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Formação e prática docente: aspectos relacionados às políticas educacionais para a educação básica

Com a democratização do ensino, na década de 1970, houve uma grande demanda de professores para suprir a nova realidade educacional brasileira. O ensino que era voltado para a elite, agora abria as portas para toda a massa operária e, em alguns casos, desfavorecida. O ambiente escolar tornava-se, portanto, um ambiente multicultural e multissocial. Retomando a questão apresentada anteriormente, com a democratização das escolas, muitas questões passaram a ser feitas sobre a formação e a prática docente, que tipos de profissionais os cursos de licenciatura estavam formando? Vale lembrar que, nesse período, já existiam os cursos normalistas.
A desvalorização do professor é algo que veio (e vem) se disseminando e se enraizando nos discursos das pessoas há um bom tempo, citando um exemplo, o comentário infeliz feito pelo governador Cid Gomes, de que se o professor quisesse ganhar mais que mudasse de emprego. Ou seja, a desvalorização não é só salarial, é social.
Soma-se a essa desvalorização e inferiorização do docente, o problema dos cursos de licenciatura. De que forma ou formas a licenciatura está formando esse profissional? Ou de que maneira ou maneiras esses cursos estão sendo ofertados? A Lei de Diretrizes Nacionais para a Educação Básica (a LDB - Lei 9.394/96), contribui de certa forma para que esse tipo de questionamento continue sendo feito, já que ela considera os cursos de licenciatura à distância na formação inicial equivalentes aos cursos de licenciatura presenciais.
O ensino à distância apresenta uma proposta aparentemente inovadora e sem fronteiras, promovendo a ingressão no curso superior de pessoas, ditas "desfavorecidas" por não terem universidades próximas a sua cidade. Entretanto, por que apenas a licenciatura é oferecida à distância sem maiores reflexões sobre isso? Por que os demais cursos não são oferecidos à distância? Você confiaria num médico que se formou à distância? Certamente que não, então imaginem uma formação profissional à distância de profissionais que trabalharão com pessoas e moldarão seu caráter. Segue o mesmo princípio, não?
O tempo relativamente encurtado e a ausência, muitas vezes, de um referencial teórico sólido contribuem para a superficialidade desse tipo de formação. E contribuem ainda mais para a desvalorização dos cursos de licenciatura.
O professor é, portanto, desvalorizado desde a sua formação. Não é apenas o ensino à distância que obriga o aluno a ser responsável pela sua própria formação, a licenciatura presencial também o obriga a isso, já que as condições que são oferecidas a ele "facilitam" mais a sua evasão do que a sua permanência no curso.
Além disso, as más interpretações da pedagogia freiriana mudaram drasticamente as relações professor-aluno; quebrando, ou aliás, desconstruindo a noção de hierarquia que Freire nunca desconsiderou, ou seja, Paulo Freire considerava que "Todo educador é um educando e todo educando é um educador" no sentindo de dizer que no processo de aprendizagem há uma troca na qual há o educador que ensina, mas que também aprende e há o educando que aprende, mas que também ensina. E não que educador e educando são a mesma coisa.
Entretanto, a abrangência de significados do termo educador "anula" o significado atribuído ao termo professor, já que ambos, embora muitas pessoas achem isso, não são termos iguais e nem semelhantes.
Não é apenas a desvalorização desse profissional que é seu maior desafio, mas os percalços e as construções sociais pelas quais ele passa antes, durante e depois que se torna professor.
O que irá mudar em relação a isso dependerá muito da desconstrução do paradigma de que o professor ensina por amor e por vocação, salientado que essa construção mais dogmática do que paradigmática ajuda a manter o ensino sob as rédeas das políticas neoliberais adotadas pelo país.


Júlia Kauana Arcanjo da Costa
24/11/2011
Kauana Costa
Enviado por Kauana Costa em 13/02/2012
Reeditado em 09/11/2012
Código do texto: T3496855
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Kauana Costa
Santa Rita - Paraíba - Brasil, 23 anos
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