Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

cais do silêncio

descendo o chiado, recitam-me cesário verde. cheiramos ainda o tejo, na laranja ao entardecer, fruta-baco
do rossio.
agora, pelo meio desta arcada, séculos de estórias a ouvir, cheiro grão e mendigos e, assim, consigo perceber que me falta a baixa para escrever uma história.
a imaginação tem todos os marqueses que houver; e o diabo
a sete.já não há avô, nem senhora das castanhas, ginja trincada na espuma da infância. falta-me, até, o homem-elefante, tanta tragédia concentrada.
e eu a perder todos os táxis que galgam a avenida, marcha nupcial do tempo que morreu, aventura do que a vida nos permitirá ainda. sonho que o pesadelo acabe: preciso
de gomos e gomas de laranja e cesários novos.
e todos nós somos pessoas-génios e sidónios-estampas, selos de uma colecção por descobrir. todos somos seiva e murro, gruta e esperma, sorriso e trampa, cogumelos na prancha
do bosque.
descendo o chiado, clique-se então a revolta e mande-se para trás das costas o gelo (e gravatas todas no lixo!).

e então habitamos o cais do silêncio.

lisboa (12 de junho de 2001)
Nuno Trinta de Sá
Enviado por Nuno Trinta de Sá em 28/12/2005
Código do texto: T91481
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Nuno Trinta de Sá
Portugal, 43 anos
73 textos (1677 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 20:10)