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Meu Vestibular

Vestibular... é como ir à guerra. Porém, a arma é embutida. Cada um com seu estilo. Uns choram, porque ficam nervosos. Outros, ao ficar nervosos, riem! E outros ainda fingem estar bem preparados, a fim de sentirem-se confiantes... A velha armadilha para os chorosos e risonhos, e também aos próprios fingidos entre si. Eu, diferente de tudo e naturalmente exótica em minha -segundo um grande amigo -complexa personalidade não me fiz classificar em nenhuma dessas três possibilidades.
Desde o início tentei acalmar meus tios (na casa dos quais moro) de que o dia do vestibular não deixava de ser um dia normal como todos os outros, mas com um único detalhe: “Iremos almoçar antes das onze e meia!... Para que eu possa fazer a digestão tranqüilamente e não tenhamos de enfrentar congestionamento. Entenderam?”
Entendem. O que aconteceu foi que enquanto eu comia meu nutritivo prato quase vegetariano com a maior naturalidade e gosto, minha tia ao meu lado, tremia os talheres. Por fim, confessou-me: “Você é como uma filha para nós e por isso eu fico como se estivesse no seu lugar!”. Sorri para ela e respondi: “...se estivesse em meu lugar, estaria muito tranqüila!”. Sorriu-me.
Antes de sair de casa, folheei o meu livro de anjos a fim de sortear dois anjos para me guiar (um pequeno ritual diário). O primeiro: O Anjo da Paz. O segundo: O Anjo da Sabedoria. “Nada mal!”. Guardei o livro e corri para fora enquanto meus tios já esperavam o elevador.
Cheguei cedo no local de prova. Não demorei muito a encontrar um conhecido. Conversamos alegremente e isso me deixou ainda melhor do que eu já estava... como se não bastasse meus cômicos pensamentos sobre a realidade daquele dia, ainda percorriam pelo meu pensar idéias engraçadas. Reflexo de umas boas risadas.
Fiz a prova calmamente. Fiquei feliz por estar mais fácil do que eu a esperava. Dei risada de alternativas absurdas e achei graça dos meus raciocínios malucos ao tentar resolver questões de matemática e física, que em resposta eu dizia: “Pare! Definitivamente é muita loucura acreditar nisso!”. Hoje eu sei que se tivesse acreditado, teria tido chance de acertar um número maior de questões nessa área tão exata... tão loucamente calculável, constato!
Nos documentos e comprovantes, tive de imitar uma assinatura que fiz quando tinha meus oito anos (época que fiz minha carteira de identidade...; quer dizer, fizeram para mim). E brinquei com a monitora quando ela me perguntou se eu conseguia assinar igual... “Igualzinha não, mas posso tentar copiar!...”. Pessoa que precisa ver a própria assinatura para assinar, é “foda”!
E é claro, que não poderia faltar encontrar minha amiga de cabelos azuis na saída da prova. Tínhamos de comer alguma coisa, falar besteiras e viajar na maionese de um x-salada.
O dia foi ameno, tranqüilo e hilariante!
Fazer vestibular é testar-se, mais do que em termos de conhecimentos gerais. É um uma forma de conhecer-se, de auto-analisar-se. E é claro: uma das coisas mais legais que eu já pude fazer em meus dezessete anos, sem contar que proporciona-nos a paisagem que você mesmo escolhe para a situação, basta o ângulo que você opta a olha-la! Não é nada profissional, é pessoal mesmo!

obs.: não classico este texto como redação. "Texto" já seria de nêutro e precioso tamanho.
Caroline Natalie Stroparo
Enviado por Caroline Natalie Stroparo em 24/11/2005
Reeditado em 24/11/2005
Código do texto: T75936
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Sobre a autora
Caroline Natalie Stroparo
Curitiba - Paraná - Brasil, 28 anos
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Caroline Natalie Stroparo