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A boca no papel

" O garoto da vizinha me pediu que o ajudasse a fazer (a fazer não, completar) um trabalho escolar sobre boca. Estava preocupado porque só conseguira escrever isto: ´Pra que serve a boca? A boca serve pra falar, gritar e cantar. Serve também pra comer, beber, beijar e morder. Eu acho a boca um barato`. Queria que eu acrescentasse alguma coisa"
— Carlos Drummond de Andrade

Lembrei logo da boca-do-lixo. Mas imagine o bate-boca que daria se eu incluísse esse assunto no trabalho do garoto? A mãe dele, uma autêntica boca-dura, provavelmente poria a boca no trombone. Espalharia pela vizinhança toda, no boca-a-boca, que sou um boca-suja. Sem falar da minha mulher, que não perderia essa bocada por nada desse mundo. Ela ficaria uma semana fazendo intriga  com a bocuda da vizinha. Sinto um frio na boca do estômago só de pensar.

O menino continuava de boca-calada, esperando que eu falasse alguma coisa. Não sei por que, mas a boca-do-lixo não saía da minha mente. Só por curiosidade, perguntei ao garoto se ele sabia o que era esse lugar. Fiquei de boca-aberta com a resposta. Disse que já havia assistido na TV um programa sobre esse lugar boca-quente. Aliás, ficou contente com a sugestão para o trabalho.

Quando ele foi embora, eu ainda estava um pouco preocupado, pois, se meter em encrenca com vizinho é a mesma coisa que enfiar a cabeça na boca-de-canhão. E, o pior, nem sou bom-de-boca pra enfrentar a broaca da vizinha. Aliás, sou um tremendo boca-mole.

Bom, a boca da noite apareceu e decidi fazer uma boquinha, pois já estava com um bocado de fome.
Marcelo Melero
Enviado por Marcelo Melero em 29/01/2006
Código do texto: T105372
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Sobre o autor
Marcelo Melero
Curitiba - Paraná - Brasil, 49 anos
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Marcelo Melero