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Patch Adams - O Amor é Contagioso: Vocação para revolucionar

  Patch Adams – O amor é contagioso; quando este filme foi lançado em 1998, levou muitas pessoas ligadas a área da saúde a refletirem e questionarem sobre como deve ser a relação com o paciente. O filme foi baseado na vida do médico estadunidense Hunter “Patch” Adams (patch em inglês significa esparadrapo, remendo) que elaborou uma interessante teoria que trata o amor não como algo sentimentalmente banal, mas sim como uma força transformadora da realidade que nos cerca. Aplicando esta idéia ao campo da medicina ele provoca uma revolução, pois acaba com a recorrente prática de “coisificar” o paciente, que tratava-o como uma quase personificação da patologia; segundo o pensamento de Patch Adams não se trataria mais “o caso de tumor cerebral do quarto 05” ou “a tuberculose do quarto 16”, mas “O Sr. João do 05” e a “Srª Maria do 16”, ou seja, ele propunha pensar em primeiro lugar nos pacientes e não focar somente na doença, com esta valorização do Eu, a auto-estima dos pacientes se elevava e consequentemente o tratamento fluía de uma melhor forma. Segundo a filosofia de Adams, o objetivo do médico deve ser não de curar, mas sim de cuidar.

  Como é costumeiro em Hollywood, o filme possuí digamos, algumas “licenças poéticas” em relação aos fatos reais, que obviamente são feitas para tornar a obra mais palatável para o público em geral, porém a mais significativa é que na estória real Patch Adams entrou no curso de medicina com dezenove anos, e não com quarenta, como mostrado no filme. Mas para efeito de analise, aqui será usada a cronologia do filme, ou seja, com ele entrando na faculdade aos quarenta.

  Do ponto de vista da Orientação Profissional é interessante não somente analisar o personagem central da trama, mas também fazer uma comparação entre ele e o personagem que era seu colega de quarto Mitch Roman, que possuem personalidades totalmente inversas, mas nutrem, cada um a seu modo um profundo desejo de se tornar médico.

  Primeiro vamos analisar o personagem Mitch Roman. Mitch de personalidade mais introvertida é um estudante exemplar, estudioso e compenetrado na busca pelo conhecimento. Sua ligação com a medicina vem desde a infância, pois ele nasceu em uma tradicional família de médicos, onde a medicina literalmente fluía pelas veias, logo, devido a influência do meio familiar e social a sua escolha por cursar medicina foi algo natural. Mas Mitch teve dificuldades, porque embora tivesse uma enorme capacidade técnica e teórica, encontrava dificuldades em lidar com as pessoas. Então, será que ele não se sairia melhor em uma profissão que não exigisse tanto contato com o público?Se ele tivesse tido uma orientação profissional, a medicina seria a melhor opção para ele?

  Agora falando de Patch Adams. O que o levou a desejar tão ferrenhamente vestir o alvo jaleco de médico? O filme nos mostra que foi devido à experiência que ele teve durante uma internação numa clínica psiquiátrica, em decorrência dele ter tentado auto-extermínio, nesta clínica os pacientes eram tratados com descaso, simplesmente eram medicados, não eram ouvidos. Ele então começa a ouvir os pacientes e a ajudá-los em suas questões, começa a nascer nele uma vontade crescente de ajudar mais pessoas, então ele decide que para isso precisa se formar em medicina. Na escolha dele podemos pontuar uma coisa interessante: se o objetivo dele era o de ajudar pessoas, será que se ele tivesse optado por outro curso que já tem como característica estes aspectos de cuidar, de tratar com afetividade, ou seja, cursos mais pautados numa ideologia social, como psicologia, serviço social entre outros, ele não teria galgado um maior sucesso e despendido menos esforços? Será que na opção pela medicina não pesou o fator do “status” da profissão? São fatores a se analisar.

  Durante o decorrer da película Patch Adams é mostrado como um idealista, muitas vezes irresponsável (ou alguém em sã consciência invadiria um hospital sem permissão a altas horas e de surpresa entraria no quarto de um idoso enfermo... e se ele enfartasse? Na vida real essas coisas acontecem), o nosso personagem principal também possuía uma personalidade extrovertida, ou “excessivamente feliz” como dizia o reitor, ora, mas quando que felicidade é muita? No caso de Patch, ele voltava toda sua energia psíquica para fora, para o exterior, ele precisava e pedia toda a atenção do outro, a tentativa de auto-extermínio foi um claro sinal disso, no entanto ele encontrou no sonho da medicina e nas suas propostas inusitadas de praticar medicina, uma maneira saudável de canalizar toda a sua extroversão, a sua demasiada demanda em obter a atenção do outro. Voltando a relação de Patch com o reitor, pode-se dizer que ela era um verdadeiro clichê nos filmes universitários estadunidenses, uma relação de contestação de poder. O reitor representava tudo o que havia de pompa e solenidade repressiva dentro da medicina, era a verdadeira representação do Superego, punitivo e castrador. Patch Adams representava o papel do aluno cheio de idéias revolucionárias, sem limites, que tudo queria e tudo podia, em total contraponto ao reitor, Patch era a representação mais pura do ID, nunca perdendo a oportunidade de criticar o antigo sistema de metodologia da medicina.
 
  No entanto Patch Adams possuía qualidades que em muito suplantavam os revezes que a rebeldia lhe impunha, ele possuía perseverança para buscar os objetivos e principalmente, ele nutria uma enorme paixão pela medicina, e perseverança e paixão são fatores cruciais para se obter sucesso em qualquer profissão.

 
Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patch_Adams
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patch_Adams_(filme)
Patch Adams – O amor é contagioso. Direção: Tom Shadyac. DVD. 115 min. Áudio Inglês.  Leg. Português. EUA, 1998.
Washington M Costa
Enviado por Washington M Costa em 23/09/2009
Código do texto: T1826819

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Sobre o autor
Washington M Costa
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
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