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Tomando conta da vida alheia

Não sei se já aconteceu com alguém, mas sempre existe uma pessoa curiosa que cisma em tomar conta da minha vida, em saber mais de mim do que eu mesma... Ora, é claro que isso sempre acontece conosco, não sendo privilégio meu ter a vida monitorada 24 horas.
Sim, a minha vida é monitorada 24 horas e isso nem se deve ao fato de eu ter uma câmera acoplada ao meu corpo, ligada direto em rede, para que todos saibam o que faço, quando e como. Tenho um monitoramento melhor: pessoas curiosas por perto.
É isso mesmo, pessoas curiosas. Se não fossem, não teriam essa vontade quase insana de desejarem saber o que se passa na minha vida e espalharem por ai as "boas novas". Somente o curioso é que possui essa postura de tentar saber sempre das coisas. Fofoca é muito feio, baixo, então, essas pessoas só podem ser curiosas.
E nisso tudo verifico que minha vida deve ser muito boa aos olhos dos demais, senão, não perderiam tempo com ela. E isso é muito interessante, pois a pessoa perde tempo da vida dela com a vida alheia. Isso só pode ser amor.
Sim, amor, pois, somente quem amamos é que nos interessa; quem não gostamos nem prestamos atenção. E se prestam tanta atenção em mim, é sinal de que me amam e me consideram importante.
Importante, é isso que sou para essas pessoas. Do contrário, não perderiam tempo da vida delas com a minha vida. Pois da minha vida eu já cuido, bem ou mal e ainda possui vários assistentes para, também, fazerem isso, tomarem conta da minha vida.
O mais engraçado disso tudo é que esses meus assistentes sabem mais da minha vida do que eu mesma. Tiram conclusões de minhas ações, desenvolvem raciocínio elaborado sobre minhas atitudes, enfim, fazem o trabalho de um verdadeiro assistente.
Mas sabe que eu não queria ter esses assistentes? Sei que estou sendo injusta, até mal agradecida, mas é que necessito ter privacidade na minha vida e não estou tendo, esses assistentes são espaçosos demais e me sufocam. Sei que desejam apenas ajudar, mas não estão, estão atrapalhando meus dias e me irritando de certa forma.
Mas a realidade de quem vive entre outras pessoas é essa, a de possuir esses curiosos, essas pessoas que adoram a vida alheia esquecendo da própria e até vivendo a vida que não lhes pertencem.
Talvez seja culpa desses realities shows que incentivam a tal da "espiadinha", aumentando a cada dia essa conduta desregrada de que ver o que os outros fazem, prestar atenção na vida alheia é bom, é saudável, é recomendado.
E a única saída que encontro para lidar com isso é através de um pensamento satírico, em que transformo o intolerável em risível. Só assim para entender o que não tem muita explicação...
Érika L J
Enviado por Érika L J em 28/05/2012
Código do texto: T3691927
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Érika L J
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Érika L J



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