quer vir ver, ainda uma vez, como faço aquele arroz com atum. Desacredita minhas habilidades. Nem todas. Só as culinárias de não errar o sal nas minhas brincadeiras de cantar uma ópera na janela, enquanto a fabrica não para de cortar metal sem entender que o tempo não corre enquanto não nos despedimos, esperando uma nova semana. Queremos dormir mas é impossível desligar o aparelho de novos assuntos para preencher um fio de silêncio. Novas risadas. Ainda precisamos escrever aquele texto que fala tanto de nós que nem sabemos por onde começar. Lembro do homem e suas idéias que tanto me enfeitiçam. Silêncio. Você não entende que não sei pensar você sem falar dele e o contrário também, de unir os dois na minha perfeição de ser tudo o que sonhei. Irritado você finge não ouvir minhas razões de não te preocupar e diz desligar. Eu aceito. Silêncio. Você não desiste nem tão pouco eu, rindo da tua incerteza de não te querer mais do que imagina que te quero, murmurando todos os meus dias as músicas que cantamos juntos. Você finge entender e ri. Sempre ri das verdades que digo parecendo mentira e assim mesmo acredita. É hora. Ainda não. Falta falar de tudo novamente para não esquecer que estamos ligados para sempre num elo que construímos com nossas vidas tão parecidas de loucuras, alegrias e lágrimas. Às vezes até gêmeos nos descobrimos falando a mesma coisa ao mesmo tempo e rimos. Sempre rimos. As vozes enfraquecem. Talvez não seja preciso mais falar. Só sentir que nos encontramos em algum lugar acima de nós e podemos nos olhar e tocar e sorrir e continuar acreditando você ai e eu aqui sempre juntos, porque  somos para sempre. E desligamos sabendo que não vai demorar o telefone tocar só para dizer uma ultima palavra antes de dormir.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 22/12/2005
Código do texto: T89363

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
114 textos (8472 leituras)
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Paula Cury