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Ilha das Flores – de Furtado, Jorge.

Ilha das Flores – Documentário em curta-metragem dirigido por Jorge Furtado.


                                       Introdução

Franca e particularmente, não gosto de assistir a filmes – tanto que em todas as minhas AACCs, este foi o segundo filme ao qual assisti (O primeiro foi: “Óleo de Lorenzo”) –, não obstante, em ambos os filmes, o que chamou-me à atenção foi: o fato de eu tê-los visto em meados da época em que eu estudei no 2º grau; e, principalmente, por que o impacto do conteúdo deles casou-me um choque em minha adolescência. E eu, estudando já numa faculdade, quando vi o nome desses filmes na lista específica de filmes das AACC, lembrei-me de que eu planejava revê-los e conseguir constatar a essência crítica de ambos, então, por isso o meu peculiar interesse em analisá-los.

Para assistir ao “Óleo de Lorenzo”, aluguei-o e pus-me a vê-lo, revê-lo e resenhá-lo. E, neste caso, para assistir à “Ilha das Flores”, foi através do site sugerido para as atividades complementares: “http:\\www.portacurtas.com.br”. E por se tratar de sites com comentários, admito que por intermédio de minha curiosidade, pus-me a lê-los; sim, li-os a fim de satisfazer-me a curiosidade como também para manter mais firmemente no contexto, e entretanto isso não diminuiu a avidez de meu espírito descritivo, crítico e analítico.

Deveras, espero que esta resenha designe o triunfo de meu interesse em analisar este material. E a todos que, por acaso, lerem isto: boa leitura!



      Desenvolvimento – Parte descritiva e crítica em concomitância

Mal começa o filme e o efeito interessante destas três frases chamam-me à atenção: “Este filme não é um filme de ficção”; “Existe um lugar chamado Ilha das Flores”; “Deus não existe”. A meu ver, elas têm um efeito semelhante àquele desta famosa tríade de premissas (estas, logicamente, dispostas em silogismo): “O homem é mortal / Sócrates é homem / Logo, Sócrates é mortal”.

Contudo, apesar desses dois pares de três premissas apresentarem certas semelhanças de estrutura – pelo fato de estarem em três premissas –, pode parecer meio forçado para alguns a aceitar a última premissa das três as quais estão um pouco antes deste documentário, já que não todos que não dispostos a afirmar que: “Deus não existe”. Particularmente, eu não sei se essas premissas deste filme fazem um silogismo (como fazem as premissas a que se referem a Sócrates), entretanto é evidente a lógica que provém das premissas. A seguir:

Premissa 1 – “Este filme não é um filme de ficção”: pressupõe-se que este filme é um filme de “verdade”, isto é, um filme baseados em fatos reais, verídicos e empíricos – já que não há nem ficção (nem “mentira”). Premissa 2 – “Existe um lugar chamado Ilha das Flores”: se há um lugar chamado “Ilha das Flores” o qual realmente existe, então, um filme, em que se baseia em um lugar que deveras existe, não deve ser tido como um filme de ficção. Premissa 3 – “Deus não existe”: “Deus” é fictício, então, um filme que se propõe, pois, a não ser fictício não pode tratar de nada que não exista no mundo real – e, de fato, este documentário não trata de Deus (embora, haja um interessante trocadilho de Cristo com os judeus – que possuem o tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor – ao longo do filme).

Provavelmente, deve ser este o efeito dessas três premissas (estas provavelmente um silogismo também, embora, a principio, não me pareceu, apesar da lógica entre elas), devido ao certo caráter científico, filosófico, sociológico, antropológico e até mesmo econômico que há neste curta. Outrossim, provavelmente, é-me óbvio que muitos irão descordar dessa análise anterior, entretanto devo ressaltar que a intenção desta resenha não é dar mais profundidade às tais premissas; se o fiz, foi para ser visto como uma curiosidade. E visto que acabou este “extra-comentário”, então, acabarão também – a partir dos próximos parágrafos – os parágrafos em 1ª pessoa: estes, portanto, serão em 3ª pessoa tais como os “parágrafos” na locução do filme.

Na narração deste curta-metragem, há a informação e afirmação de que os seres humanos são mamíferos assim como a baleia como também a galinha, que é um bípede, e o que distinguem os seres humanos dos demais mamíferos e de quaisquer animais são estas duas características: o tele-encéfalo altamente desenvolvido; e o polegar opositor. O tele-encéfalo altamente desenvolvido, conforme dito pelo narrador do filme: “permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las”. E, por sua vez, o polegar opositor, conforme dito pelo mesmo narrador: “permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos, o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão”.

Depois de se ter definido o que é tele-encéfalo e polegar opositor; entra em cena o japonês Suzuki, que é um ser humano (se bem que o próprio filme faz questão de pôr o barulho de uma moto, quando aparece o nome “Suzuki” bem grande na tela; apesar desse trocadilho, sabe-se que o nome “Suzuki” refere-se ao japonês em questão, que é, lembrando, um ser humano), tem uma plantação de tomates – que são vegetais (e ainda assim o narrador faz questão de ressaltar que vegetais não são animais, lembrando ainda que galinhas, baleias e japoneses não são vegetais) – e esses tomates são cultivados para serem comidos (ou, como se disse no filme: “para virar molho”), no entanto o Sr. Suzuki não planta tomates com a finalidade de comê-los, e sim os planta para trocar a maioria deles por dinheiro – ficou evidente esse motivo capitalista no filme.

O dinheiro, conforme o locutor informa no documentário, foi inventado, provavelmente na Ásia Menor, com o objetivo de facilitar a troca de quaisquer produtos, mercadorias e coisas que puderem ser trocadas por dinheiro; e ainda o locutor ressalta que antigamente a dificuldade de se avaliar uma troca justa e equilibrada por dois itens diferentes é notável, por exemplo: a troca de uma galinha por tomates; uma troca de galinhas por uma baleia (neste exemplo, é notável outro “trocadilho” maroto cheio de sarcasmo. Essa índole divertida, sem dúvidas, deixou este filme marcante; embora bem saibamos que a isto se chama: humor negro).

A dona Nete, que é um ser humano “bípede católico-apostólico-romano” (esses adjetivos fizeram um outro efeito divertido no filme...), foi a um supermercado – que é um lugar criado pelos humanos para trocar mercadorias por dinheiro – a trocar seu dinheiro por tomates. E de onde dona Nete obteve esse dinheiro para a compra dos tomates? Ora, ela adquiriu vendendo perfumes para seus clientes... Mas não é ela quem faz os perfumes, então para consegui-los, foi através da troca de perfumes por dinheiro, numa fábrica de perfumes... Vale ainda lembrar que: são outras pessoas que fazem o perfume; o perfume são líquidos, normalmente extraído das flores – com a finalidade de os humanos terem um cheiro mais agradável que o normal (é-me incrível como este curta-metragem é cheio de “sacadas”, muitas delas ácidas e ásperas – “um cheiro mais agradável que o normal”, pressupõe-se então que o cheiro natural dos humanos não é lá muito agradável. Oh! Isso é de um humor indelicado e intrigante... Ah! Há quem não goste...); e o lucro da fábrica, certamente, é maior que o da dona Nete.

Lucro?... Sim, lucro!... Dona Nete troca o dinheiro dela por perfumes, na fábrica de perfumes; sendo assim, então, Dona Nete sai e vai de casa em casa trocar os perfumes dela por dinheiro... Mas é preciso se atentar a um detalhe: Dona Nete vendeu os perfumes dela um pouco mais caro do que ela os comprou na fábrica. A isso se chama: Lucro. Lucro – Hum! Palavrinha poderosa em um mundo de efeitos capitalistas (P.S.: Não se mencionou isso no filme, mas foi irresistível. Eu não resisti... Mas esse curta-metragem escancara os males do capitalismo – então, por isso o fiz sem resistências).

Enfim, depois desse complexo ato de comprar tomates, dona Nete os usa para fazer molho para acompanhar o prato do dia: um porco. Ainda sim, ela julgou que um dos tomates não estava adequado para o molho, sendo assim, ela pegou esse tomate e o jogou no lixo... Lixo é tudo aquilo que os seres humanos jogam fora devido à inutilidade... E ainda como o lixo, em geral, possui um aspecto e odor desagradáveis, por isso esse lixo é levado para lugares bens longes onde possa literalmente sujar, sujar mal e atrair doenças... O lugar em questão, neste caso, chama-se: “Ilha das Flores”. Não há muitas flores na Ilha das Flores – adoro paradoxos, mas este é um triste e desprezível deles –, no entanto há muito lixo e muitos porcos na ilha.



                                       Conclusão

A conclusão deste curta impressiona e choca, visto que os seres humanos da ilha – que o narrador inesgotavelmente menciona o fato de terem o tele-encéfalo e o polegar opositor e de serem, em escala de superioridade, acima dos animais – que deveriam estar acima dos porcos, estão, na verdade, depois deles, porque estes ainda possuem um dono, que é um humano com tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor e dinheiro – interessante só agora isso ser mencionado no curta-metragem – que dá propositalmente exaustivamente ênfases em outros aspectos (evidentemente, deve ser porque a diferença dos humanos socialmente esteja tão obvia que nem precisaria ressaltá-la; já que esta tão escancarada, embora tenham ocultá-la – todavia, nunca é demais mostrar a verdade).

Há um certo efeito divertido quando há certas combinações das imagens com as filmagens e dos sons e com a voz do narrador, por isso a preocupação de manter alguns aspectos  redundantes nesta resenha, já que isso é uma das riquezas do filme, embora, claramente, não poderia ser postos todos esses efeitos de filme, os efeitos mais interessantes foram adaptados ao contexto da resenha e redigidos. O modo como o narrador descreve e explica as coisas deixa um ar meio científico e há certas descrições que deixam um clima meio jocoso o que dá um contraste divertido, embora não haja graça nisso, e sim é uma forma de crítica a qual está claramente impregnada de humor negro – como eu já mencionei em toda a resenha tal qual quanto no curta-metragem.



                                                           (Bruno Fagundes Valine)
Poeta Lendário
Enviado por Poeta Lendário em 30/08/2011
Código do texto: T3190099
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