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                                    BERLIM, 1945
          ESTUPRO EM MASSA DE MULHERES ALEMÃS

                                                    da série
                                Segunda Grande Guerra Mundial



       Em 23 de Outubro de 2008 foi lançado na Alemanha o filme "Anonyma - eine Frau in Berlim" (ou "Uma Mulher em Berlim"), baseado no livro de mesmo nome, escrito por Marta Hiller, alemã que sofreu entre 20/04/45 a 22/06/45, aos 31 anos, os horrores da segunda grande guerra mundial quando vivia em Berlim, capital da Alemanha. Marta foi uma das centenas de milhares de mulheres berlinenses, entre adolescentes, adultas e idosas, que sofreram estupros em série quando os soldados soviéticos invadiram Berlim, a capital do III Reich.  Seus relatos são corroborados pelos da jornalista russa Natalya Gesse, então correspondente de guerra em Berlim; hoje aposentada.


                                        Cena do filme alemão  "Anonyma"
                                       



      O estupro em massa das mulheres em Berlim foi negado pelos países aliados (EUA, Inglaterra, França, União Soviética etc), pois conflitavam com a imagem de "vitoriosos civilizados" que queriam passar para a opinião pública mundial.  Porém esse tabu  foi quebrado quando Austin J. App, professor de língua inglesa na Catholic University, abordou esse tema embaraçoso (para os Aliados vitoriosos, é claro!) em seu livro "Ravishing the Women of Conquered Europe", publicado em Abril de 1946.  Na sequência, Antony Beevor também publicou o livro "Berlim: The Downfall, 1945"  (ou "Berlim: A queda, 1945"), abordando o mesmo tema. Alguns relatos eram tão aterradores que o autor, prudentemente, publicou apenas em seu site www.antonybeevor.com.  Ingrid A. Rimland também ecoou os gritos das alemãs estupradas nesse fatídico e vergonhoso episódio da guerra, chamando o governo dos EUA à responsabilidade pois muitos desses estupros foram cometidos por soldados norte-americanos. 
   
      
    
Muitos historiadores creditam essa postura animalesca dos soldados aliados (notadamente dos soviéticos) aos horrores que os soldados nazistas causaram nos países que invadiram e ocuparam.  Só na União Soviética foram mais de 20 milhões de civis mortos; a maioria com requinte de crueldade. Há registros de que os soldados nazistas não forneciam alimentos aos prisioneiros soviéticos, forçando-os a prática do canibalismo.  Porém, nesse panorama tenebroso e vergonhoso, nem tudo foi imoral...  Alguns testemunhos de sobreviventes enaltecem os poucos oficiais aliados que tentaram controlar as ordas de estupradores, formadas por seus próprios comandados. Elogiável foi o general soviético que matou um tenente, seu comandado, ao flagrá-lo organizando uma fila de mais de 10 soldados para estuprar uma mulher alemã, já deitada no chão.  Nesse universo de atitudes éticas, vale ressaltar também a figura de Schindler, um empresário alemão, que movido pela compaixão ao próximo, salvou milhares de judeus anônimos que, pela política do III Reich, "deveriam ser seus inimigos"...
    
     Registros da Igreja Católica relatam que num convento da cidade de Neisse, na Silésia, 182 freiras foram estupradas, seguidas vezes, pelos soldados aliados.  Numa outra cidade alemã, 66 freiras engravidaram após seguidos estupros por parte dos invasores. Até mulheres russas que estavam prisioneiras, juntas com ciganas e judias, em alguns campos de trabalho forçado foram vítimas dessa selvageria. Elas, que ansiavam ver seus "camaradas soviéticos" chegando para libertá-las do jugo alemão, de repente caíram num turbilhão incompreensível e devastador para as suas mentes já tão sofridas.  Seus sonhos se tornaram pesadelo ao serem estupradas impiedosamente pelos seus próprios libertadores!
     
     Em Berlim, desesperadas por uma situação que não parecia ter fim,  muitas mulheres alemãs se jogaram dos prédios em ruínas, preferindo a morte.  Outras, com filhos para criar, preferiram "contar com a proteção" de algum oficial aliado de alta patente, para acabarem com o ciclo de estupro em série a que eram submetidas diariamente pelos soldados. A síndrome de Estocolmo (ainda não identificada na época) justifique, talvez, essa opção desesperada...   Aquelas que engravidaram e tiveram filhos, frutos dos estupros em série a que foram submetidas (pai desconhecido, portanto...), ainda tiveram que suportar o repúdio dos próprios homens alemães, que não toleravam ver uma alemã com um filho bastardo de um inimigo desconhecido. 


                                   Mulheres alemãs limpando escombros em Berlim, 
                                    já ocupada pelos soldados soviéticos

                                 





Por que, afinal, os soldados agem assim, tão selvagemente, mesmo quando vitoriosos?


     Alguns pesquisadores conceituados teorizam que esse comportamento deve-se a  situações de extremo estresse a que os soldados são submetidos durante o período de guerra. Eles são submetidos a um longo período de abstinência sexual, agravada por uma pressão psicológica constante diante dos perigos que a guerra oferece.  Quando tomam conhecimento de brutalidades que o inimigo causou aos seus entes queridos (mães, filhas, irmãs etc), essa situação se agrava ainda mais.  Ao ódio natural do inimigo junta-se o imprevisível desejo de vingança...  E quando teem a sorte de sobreviver e de vivenciar uma vitória definitiva sobre o inimigo, vendo-o ajoelhado e vulnerável diante de si,  todo esse turbilhão de sentimentos aflora, gerando um comportamento incontrolável. É claro que o "consciente" tenta, de alguma forma, controlar esses impulsos. A religiosidade, os valores familiares e a fraternidade normalmente freariam (ou atenuariam) tal disfunção comportamental.  Mas, no caso dos soldados soviéticos em 1945, eles se embebedavam antes das sessões de estupro coletivo para, assim, apagar em suas mentes qualquer sentimento de compaixão que os pudessem limitar. Tornavam-se, portanto, somente vingativos machos vitoriosos diante de seu butim de guerra:  as mulheres alemãs... 




                                                   ......o0o......







                                                                Notas do Autor:


1.  Os soldados japoneses também se comportaram assim quando invadiram a China em 1937, antes da eclosão da Segunda Grande Guerra Mundial.  O General Douglas MacArthur impediu que esse comportamento se repetisse quando os soldados norte-americanos ocuparam o Japão, após a rendição.

2.  As regras pactuadas na Convenção de Genebra veem o estupro e a opressão de civis como crimes de guerra, passíveis de pena de prisão perpétua aos julgados culpados.

3.  Há pouco mais de 10 anos vimos na região da antiga Iugoslávia um comportamento similar ao relatado. O dirigente sérvio que tolerou os estupros em massa e a limpeza étnica, amplamente relatada e documentada, está sendo julgado pela Corte Internacional de Haia.











Nils Zen
Enviado por Nils Zen em 02/10/2009
Reeditado em 05/01/2011
Código do texto: T1843992

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Sobre o autor
Nils Zen
São Paulo - São Paulo - Brasil
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