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Despertar do EU do inconsciente coletivo

Retorço-me, contraio-me, grito-me em silêncio e me calo. As lágrimas imaginárias que escorrem dos meus olhos traduzem o não-sentir. Esse não-sentir profundo que me abate, que me torna cético em relação ao sentimento.
Arranho com a agulha dolorosa minha epiderme, camada superficial que superficializa o sentir; cuja composição química contém o meu não-sentir. Sinto o meu não-sentir por fora, meu dentro está morto, os anos mataram-no por mim.
Garotos e garotas passeiam nas ruas festejando a vida, festejando o sublime, o êxtase, enfim, festejando o festejar. Mas por que criam o festejo? Para preencher suas vidas de sentir? Sim. Inventam-no.
Fui amaldiçoado com o não-sentir. Ele está em toda parte. É uma verdadeira epidemia. Propaga-se mais rápido que o sentir.
Contradigo-me. Não existe o sentimento de sentir. Só existe o existir; grande buraco negro.
Chego à maximização. Maximizo os princípios que regem o universo. Minimizo  meu não-ser para finalmente sentir o sentir. Será isso a razão da vida? Hipocrisia? Serão todos hipócritas? Não. Se todos são hipócritas, não existe hipocrisia; falso entender da vida.
Faço, desfaço, refaço. Conjunto de ações simultâneas que estagnam o que há de dinâmico na vida.
Sou o meu personagem, não existo. Sou porque querem que eu sinta. Quem quer? Todos querem.
O EU foi ao pomar da plenitude. Coitado- tava tudo bichado-, e então o que eu ainda quero indagar? Quero indagar você, indivíduo covarde preso às convenções da moda do inconvencional. Pobre objeto de uso da maldita engrenagem capitalista que te saboreia até a última gota.
E agora? Agora? Ser um saco de ossos ambulantes. Ser ser social como alguns querem. Se pensas que sou misantropo; estás enganado. Sou igual a você, hipócrita com todos os caracteres. Por isso digo: por que insiste em me estereotipar de diferente? Se sou o mesmo EU que você. Sou hipócrita e bonzinho. Ojerizo a mediocridade, a leviandade igualzinho a ti, meu amigo.
existencialista
Enviado por existencialista em 03/01/2006
Reeditado em 21/11/2014
Código do texto: T93594
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
existencialista
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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