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Lembrei-me

Lembrei-me esses dias do meu irmão Marcel, brincávamos muito, melhor dizendo brigávamos muito, seja qual fosse o motivo lá estávamos nos beliscando. O engraçado que em questões de minutos já estávamos em paz e brincando novamente.

Lembrei-me de ir visitá-lo na Unicamp, e dele unindo as forças para ir até a janela acenando e mandando um beijo para mim, ou de brincar no Boldrini enquanto minha mãe, Dona Selma, uma guerreira que muito admiro, ficava ao lado do leito do meu maninho. Lembrei-me do velório, da camiseta do pica-pau, personagem predileto dele, da calça jeans e de um leve sorriso no rosto, parecia que estava feliz de todo aquele sofrimento que passara por três meses, devido à leucemia ter acabado. Descansou finalmente. O beijei no rosto, e inocente disse: “Tchau Ceça” (era como eu o chamava). Tão inocente que não conhecia o sentido da morte, pois dias depois eu procurava-o em casa e perguntava para minha mãe onde ele estava e ela respondia apenas que ele estava dormindo.

Minha mãe, só resistiu por minha causa, entrou em depressão pela falta dele. Foi uma perda muito grande e irreparável. Com a ajuda de Deus ela superou, mesmo guardando ainda tristeza de não tê-lo junto a ela, mas com a fé de revê-lo um dia e poder abraça-lo fortemente. E assim fomos aprendendo a viver sem tê-lo ao nosso lado, apenas em nosso coração.

Penso nele, e sinto sua falta, mesmo tendo já se passado anos e anos, mas ainda sinto!

Esses dias me peguei chorando por causa de sua ausência, sonhando como ele estaria hoje, já um homem feito e ciumento, tinha um ciúme imenso de mim. Lembro-me de ver meu pai chorando dizendo para meu noivo que o considerava como filho, o filho que partiu, que se seu filho estivesse vivo gostaria que fosse como o André: educado, confiável, bom caráter, simpático, amigável, sempre disposto a ajudar, um exemplo de rapaz. Difícil de encontrar hoje em dia.

Sei que em breve ei de vê-lo, pois acredito do advento de Cristo, e imagino como será abraçá-lo novamente e dizer: “Tá vendo maninho, como eu cresci?”.

Minha mãe não pôde ter mais filhos, mas tínhamos vontade de adotar um, pena que essa vontade não se concretizou, pois sempre senti falta de um irmão, nunca gostei de ser filha única. Porém encontrei amigos, que como na bíblia diz: “Amigos mais chegados que um irmão”. Agradeço muito a Deus por isso.

São tantas lembranças que guardo com carinho e saudades no coração. Lembranças que confortam a alma.

Para meu maninho, que está apenas dormindo: “Quando acordar se prepare para ver sua caçulinha já crescida, e louca pra te contar tudo o que já fez nesta vida louca, inconstante e cheia de surpresas"



Paula Souza Castillho

(25/10/05)

Paula Aprendiz
Enviado por Paula Aprendiz em 25/11/2006
Código do texto: T300877
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Sobre a autora
Paula Aprendiz
Indaiatuba - São Paulo - Brasil, 31 anos
13 textos (570 leituras)
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