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Noite desarrumada

“Aqui estou, enfraquecida ao canto da cama, esperando o descanso indelicado, aceitando o vazio dessa noite desarrumada. Sem um braço sobre meu corpo, sem um beijo de agradecimento. Esquecida depois do prazer. Me sinto inútil ao vê-lo dormir. Será que sonhas comigo? Ou já me esqueceu? Tenho medo de tocá-lo, lhe cobrir todo o corpo e me deitar ao seu lado, talvez você queira permanecer assim.
     Você não me vê aqui, despida, com os olhos apontados para o nada. Acompanhada e totalmente só!
    Queria ser a lua, que têm estrelas a lhe iluminar, mas tenho que ficar aqui, acalentando um homem, que simplesmente desfalece ao satisfazer o seu desejo, ao alimentar o seu prazer, ao me largar nua, catando o que resta de uma garota que sonhava ser amada.
     Se eu soubesse que o que eu iria passar para ser mulher, iria doer mais que um adeus à virgindade,
Se eu soubesse que iria sentir falta de um carinho depois dos momentos de prazer, eu não arriscaria. É bom se tornar mulher quando se tem um verdadeiro homem. A falta de carinho estragou tudo, as frases que eu tinha pra dizer, os agradecimentos que eu tinha pra fazer, os próximos dias que estavam por vir...
     Mas eu estou aqui, vestindo minha roupa, quem dera eu pudesse agora vestir a minha honra, meus sonhos estão em pedaços pelo chão, eu esperava mais amor de você, não foi isso que você me prometeu, não foi assim que eu quis...
     Dei-te uma jóia pra você lapidar e você conseguiu tirar todo o seu brilho."

Sérgio Corrêa
Enviado por Sérgio Corrêa em 03/01/2006
Código do texto: T93891
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Sobre o autor
Sérgio Corrêa
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 45 anos
68 textos (1745 leituras)
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Sérgio Corrêa