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Um retrato? Ou um espelho?

Havia folhas e flores se cor caídas numa rua da qual não se podia ver o fim. Tudo era muito abstrato. Parecia fosco, sem vida. Num playground vazio havia apenas o resquício de algumas pequenas marcas feitas, talvez, por crianças que tenham brincado ali algum dia. Árvores desfolhadas por um outono mudo, invisível. Não havia tempo, nem sons; nem vida ou movimentos. Era tudo muito natural e, ao mesmo tempo, irreal. Uma sensação de deja vu amorfa e sem cheiro, pouco mais que uma lembrança silente e sem nexo. O relógio de uma catedral marcava as horas, há séculos, paradas. Teria o relógio deixado de funcionar, ou o mundo de girar?
Lixo, restos de comida, roupas rasgadas e sujas enfeitavam as calçadas. Onde estaria a fome? Onde estaria o frio? Na próxima esquina? Nos próximos olhos? Ou espalhados pelo chão?
Num vale longínquo, quase impossível de se ver, o mundo parecia diferente, menos cinza, menos frio, mas o tempo parara ali também, já não caminhava por nenhuma rua; nem nas cidades, nem nos campos. Talvez estivesse cansado de andar em círculos. Talvez apenas tenha caído no sono, no meio de sua jornada sem fim por uma miríade de mundos.
O ar era apático e denso. No horizonte não se via um futuro, um novo dia pela frente, apenas um sol negro e frio que observava, soturnamente, o mundo sonolento que ele não mais iluminava ou aquecia. Era como um universo epiléptico preso por uma velha moldura de madeira retorcida de um apático tom marrom...
Mas, afinal, seria isto um quadro, ou um espelho?
Elton Veloso da Silva
Enviado por Elton Veloso da Silva em 29/09/2007
Código do texto: T673776
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Sobre o autor
Elton Veloso da Silva
Pedreira - São Paulo - Brasil, 30 anos
110 textos (7076 leituras)
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Elton Veloso da Silva