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Parece uma Amazônia (Hemeroteca)

     Mais uma vez o avanço tecnológico e estudo sistemático, acarretam mudanças que antes eram inimagináveis.
     Alguns paises do Hemisfério Norte estão produzindo animais silvestres originários de locais como a Amazônia e o Pantanal. Araras, jibóias, pa-pagaios, sagüis, iguanas e periquitos, estão entre os espécimes repro-duzidos em cativeiro.
     Isso somente se tornou possível após anos de estudos sobre como se alimentam, como se reproduzem, quais as temperaturas ideais e tama-nho de viveiros para cada espécie.
     O impressionante é que a reprodução em cativeiro dessas espécies em paises como Inglaterra, Alemanha e Holanda, já são maiores do que no Brasil. Como exemplo é citado a Inglaterra, que com temperatura media de 5ºG nos meses de inverno, produz e exporta legalmente dez vezes mais sagüis do que o Brasil. Já a Holanda se tornou a terra do papagaio, exportando legalmente vinte vezes mais que o Brasil.
     Os cativeiros são gerenciados por computador e contam com equipa-mentos de Raios-X e Ultra-som para acompanhamento da gestação. To-do esse investimento permitiu ganhos de escala que reduziram os pre-ços desses animais. Os preços se tornaram competitivos, com animais mais saudáveis e mais dóceis do que os encontrados na natureza.
     Mesmo tendo criadores profissionais, no Brasil uma jibóia custa 900 reais no mercado legal, enquanto lá fora o mesmo animal é vendido a 60 reais em média. E mesmo assim produtores e a indústria de acessó-rios, ou seja, o mercado mundial de pets movimenta 56 bilhões de dóla-res por ano.
    No caso das aves, existem no mercado, gaiolas climatizadas e uma sé-rie de vitaminas e rações especifica para cada espécie. Para répteis, é possível comprar ambientes artificiais com pedras aquecidas, além de lojas especializadas na venda de camundongos para alimentar cobras.
    Além de produzirem várias espécies de aves, répteis e mamíferos, al-gumas lojas oferecem espécies modificadas geneticamente para sofrer mutações que as tornam mais atraentes, como é o caso do nosso peixe-neon, que é produzido com cores diferentes das encontradas na nature-za ou com nadadeiras maiores.
    Enquanto isso no Brasil falta criadores bem preparados. Estão cadas-trados no IBAMA oitocentos e cinqüenta produtores comerciais, mas muitos usam isso como fachada para comercializar legalmente animais capturados na natureza. Além disso, a produção nacional legalizada não tem logística nem produção em série para abastecer e competir com produtores europeus e americanos. Para isso ocorrer seria necessário importar tecnologia e conhecimento da Europa para produzir espécimes naturais de nosso país.
     Mais uma vez vemos nossos tesouros serem dilapidados por outras nações.
     De quem será a culpa?
Não devemos tirar o mérito dos países do Hemisfério Norte no que diz respeito à pesquisa e produção tecnológica.
    Mas o que será que acontece no Brasil?
Quase não existe estimulo para pesquisadores e investimento do go-verno para isso.
    Qual será a solução?
“Vamos alugar o Brasil e não vamos pagar nada...”

Fonte: Revista Veja- 05/set/2007
Ramaty
Enviado por Ramaty em 29/10/2007
Código do texto: T715173

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Sobre o autor
Ramaty
Campinas - São Paulo - Brasil
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