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JOSÉ MARTÍ - A MORTE DO HERÓI

“Héroe se puede ser todos los días; pero el verdadero héroe es el que sacrifica su heroísmo al bien de su patria”
“Mejor es morir abrasado por el sol que ir por el mundo como uma piedra viva com los brazos cruzados.”
“Si no tienes valor para sacrificarte, debes tener valor para callarte y no criticar a los que se sacrifican.”
José Martí

O homem é retratado nos contextos de suas primeiras descobertas. Vive os anos inaugurais entre Cuba (sua pátria) e a Espanha. Amadurece o herói que será inscrito nas belas páginas da história da independência de Cuba.
José Martí, desde cedo, participou da luta pela libertação de sua pátria. Dedicou-se às atividades revolucionárias e colaborou com os periódicos “Diablo Cojuelo” e “La Patria Libre”.
Em janeiro de 1869, estouraram diversos conflitos pelas cidades e os acusados dos crimes políticos foram perseguidos e presos. Martí, então com dezesseis anos, foi condenado a seis anos de presídio com trabalhos forçados na extração da cal e do seu preparo. Já que não era legalmente possível executar os presos políticos, a imposição do trabalho insalubre propiciava a morte dos prisioneiros por si mesmos.
Martí presenciou situações que nunca mais se desgarraram do seu pensamento: o menino de doze anos, condenado pelos crimes políticos cometidos pelos pais; os sulcos e as chagas nos corpos dos presos, decorrentes dos banhos de caieiras; a cólera e os suicídios...
O diretor do presídio se apiedou do rapaz e, depois de algumas transferências por outros departamentos penitenciários, Martí foi deportado para Espanha. Tinha apenas dezessete anos e já estava irreversivelmente debilitado: semicego pelo pó da cal e com uma lesão inguinal produzida por um golpe da corrente de ferro que era obrigado a conduzir.
Na Espanha, estudou direito e se manteve atento aos movimentos de Cuba. Apesar do seu sofrimento, conservou aceso o ideal e a força para o combate. A juventude de sua luta conseguiu se libertar dos grilhões do imperialismo.
“Sólo es grande el hombre que nunca pierde su corazón de niño”
A capacidade de renovação, suas idas e vindas de Cuba, seu engajamento político e a nobreza de seus versos costuram a poesia e a política no corpo do revolucionário. Seus textos são retratos de suas ações:
“No es posible vivir em la tragedia perpetua, ni sin ella.”
Sua preocupação com a educação está presente em todos os seus escritos. O valor dos conhecimentos salva um povo da escravidão, um homem de uma vida sem sentido... Martí conhecia a força de um pensamento: “Trincheras de ideas valen más que trincheras de piedra”, mas não subestimava o poder da ignorância: “No hay nada más terrible que los apetitos y las cóleras de los ignorantes.”
Em 1895, José Martí e o General Máximo Gómez chegam na sonhada Cuba, internam-se nos matos e se juntam aos soldados revolucionários. Martí é aclamado Delegado do Partido Revolucionário na guerra e maior General do Exército Libertador.
Os primeiros combates são vencidos. Martí atravessa as noites socorrendo os feridos e se ressente de não estar combatendo na linha de frente. Em 5 de maio, às portas de Santiago de Cuba, Martí é nomeado Chefe Supremo da Revolução.
Em 19 de maio, diante da aproximação de um contingente inimigo, o General Máximo Gómez organiza a tropa para o combate e ordena a Martí que permaneça na retaguarda. Contudo, Martí, desesperado, pega um revólver e entra em meio da fumaça provocada pelos disparos contínuos e é abatido por uma descarga cerrada.
O precursor da Independência de Cuba é morto num arrebatamento épico, num ato inexperiente. Infelizmente, o conhecimento de guerra não era aprofundado para alicerçar sua segura permanência na retaguarda. Morreu por seu ideal com a arma em punho. Morreu como um herói. Morreu como um poeta romântico...
Seu corpo é capturado pelas tropas inimigas e sepultado em Santiago de Cuba. Durante a cerimônia fúnebre, o coronel Ximenez de Sandoval fez uso da palavra: “Senhores: quando lutam homens de fidalga condição, como nós outros, desaparecem ódios e rancores. Ninguém que se sinta inspirado de nobres sentimentos deve ver nestes despojos um inimigo... Os militares espanhóis lutam até morrer, porém têm consideração para o vencido e honras para os mortos.”
Edgar Morin discorre sobre a morte de um herói pelos ideais cívicos no capítulo “O civismo e a morte”, do livro “O homem e a morte”, e ressalta a imortalidade pretendida:
“Mais vale arriscar a própria vida que viver mal. Eis por que a verdadeira vida, perigosa, tem que ser preferida à vida medíocre, e, por isso mesmo, a morte gloriosa, à medíocre.”
“O ‘mérito’ tende a se transfigurar magicamente em imortalidade cívica no seio do grande ser coletivo. O herói tende a crer que “viverá” nas gerações futuras, que será um “vivo combatente ao lado delas.”
José Martí é o mais celebrado herói de Cuba. Seu engajamento na política, seus incontáveis escritos e versos compõem o rico patrimônio do povo cubano.
 Seus pensamentos políticos influenciaram de forma cabal a Revolução Cubana (1953-1959) e a decorrente queda da ditadura de Fulgêncio Batista em janeiro de 1959, depois de uma bem-sucedida greve geral. Suas concepções sobre pátria, liberdade, indivíduo, ética, democracia e honra fundamentavam os ideais dos guerrilheiros refugiados em Sierra Maestra.
Contudo, as reformas realizadas, entre elas, a reforma urbana, com o rebaixamento no valor dos aluguéis da cidade, e a ampla reforma agrária, sem precedentes na América Latina; o fuzilamento dos inimigos da revolução no famoso paredón, e outras mudanças consideradas radicais incomodaram os mais moderados e, no plano externo, os Estados Unidos. A maioria dos proprietários de terras era constituída de norte-americanos.
A revolução cubana tornou-se socialista no processo. Fidel Castro apenas declarou a natureza socialista da revolução, após a completa ruptura com os Estados Unidos em abril de 1961.
O precursor da Independência de Cuba deixou sua biografia como alicerce da história de seu país. A luta pela dignidade do homem e pela liberdade da pátria marcou sua vida e encorajou outras gerações a lutarem por seus ideais. O resgate da vida de José Martí ilumina os caminhos contemporâneos para as realizações fundamentais da humanidade. Seu pensamento está consagrado na constituição Federal de Cuba: “Eu quero que a lei primeira de nossa República seja o culto dos cubanos à dignidade plena do homem.”
José Martí é o autor dos “Versos Sencillos”, transcritos na música folclórica “Guantanamera”, que significa mulher de Guantámano.
“Yo soy un hombre sincero
De onde crece la palma
Y antes de morir quiero
Dejar mis versos del alma."
Helena Sut
Enviado por Helena Sut em 01/06/2005
Código do texto: T21310
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Sobre a autora
Helena Sut
Curitiba - Paraná - Brasil, 47 anos
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Helena Sut

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