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Sonho ou Realidade?

Estive por várias vezes internada em hospitais ,para pequenas e grandes cirurjias as quais são decorrentes de minha pouca saúde.
Nessas vezes conviví com pessoas diferentes as quais muito
ensinaram, através da sabedoria popular,das colegas de enfermaria e creio que também pude transmitir o pouco que sei da vida.
O hospital pode ser um lugar terrível para alguns , mas se soubermos levar nossas enfermidades com ânimo pode até ser agradável ,quando se faz boas amizades.
Esta pasagem aconteceu comigo alguns anos atrás , e gostaria de relata-la aos amigos do Recanto ,para que tenham uma boa leitura e também dividir com todos uma mensagem de bom ano novo, já que ando meio afastada das escritas por motivos de ser mama ,vovó ,natal ,férias e
tudo mais .
Sempre gostei muito de escrever,ler ,principalmente de escrever poesias ,poemas ,crônicas,contos enfim ,um tanto anciosa para não dizer que cabeça fica a mil por hora ,fazendo poemas , poesias nas noites insones.
Creio que todo escritor é assim meio louco não é mesmo?
Voltando ao assunto ,do hospital , nessas minhas idas e vindas,conheço pessoas que muito acrescentam á minha já povoada memória de pretença escritora.
Eu estava preparada para uma cirurjia no dia seguinte, no quarto mais três senhoras.
Certa hora chega os residentes para uma pequena entrevista
rotineira ,creio eu.
Todas as senhoras , receberam medicamentos relaxantes portanto já estávamos sonolentas, (Era noite).
Ao lado do meu leito ,sentou-se um jóvem nos seus 20 poucos
anos ,cabelo longo ,barba grande ,calçando sandálias tipo
franciscanas,calças cheias de bolsos.
Reparei nestes detalhes , porque mal pude ver seu rosto
devido as longas barbas e a posição em que se sentou, dificultava-me encará-lo, de maneira que mais eu visualizava era seu corpo magro e forte, longos braços e pernas, mãos fortes com veias saltadas, segurando firme uma plancheta com anotações do questionário.
Perguntas formais como , idade,  modo de vida , e principalmente da minha doença.
Falo pouco de mim...mas naquele momento tive vontade de falar já que o momento era propício , êle estava para ouvir...
O assunto saiu um pouco da rotina ,voltando-se para o emocional , pois acho que o rapaz percebeu minhas inclinações para a literatura ,enfim uma pessoa que destoava do normal,e talvez aflita em querer coisas fora da hora, e minha angústia em querer vencer como escritora ,essas coisas de pessoas que ainda não tinha se
encontrado.
Com uma voz pausada , porém firme ,foi me conduzindo por um caminho que nunca mais voltei.
Mostrou-me que naquele momento o que mais interessava-me era minha saúde, depois criar meus filhos, ainda pequenos, os quais eu não dava o melhor de mim, devido as minhas constantes internações.
O futuro viría rápido e com ele meus sonhos se realizariam,
mas no momento que eu deixasse fluir meu destino sem ansiedade, que meu valor seria reconhecido eu teria meu lugar onde eu poderia escrever para o deleite de amigos , levando esperança aos aflitos ,carinho a quem precisasse.
Disse também que eu usasse o dom da escrita par auxiliar
sempre á um ser desamparado, fazendo desse dom um meio para ajudar e nunca para ganhar dinheiro , esse sim ,viria mas, numa hora mais tranquila que eu não mais faria conta e nem
teria tanta importância como eu gostaria que tivesse.
Quando a visita terminou ,apertou minha mão num jesto forte e decidido  desejando- me sorte e  retirou-se .
 
Aqueles conselhos sigo até hoje ,mais de vinte anos após aquela visita...
O mais me intrigou nessa istória é que a companheira do fundo do quarto interpelou-me com a seguinte pergunta:

D.Beth ,a senhora não pode receber a visita dos residentes
porque a enfermeira não conseguiu acordá-la , estava num sono profundo , não é mesmo?


 



 
borboleta azul
Enviado por borboleta azul em 07/01/2006
Código do texto: T95553
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Sobre a autora
borboleta azul
São Paulo - São Paulo - Brasil, 65 anos
44 textos (6354 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 18:23)