Quando a NASA foi parar em Cruz Alta

Eu sempre digo para os meus filhos que eu não conto histórias e sim coisas que realmente aconteceram comigo, como uma vez que a NASA foi parar em nossa cidade.

Eu morava no bairro Boa Parado e tinha na época três anos e não sabia falar, mas a corrida para o espaço já havia começado, como éramos do interior muitas histórias contadas pelos cacheiros viajantes, andarilhos e pessoas que já haviam indo para a capital eram atentamente ouvidas, diziam que um outro pais tinha mandado gente para a Lua , naquele ano nós estávamos na fazenda do Seu Antoninho e era uma fazendo muito grande , (era terra que não acabava mais) .

E como era de costume no final do dia todo mundo se reunia perto da fogueira e contavam histórias outros cantavam e sempre tinha alguém que estava de passagem e eram estes que enchiam as nossas cabeças de coisas que para nós pareciam de outro mundo, como as primeiras histórias que haviam inventado uma caixa de madeira que aparecia as pessoas todas da mesma cor e todas com roupas da mesma cor e que deram o nome de TV preto e branco e que dentro desta caixa todas as pessoas eram iguais, mais tarde quando a televisão veio para a nossa cidade havia se confirmado que existia mesmo e que não era mentira ou coisa de outro mundo , portanto começamos a ter certeza que o que os viajantes contavam eram verdades e que logo estaria em nossa cidade, bem como era natural na fazenda do seu Antoninho e das dos vizinhos acreditar que realmente existia Saci Pererê, Boi Tatá, e tantas outras coisas , que mantía nós crianças meio que na linha

Mas aquele ano já dava sinais que algo muito sério e que mudaria as nossas vidas iria acontecer, o tempo estava desregulado e algumas culturas estavam vindo na época errada e foi o ano que mais moças estavam casando as pressas deixando o padre da Paróquia brabo pois nem conseguia mais fazer as coisas que gostava de fazer (que até hoje não se sabe o que é , só se sabe que ele saia todas as noites para rezar na fazenda da dona Mariana).

E foi neste mesmo ano que se ouviu uns estrondos muito altos e relâmpagos como se fosse cair um enorme temporal, só que o dia estava claro e com um Sol que nos obrigava no mínimo a usar um chapel.

E mesmo sendo algo realmente de por medo em qualquer um foram todos olhar o que tinha acontecido, quando todos chegaram perto viram que algo estava dentro do açude, pois a água estava em redemoinho e saindo muitos vapores como se algo extremamente quente houvesse caiado ali e como o açude ficava nas terras do seu Antoninho ele resolveu cercar tudo e chamar a polícia , só que veio o exército e com ele todo o tipo de curiosos, jornalistas , fotógrafos , benzedeiras religiosos , enfim , quase que faltou espaço na enorme fazenda do seu Antoninho, mas o que mais chamou atenção foram uns homens vestido de branco com uns capacetes enormes com letras enormes escritas nas roupas, NASA , mas ninguém sabia o que queria dizer, eu mesmo achei que queria dizer” Não Adianta Sair Andando” e no meio daquela confusão eu fui deixado na cadeirinha perto do cordão de isolamento, um descuido inexplicável da Melissa a babá e que de forma mais inexplicável ainda alguém não me viu e acabou me derrubando com cadeirinha e como era uma descida eu rolei para debaixo daquele monte de metal que já havia sido tirado do açude, metal esse que ainda estava inteiro na parte de cima e que começou a fazer barulhos estranhos calando todo mundo , e enquanto eu engatinhava para sair acabei me enchendo de um pó branco que havia sido jogado naquilo que todos já estavam chamando de nave de extraterrestre , quando eu consegui sair por um espaço aberto todos ainda estavam em silêncio e eu engatinhando vi um daqueles capacetes brancos me pegar no colo e um dos que estavam na multidão gritar:

___Todos em silêncio o extraterrestre vai falar e eu nos meus três aninhos de idade falei sem parar :

___Gugu Dada , Gugu dada .

A comoção foi geral, gente chorando, gente se ajoelhando e rezando , mulheres desmaiando, gente fugindo os militares sem saber o que fazer , e aquele homem da NASA me colocou sentado em cima do capo do carro e tentava se comunicar :

___Eu sou da Terra, eu sou da Terra .

E eu estava respondendo tudo:

___Gugu, gugu, gugu Dada.

Nisso o homem da NASA leva uma vassourada no capacete que assustado fica olhando a minha mãe me pegar no colo e dizer:

___Palhaçada, onde já se viu ficar assustando as crianças, vamos filho, vamos para pra casa .

Depois daquele dia nunca mais ninguém tocou no assunto e meses depois eu disse a minha primeira palavrinha , NASA.

Suacrem
Enviado por Suacrem em 17/12/2014
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