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Banalização da banalização

        Sou de um tempo em que não se amarrava cachorro com lingüiça, mas que certamente não havia pit-bull. De um tempo em que espíritos não baixavam na internet. E que vírus era somente coisa de gente e bichos. De um tempo que nem tanto remoto em que não garimpávamos informações, não pesquisávamos a veracidade dos fatos como se fossem mercadorias. Nunca precisávamos pinçar nas toneladas culturais algumas gramas daquilo que pudesse elevar corpos e mentes.
Época em que comíamos livros e músicas de qualidade em quantidade. Bebíamos os mais suculentos poemas que eram verdadeiros bálsamos espirituais. Embebedávamos do bom, do belo e do melhor em arte, mesmo que fosse antropofágico. Tempo em que não deixávamos lacunas para pornografia, a violência, a corrupção e a degradação moral.
No entanto sobrevivo num tempo em que a banalização da banalização contaminou paulatinamente do sagrado ao profano.
Tempo em que proteger a integridade física se confunde com o direito de privacidade total. Tempo em que o mais culto, mais bonito e melhor ainda é aquele que tem mais dinheiro. Tempo em que o melhor lugar do mundo não é aqui e agora. Tempo em que universo paralelo pode ser refém do poder paralelo. Onde utópico é ser real e a felicidade pode estar num prato de comida, num sorriso magro, num abraço mesmo que virtual ou na Mega Sena...
Tempo em que o lixo cultural vem do primeiro mundo, para que o consumimos em tempo real até a overdose. Tempo em que ninguém viu nada, ninguém sabe nada...
Sergio Pacheco
Enviado por Sergio Pacheco em 13/08/2006
Código do texto: T215740
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Sobre o autor
Sergio Pacheco
Sabará - Minas Gerais - Brasil, 58 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 20:39)
Sergio Pacheco