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TORTURA

O meu receio é que não me entendam.


Amar, é adiar a sede, a fome,
A viagem, o divertimento,
É comer a carne, o pão, o pó, o vento,
É se lembrar do esquecimento
E ter seu nome no meu pensamento.
Amar, é beber a saliva e a água do mar,
É enrolar uma corda no pescoço,
E tentar se matar,
É ter um pesadelo e não conseguir acordar.
É ter um segredo e querer revelar.
Amar, é ter ódio da vida,
Esperar cicatrizar a própria ferida.
Amar, é andar sozinho na madrugada,
É entrar sempre na casa errada,
É esperar sentado pela mulher amada,
(encher a cara dela de porrada)
E depois botar o pé na estrada.
Amar, é sair em vão desta tortura,
É procurar à toa essa criatura.
Tentar achar um pouco de ternura,
Nessa carne virgem e pura.
Amar, é ter um pouco de sorte,
Não se encontrar na esquina com a morte,
Mostrar que posso ser forte
E ferir o meu rosto com um corte.
Amar, é não querer lutar sozinho,
É seguir em frente, achar o caminho,
Pegar a flor, tirar o espinho,
E procurar alguém
Que me dê carinho.
Sérgio Corrêa
Enviado por Sérgio Corrêa em 11/01/2006
Código do texto: T97108
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Sobre o autor
Sérgio Corrêa
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 45 anos
68 textos (1745 leituras)
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Sérgio Corrêa