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O TANGO e o ASSASSINO

O TANGO e o ASSASSINO, de  Francis Ford Copolla e Robert Duvall

Belíssima obra de Robert Duvall, onde se desdobra em diretor e ator principal.
De cara um susto: um avião da VARIG, quase dando a idéia de que os americanos ainda acham que a  nossa capital é Buenos Aires, pois não se dizia qual o país seria o “serviço”.  Mas foi um susto.
Como é praxe nos filmes americanos o cuidado com a caracterização ressaltando os costumes, principalmente e não poderia ser, o culto ao tango em todos os detalhes. E, para não destoar, desta vez não tivemos um tango cantado em inglês, como em Evita, que para mim, foi uma das interpretações mais horríveis que ouvi. As interpretações em castelhano, para melhor dizer, em argentino, foram espetaculares, relembrando uma interpretação de Napoleão por Rod Steiger. Perfeita, mesmo esta tendo sido em inglês referindo-se a um herói francês.
As traduções dos diálogos, a meu ver, deixaram a desejar, com muitas inversões que quase desvirtuaram o que o ator/atriz dizia. Mas isto ainda é um problema nos filmes legendados brasileiros. Sempre dou um jeito de não ver as legendas, mas muitas vezes não dá. Vou me dar mal em Paixão de Cristo, mas quem entende aramaico?
Foi um filme em família e quase para a família. Visto que Robert Duval e Luciana Pedraza nos papéis principais vivem juntos desde 1997.
O tema gira em torno de um assassino profissional( Duvall) nova-iorquino, com ligações com a Máfia, e que recebe uma missão num país latino. O retorno seria próximo do aniversário da enteada que adora, e que sua presença é fundamental, afinal, assassinos profissionais também tem família, ou não?
Imaginei que seria um desenvolvimento de tema semelhante ao de Apocalipse Now, onde o os Green Beret americanos, designados para matar o personagem interpretado por Marlon Brando, acabam sendo convencidos por este e passam a combater juntos. Bom, esperava um tema assim, pois a mídia falava na descoberta do tango pelo protagonista e seu fantástico mundo.
Nada disso aconteceu e o tango serviu para dar uma aura mais romântica ao frio e calculista assassino, que cumpre sua missão sem remorsos de espécie alguma.
Claro que aborda também qual era a missão, a essa altura, e com certeza, misturavam-se desafetos do general no tempo da Guerra suja Argentina com a Máfia e sua ramificações sul-americanas. Essa mistura vai até o comprometimento do Judiciário, claro infiltrado pelos antigos desafetos,  ao ser preso um suspeito. Mostra que o lado criminoso não está só no general.
O Tango. O universo do tango mostrado em detalhes, sem dúvidas, não foi surpresa. Duvall , numa homenagem a sua companheira,  sua cidade  e ao que  melhor representa o povo argentino em termos musicais, uniu Nova Iorque a Buenos Aires magistralmente. Rodado na Argentina e com quase todo set composto por locais, deu uma aura totalmente porteña a produção final. O tango nos evoca a seriedade e dignidade da dança, um convite ao compartilhamento de um bem estar com outra pessoa numa dança sensual com todo o respeito que os dançarinos merecem. Sem ofensas nem baixarias de espécie nenhuma, o tango nos leva a momentos mágicos de antigamente, onde o cavalheirismo era praxe. Hoje, na era do ficar....os encontros são como mascar um chiclete.
O tango, que era pano de fundo para o filme, quase se torna o tema principal.
Mas merecia.

FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 19/01/2006
Código do texto: T101113

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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FLAVIO MPINTO