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Um suícidio tranquilo...

 Eu quero um suícidio tranquilo... Sem nem mesmo uma nota no obituário do jornal. Nem missa de sétimo dia, não quero que contem quantos dias faz que não existo. Não quero ter o peso da morte, quero somente ser esquecida, como uma longe viagem, só não sabemos quando penso em voltar.
 Estou farta de tantos julgamentos, de tantas questões para serem respondidas. Eu não tenho a resposta para nada, e sempre questiono: "Será que não há mesmo uma saída?"
 Que meu enterro seja em um dia de chuva, como nos filmes de hollywood. E que eu seja cremada, para não ocupar muito espaço. Não quero que nada cresça, adubado pelos meus genes ruins.
 Não quero velório, ninguém precisa ter certeza de que morri. E nem mesmo quero o último adeus, tenho certeza que já nos despedimos muitas vezes em vida. Fique com esses...
 Talvez, somente flores, para marcar o tempo do teu luto. Chore até somente as flores murcharem, depois as jogue fora, junto com qualquer lembrança minha, e esqueça de mim, como vai esquecer das flores que jogou no lixo.
 E se depois de um ano, ainda houver uma lembrança qualquer minha, não reze, não ore, apenas apague todas as luzes, fique no silêncio, e os fantasmas se vão.
 Porque para mim só desejo um apagar de luzes, como um esquecer de qualquer coisa, que nem percebemos. Um dia eu existo, e no outro estou planando no infinito, como uma árvore velha que se cansa e caí.
Claudia Rayzer
Enviado por Claudia Rayzer em 12/01/2006
Reeditado em 15/09/2008
Código do texto: T97959

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Sobre a autora
Claudia Rayzer
São Vicente - São Paulo - Brasil, 31 anos
139 textos (6844 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 20:30)
Claudia Rayzer