11 de agosto de 2012
Que terror que é uma mente perturbada por um peso de consciência... É uma prisão dentro de si mesmo, não há para onde fugir. É como estar acorrentado em uma casa mal-assombrada. Não se pode dormir tranquilo, não se consegue esquecer o feito. A cabeça fica vagando, imaginando as diversas outras possibilidades que não foram feitas...
Não há como escapar. A culpa é uma perseguição eterna e inconsumível (consome apenas a nós). É uma voz irritante e insistente que grita aos nossos ouvidos. Somente aos nossos. Ninguém mais é capaz de ouvi-la. E é isso que nos enlouquece ainda mais. Estamos sozinhos em meio a essa imensidão de sentimento.
Todo mundo já sentiu o peso da consciência em menor ou maior grau. Tem gente que já está até acostumada, sente um pesinho e logo mais já esquece. Outros se atordoam por qualquer coisa.
A verdade é que o sentimento de culpa não é diretamente proporcional à responsabilidade do ato. Podemos sentir mais ou menos culpa em relação ao mesmo “crime”. Da mesma forma, podemos ser mais ou menos acusados pela mesma infração, tendo nós culpa ou não.
Existe também a tentativa de se transferir a culpa. Colocar a culpa em alguém. Usar um inocente como “bode expiatório”. E tem gente que veste a carapuça direitinho. Assume e sente-se culpado. Enquanto os verdadeiros responsáveis sentem suas costas leves... tranquilizados de verem que seu plano funcionou.
Foi o Victor Hugo, na obra imortal “Os miseráveis” quem, na minha opinião, melhor descreveu a tragédia de um peso de consciência. Ele disse: “A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentações; a fornalha dos sonhos, o antro das ideias de que temos vergonha; é o pandemônio dos sofismas, o campo de batalha das paixões”.
Em outro trecho, ele descreve magistralmente o sentimento de culpa: “Infelizmente, o que ele tinha intenção de expulsar do quarto já havia entrado, os olhos que ele queria cegar encaravam-no fixamente: era sua consciência”.
E o tormento continua: “Ao cabo de alguns instantes, por mais que fizesse, teve de continuar o sombrio diálogo em que ele mesmo falava e ele mesmo escutava, dizendo o que bem queria calar, ouvindo o que não queria escutar, cedendo a essa força misteriosa que lhe segredava: ‘Pensa!’ (...) Cada um diz, fala e exclama no seu íntimo sem que o silêncio exterior seja quebrado. Quando nossa alma está agitada, tudo dentro de nós fala, menos nossos lábios. As realidades da alma, por não serem visíveis e palpáveis, não deixam de ser realidades.”
Uma tragédia mesmo. E que obriga a tomar alguma providência. Ficar parado, enlouquecido com esses pensamentos gritantes, ninguém consegue. E aí, busca-se então um amigo, uma penitência, uma forma de compensação.
Consciência tem a ver com ser consciente e não com a responsabilidade do ato. Ou melhor, com o quanto se responsabiliza (conscientemente) pelo ato. O pior inconsciente é aquele que foge de si mesmo.
Hélio Fuchigami
Enviado por Hélio Fuchigami em 11/08/2012
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