MARIQUINHA - 25a. PARTE

25ª. PARTE

AS RUSGAS

Na noite em que comuniquei à minha deusa a determinação de ir trabalhar fora, para que nós pudéssemos casar, foi um desastre. Mariquinha não concordou, chorou muito, “bateu o pé,” arreliou bastante. Não houve carinho nem beijos que pudessem acalmar a baixinha de olhos negros. Todos os meus argumentos foram rechaçados, sem nenhuma reflexão. Ela dizia: - Éh, Toninho, pode falar que você já enjoou de mim. Você quer mesmo as sirigaitas da cidade grande. Depois de tanta fama, dá vergonha de casar com uma caipira como eu, não é mesmo? Vamos seja herói agora, responda.

- Não é nada disso, minha linda, eu morro de amor por você, só por você. No meu coração não existe lugar para outra mulher, eu dizia.

- Mas, não é isso que está me cheirando. Você quer se livrar de mim e não tem jeito. Indo para a cidade, você irá me mandar cartinha: esta semana não te posso ir ver; o pagamento não saiu, o patrão não me dispensou; Não é isso mesmo? Vamos, diga a verdade que é melhor.

- Não é isso meu amor, eu já disse a você que não, não, não é isso Como vamos nos casar com o que eu ganho? Você pensa que eu vou fazer você trabalhar na roça quando formos casados ou vamos passar fome com a miséria que eu ganho? Não, não é isso que eu quero pra nós.

- Não acredito em nada...

- Chega, eu disse, zangado, tapando a boca de Mariquinha com as mãos. Não falemos mais nisso, por tudo quanto é sagrado. Ela se amuou e tornou aquela noite que se despontava tão linda e alegre, num verdadeiro inferno.