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Não ria! Que isso é pecado. (Redentor)

Imagine que você é um milionário. De repente lhe vem o Pedro Cardoso, com aquela cara de Augustinho, olha bem nos seus olhos e fala: “olha, presta atenção, é o seguinte: eu vi Deus (!). E Ele quer que você dê toda sua grana aos pobres... (!!!)”. Piada, não é mesmo? Pois acredite quem quiser: isso é um drama. Na verdade, eu o classificaria como um drama um tanto quanto engraçado... Humor-negro diria alguns.

Redentor (Brasil, 2004) – longa de estréia de Cláudio Torres – tem como protagonista Célio (Pedro Cardoso), um jornalista que, após ver o sonho de seu pai de ter uma casa própria ser destruído por um golpe aplicado em centenas de pessoas pela empreiteira responsável pela construção do prédio onde o velho havia comprado um apartamento, aceita ser laranja num esquema de corrupção do filho do dono da dita empreiteira, seu amigo de infância, por 5 milhões de dólares o que, certamente, resolveria todos os seus problemas (e de quem não resolveria?)

Resolveria, não fosse uma súbita loucura que o acomete... O cara vê Deus (!) e este lha dá uma missão... Na verdade, Deus coage o pobre Célio a escrever certo por linhas muito tortas! E diante de um “ou dá ou desce!” do todo poderoso o que fazer? A cara do Pedro Cardoso sendo oprimido por Deus é impagável!

Outra coisa interessante (ainda que não seja tão original assim) é o fato da história, a exemplo do clássico de Machado de Assis, ser contada pelo próprio Célio defunto. Pois é, ele morre... Mas saber disso não estraga o filme não.

A trama não podia ser mais brasileira: as questões levantadas são sempre permeadas por religiosidade esculachada e corrupção... Muita corrupção... E isso dá um quê de atualidade à obra. A falência moral dos personagens é absoluta. É difícil encontrar um que não esteja disposto a fazer qualquer negócio pra se dar bem e não importa se em Brasília ou no Rio de Janeiro: é tudo Brasil, minha gente! Ta lá até “O Guarani”, de Carlos Gomes, na trilha sonora pra atestar... “A voz do Brasil”...

Redentor conta com um elenco de estrelas tupiniquins: além do Pedro Cardoso tem também Fernanda Montenegro, Fernando Torres e Fernanda Torres (não coincidentemente pais e irmã do diretor, Cláudio Torres... É, Pode-se dizer que é uma produção em família...), Stênio Garcia, José Wilker, Domingos de Oliveira, Camila Pitanga, Miguel Falabella e até o nosso Lúcio Mauro (que sem puxar sardinha, teve uma excelente atuação).

Vale prestar atenção nos efeitos especiais. Nada muito espetaculoso, é claro, mas muito bem feitos.

No fim das contas é um filme leve.

Reflexões? Olha... Você pode até parar pra pensar no colapso social que nosso país se encontra e no deserto sem solução diante do qual nos deparamos; no dilema ética X sobrevivência; na função da fé ou da religião no meio disso tudo, na “força da grana que ergue e destrói coisas belas”... Sei lá... Mas não acho que o filme pretenda mudar alguma coisa.

A palavra é: diversão.

(publicado no Portal Cultura de Comunicação - http://www.portalcultura.com.br/clube/cinema/index.php)
Harley Dolzane
Enviado por Harley Dolzane em 06/04/2006
Código do texto: T134863
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Sobre o autor
Harley Dolzane
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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