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Luiz
(parodiando Drummond)

Rosa Pena

E agora, Luiz?
A festa acabou,
a fome aumentou,
o povo gritou,
a esperança esfriou,
e agora, Luiz?
e agora, você?
você que é presidente,
que zomba da gente,
se faz de inocente,
que ri do protesto
e agora, Luiz?

Está sem desculpa,
está sem discurso,
está sem eleitor,
já não pode fingir,
já não pode embromar,
cuspir já cuspiu,
a noite esfriou,
o casaco não veio,
o feijão também não
,
o riso faltou
a utopia cansou
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Luiz?

E agora, Luiz?
Sua falsa cidadania,
sua constante mentira,
sua gula de poder,
sua maluca ideologia,
seu bolso com ouro,
seu terno Armani,
sua incoerência,
seu despudor - e agora?
Com o poder na mão
quer a reeleição,
não existe perdão;
quer ganhar na marra,
mas o povo acordou;
Quer tentar novamente? 
 Babacas não há mais. 

Luiz, e agora?
Se você admitisse,
se você gemesse,
se você cantasse
em outras bandas,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, Luiz!
Sozinho no Planalto
qual bicho-do-poder,
sem vergonha,
sem Dirceu
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, Luiz! 

Luiz, para onde? 
Tomara que longe.
Que tal em Paris?

*****

José 

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?



Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 02/01/2006
Reeditado em 22/10/2008
Código do texto: T93310
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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