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Será que a gente conhece para amar ou ama para conhecer?
Não sei.
Você sabe?

Mas o que sei - é que no “meu caso” com Freud e Jung fico com a segunda hipótese. Meu amor por Freud e por Jung- penso que já existia, mesmo antes de conhecê-los.
 
Amar é uma escolha e eu aprendi (errando muito) - a amar um ser humano e não um deus. Quando um ser humano é visto e amado como é - na sua condição humana -ele não se torna demônio.E nem anjo.Sabe como se faz isso?A gente ama com o que temos de mais profano: nossa luta diária entre equilíbrio e o caos; nossa racionalidade e nossos desejos; nossa poesia ou o pragmatismo.Amamos com  nossas contradições e  nossas tensões.
A gente aprende a amar humanamente e sem expectativas.
Tenho percebido que desta forma fico mais feliz com o amor.

 
Tudo o que pontuei acima é para registrar que na minha resenha sobre o filme- Um método Perigoso não vou apontar meu dedo em riste e fazer juízo de valor- nem de Freud, tampouco de Jung, e também você não vai ler sobre divergências entre a Psicanálise e a Psicologia Analítica Junguiana- isso muitas outras análises desse filme já fizeram.
 
Meu texto vai se limitar a refletir no que ambos convergem:


O inconsciente. 

Se você me permitir - vou refletir com você as confluências das duas abordagens.
Ambas têm como constructo epistemológico que somos muito mais do que somos ou estamos - e que não estamos apenas emoldurados pelo que não sabemos de nós, estamos penetrados e a mercê do que ignoramos a nosso respeito.
 
Na cena em que Jung ( 
(Michael Fassbender) e Freud (Viggo Mortensen) estavam de frente para a Estátua da liberdade, já no porto de Nova York- Freud falou para Jung:
- “Eles (Os americanos) não sabem que viemos trazer a peste”.
Sabe por que o termo “Peste”?
Porque a Psicanálise começou seu trabalho sobre o que é mais estranho ao Ego- que é o sintoma. Peste porque numa época (era século XIX) em que o positivismo tinha como ponto de partida a lógica humana e o ser humano como senhor da razão, surge Freud dizendo justamente o contrário, que somos dominados pelas nossas paixões, e que:
-“Não somos donos de nossa própria casa", porque segundo Freud é o nosso inconsciente que é o nosso dono. É no nosso inconsciente que “moram” as pulsões, os nossos desejos que ardem como um caldeirão fervente e soltam as lavas incandescentes das nossas insanidades. Com isso Freud queria dizer que o sujeito que fala, não é senhor do que diz. Há um “Outro”- que fala em nós.
 
Por isto Freud escandalizou, porque a psicanálise busca as razões do nosso sofrimento não em causas externas (como é mais cômodo), mas sim dentro de nós.
Ninguém quer se saber culpado e pagar o preço pelas escolhas. Por isto choca. 
Freud chocou, porque naquela época, o papel do investigador cientista era de apenas exprimir a realidade. Freud foi diferente - já clinicava querendo a cura, não a adaptação do homem a sociedade. Freud foi um cientista determinado - já a partir de então queria dissecar a alma humana. Freud queria que as pessoas entendessem seus sintomas – e não os reprimissem- e a partir de então ressignificassem suas histórias, transformando suas vidas.
Não foi- e é o que a psicologia analítica de Carl Gustav Jung também objetiva?
Quando um paciente procura um analista, um psicanalista não é a cura que ele quer?
 
 Agora vamos contextualizar o sentido- o significado da palavra cura. 
Se eu perguntar para você o que pode ser curado, o que você me responderia?
Sugiro que pare de ler e pense um pouquinho.
...
Pensou? 
Pois bem, penso que as respostas mais comuns seriam: doenças e ferimentos, certo?
Agora perceba:
Quando curamos o queijo, o que fazemos?
E quando curamos o couro?
Em ambos, a cura é um processo de amadurecimento, deixamos – tanto o queijo como o couro, repousarem para que possam- com o tempo necessário- amadurecer.
 
Percebe então que "curar" é sinônimo de "cuidar", até mesmo com o queijo, porque se não cuidamos desse processo de amadurecimento, dessa "cura", ele estraga?
 
Concluímos então que tanto para a psicanálise como a psicologia Junguiana, o que se chama de cura é o processo no qual o analista é o curador (cuidador) – não no sentido doentio, mas um mediador que vai permitindo que a pessoa seja (se descubra)o que ela já é- com todas as suas implicações e conseqüências, aprendendo a gostar de si como é de verdade, com o que tem de mais assombroso e assustador.( e convenhamos- esse processo é muito doloroso)
Nossa história é nossa música.
Não dá para trocar.
 
A psicanálise possibilita que – junto com o analista possamos enfrentar os nossos abismos - aqueles mais escuros e mais medonhos.
Com a Psicanálise descobrimos onde mora o nosso desejo, e
compreendemos que teremos que pagar o preço das nossas escolhas. Esse entendimento do que se passa “dentro” de nós é fundamental.E gostar da gente, apesar do negrume, apesar das nossas  cisternas úmidas e sujas é um dos objetivos da análise.
 
Por isto Freud diz: “A Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”.
 
Vamos entender o que significa esta cura pelo amor?
 
Lembra do primeiro encontro de Sabine 
(Keira Knightley)e Jung?(no filme)
Ela ainda assustada olha para Jung e fala:
-Eu não sou... não sou louca!
Jung diz:- Proponho que nos encontremos aqui
e que conversemos durante algumas horas.
Sabine pergunta: Conversar?
Jung: Apenas conversar.

 
É disto que estamos falando. Da cura pela palavra.
Esse é um filme que fala de cura.
 
Lembra de quando Sabine e Jung testavam a técnica de associação livre de palavras em Emma(Sarah Gadon)-mulher de Jung?


É que na voz da (nossa) palavra fala misteriosamente uma “outra” voz.
-É o significado que a vida – a nossa vida -e de ninguém mais- “colou” nas nossas entranhas.
A palavra mãe, por exemplo, pode “significar” sentimentos e emoções singulares.
Se fomos amados por nossa mãe, quando o dizer desta palavra entrar pelos nossos poros vai nos trazer pensamentos de amor, ternura e carinho.
Se, pelo contrário, nossa experiência materna foi traumática, a fresta por onde vamos respirar quando nossos sentidos escutarem a mesma palavra vai ser de repulsa, tristeza, frustração.
Compreendeu como somos -cada um de nós –únicos no significado de cada palavra?
Nosso mundo cabe inteiro dentro da carne das palavras,-  e é no ruído do seu eco, - quando o paciente deita no divã do analista, seja ele Freudiano ou Junguiano – que o som se amplia como uma caixa acústica da mímese do seu passado, e se descobre por onde e como desliza o (seu) desejo.
A representação das coisas que vivemos, fixa-se na palavra, tornando-se visível e consciente para o sujeito. Palavras-luzes cujas representações acendemos e apagamos.
Sabe o que significam as representações?
Vou explicar:
 
Nossos desejos –nossas pulsões querem a satisfação (processo de descarga) e cada um de nós elege representantes, e como cada pessoa é singular justamente porque escolhe diferentes formas de pensar,viver e fugir da angústia. Assim teremos pessoas que elegem o poder como significação para a própria vida (políticos por exemplo), outros elegem Deus, outros o trabalho, a família, etc. Enfim, não existe um representante único capaz de satisfazer a pulsão. Aí é que mora o problema, embora esse representante não exista, nós elegemos nossos representantes que a todo momento dão notícias do que recalcamos. Pense numa pessoa com compulsão a comida, drogas , a compras, ou a jogos. Essa compulsão nada mais é do que uma repetição, de uma satisfação ou miragem de possível satisfação. Porque miragem? Porque o representante eleito não satisfaz a pulsão. Porque a pessoa insiste (repete)?
Agora sim, ela insiste porque esta gozando.
O que quer dizer gozar?(para a psicanálise),quer dizer que a cadeia significante dessa pessoa parou, ela só consegue desejar aquilo, porque elegeu (escolheu) esse representante como o que mais dá conta de satisfazer sua pulsão. Mas, ai é que esta, o
objeto eleito não satisfaz a pulsão. É só o gozo, não é o prazer.
O gozo vai trazer consigo o sofrimento, o prazer não
.

Sabe o que faz o processo analítico?

Dismistifica o imaginário que nos faz – seres humanos desejantes e tão iguais- a entender- que não vamos encontrar um objeto que nos satisfaça plenamente.
Somos seres “furados”.E como diz Lacan(um psicanalista Francês) falando mais bonito-“Somos sujeitos faltantes.”

Já percebeu como sempre nos falta algo?A casa nova vai ter defeitos, amigos não são perfeitos, a vida não é só colorida, tem dias de cinza e de luto, vamos ter ganhos, mas quem sabe perdas maiores ainda.

Enfim, num processo de análise  vamos nos dando conta do REAL da vida, sem sofrer tanto, e aprendendo a gozar com o que for possível e não com o idealizado.
Pronto. Penso que resumi – com certeza bem simplificado como uma análise bem conduzida pode transformar a vida de uma pessoa.
Gosto de pensar o processo de análise como Manoel Barros pensa a sua escrita:
 
 “O meu processo de escrever é ir desbastando a palavra até os seus murmúrios e ali encaixar o que tenho em mim de desencontros”.
 
Percebe agora qual é o papel do analista?
 
Estar junto com o paciente, cuidar dos cortes, e se doer e sangrar: amparar, pontuar as possibilidades de encontrar o extraviado, o perdido, o esquecido;escutando nas reticências e no não-dito os fios que podem ser costurados e cerzidos no tecido existencial. Ajudar o paciente a enxergar seu avesso e perceber nele a sua sustentação.
A beleza de um bordado só é duradoura quando ele tem um avesso amarrado.
Chamo esse processo de dinâmica e mística dos avessos.
 
Veja neste link uma prosa poética a respeito.  
 
A mística do avesso.
... 

 
Continuemos...
 
Sabe por que adoecemos?
 
Leia se quiser um texto de Freud chamado A Dissecção da Personalidade Psíquica (1976)- eu o tenho digitalizado- se quiser, me peça, (contatos no meu site) eu lhe mando o arquivo por email.
Lá no segundo parágrafo Freud diz: - “As pessoas adoecem porque não conseguem fazer um arranjo entre seus desejos e a resistência (do superego) que ao mesmo tempo se levanta –perversa e tirânica - encurralando as pulsões que cavalgam em nós como cavalos indomados.”
Decifrando para ficar mais simples: Nossa vida é comandada pelos embaixadores das representações psíquicas que falam do nosso corpo, dos nossos desejos- (do que nos causa tesão, do que nos faz querer gozar- ter prazer) aqueles mais escondidos de nós, que ficam latejando nas profundezas do nosso ser, nos dizendo a todo momento que o mais importante é o gozo, não seguindo nenhuma lógica e nenhuma razão- esse é nosso ID-puro desejo- puro tesão!
(Os representantes da pulsão lembra?)
 
Nunca sentiu vontade de jogar tudo para o alto e se atirar no fogo de uma paixão proibida?
O que nos segura o tempo inteiro?
Nosso superego. Ele é nosso senhor, que fica nos apontando as regras, as cláusulas dos nossos acordos pessoais, a nossa ética, as normas, os nossos valores e a religião.
O EGO, coitadinho, fica no meio do ID que só quer gozar e do superego que é a moralidade, todo certinho.
Já pensou a luta que se trava dentro de nós?
Se seguimos as pulsões do ID, temos que pagar o preço de viver o que nos ferve por dentro, correndo o risco de ficar em carne viva do quanto às lavas do vulcão incandescente vai nos queimar.
Se seguimos nosso superego viramos escravos de regras e normas.
 
Como estancar os desejos que queimam dentro de nós sem ferir quem está por perto- e até a nós mesmos?
Ficamos angustiados diante das nossas contradições e surgem as tensões.
 
O sintoma (a doença) emerge quando ficamos em cima do “muro”, vivendo com um pé no céu e o outro no inferno.
 
De conflito em conflito acumulamos as nossas neuroses. Acabamos criando soluções-imaginárias- de compromisso entre o desejo e as defesas e continuamos a viver no semblante do nosso corpo-adorno. (fazendo de conta)
Tenho um amigo poeta muito querido que diz assim num verso:
-“A jornada da vida
Terá a sua medida
O seu peso
E a sua fatura.

 
Quando a fatura começa a inflacionar com os juros do tempo e a correção monetária dos sonhos perdidos, o sujeito pode - junto com o analista, aprender a manejar o seu desejo, aprende a falar do que quer e do que não quer, aprende a se implicar no que diz (e faz). E aprende a reconhecer sua forma de gozar. E começa a conhecer um caminho diferente, nem recalcar e sofrer, nem gozar e sofrer.
É o caminho da sublimação.

Sabe o que significa a sublimação dos nossos desejos?
A sublimação é uma das saídas possíveis que o sujeito encontra para lidar com a sua pulsão. Dá um destino aos desejos.Inclusive aos mais assombrosos.
Extrai o prazer socialmente e o mais importante- sem recalcar.
Por exemplo: Uma pessoa agressiva goza usando do seu poder para bater e humilhar os outros.
Na análise ela se conta dessa sua verdade.
Ela não pode negar o que é.
Mas se concretizar o que deseja vai ter conseqüências.
Pagamos o preço pelas nossas escolhas.
A sublimação seria... – “Vou ser um lutador.Poderei bater, ser campeão e gozar a vontade.E vou ser socialmente aceito.”
(Com isto, por favor não estou generalizando que todos os lutadores estão sublimando desejos)

Entendeu?
 

Um adendo: nem tudo é tão simples, é um processo doloroso, pois numa análise, diferentes processos precisam ser feitos, diferentes coisas precisam ser vistas, remexidas, purificadas, soltas, desamarradas, revistas, transformadas, reconstruídas, sublimadas, liquefeitas, choradas, emocionadas, solidificadas, materializadas e revividas para que o paciente se desfaça dos “nós” que o prendem aos seus sintomas e aos seus traumas.
 
Há um longo e tortuoso caminho até chegar ao seu desejo –vencer as resistências- que são as nossas defesas - muitas feridas são abertas e muito pus e sangue se derrama no nosso divã- entrar num processo de análise é querer fazer uma cirurgia sem anestesia.
Lembra do rosto de Sabina - como se contorcia de dor quando ela conversava com Jung na clínica?
Lembra dos movimentos, dos espasmos, da boca que mais parecia um sepulcro se abrindo?


O autor do filme foi magistral quando mostrou a tessitura corporal da personagem mostrando a carga afetiva, as modulações tônicas como se estivesse inscrito em seu corpo uma cartografia do seu sofrimento – o ódio a si mesma- que estava tatuado em sua alma e estampado no seu corpo.
Aos poucos a aceitação de si foi acontecendo.
E alguns anos depois ela se tornou médica.
...
Jung e Sabine e a cena final
 
Quando Jung e Sabine sentados naquele banco as margens do lago de Zurique, em Küsnacht, Jung confessa para Sabine:
 -“Meu amor por você foi a coisa mais importante da minha vida.
Bem ou mal, fez com que eu descobrisse quem eu sou.”
 
Será que não é um amor assim que desejamos viver?
Para descobrir quem somos.
Não só nossa força, mas também nossas fraquezas.
Jung conheceu muito bem os dois lados junto com Sabine. Jung reconheceu e amou sua sombra, seu lado mesquinho e cruel.Amou Sabine como ela era e foi amado na plenitide do seu ser.
 
Cabe aqui uma reflexão sobre a mola da cura na Psicanálise.
A Transferência.
 
Por isto o nome do filme: Um método Perigoso.
 
O método terapêutico da Psicanálise é um perigo- com certeza, porque o psicanalista sabe que está pisando num terreno minado, seu material de trabalho (o inconsciente do analisando) são forças altamente explosivas.
O analista vai remexer -junto com o paciente no amor sexual, que é indubitavelmente uma das maiores emoções desta vida.
Freud numa correspondência a Jung- lembra no filme quando as cenas mostravam os dois escrevendo um ao outro longas cartas?-pois bem, numa delas -Freud diz que as transferências são “reedições, recriações de moções e fantasias que, na medida em que a análise avança, não podem senão serem despertadas e tornarem-se conscientes.”
Ou seja, o que o paciente fala em análise, é lembrado por ele como algo que ele viveu no passado, mas que é atualizado no vínculo com a figura do analista, ou seja; o analista se torna depositário das tramas de amor ou ódio que o paciente tem na sua teia do passado.
 
Cabe ao analista manejar os fios, os nós que costuram o passado ao presente do seu paciente.
Nem cortando e nem tampouco alinhavando seus próprios fios nos entremeios. (quando o analista se mistura nessa trama acontece a contratransferência- que foi o que aconteceu com Jung)
Neste caso- quando acontece, rompem-se os laços paciente e analista e a relação torna-se outra.
O analista se destitui e assume o relacionamento- se houver- de um outro lugar.
No caso de Jung e Sabina eles viveram uma relação amorosa, mesmo Jung sendo casado e ele não mais como analista dela.


 
Muito cuidado ao pensar ou julgar estas cenas polêmicas, principalmente ao associar o horror de Sabina quando ela fala de quando seu pai a batia num quartinho escuro e ela sentia prazer ao se masturbar após ser espancada e num outro recorte quando mostra Jung e Sabina em cenas de sadomasoquismo- impossível a gente não correlacionar os dois fatos – embora não se saiba se esse tipo de relação foi verdadeiro ou é apenas ficção. Penso que os movimentos de como vivemos nossa sexualidade é muito particular e julgamentos- nesse caso- possibilitam inúmeros vieses de pensamentos pela temática abordada, que vai de encontro com questionamentos inevitáveis de serem feitos- com certeza, só que em muitas das vezes –são projeções dos nossos próprios desejos.(aqueles inconfessáveis).
 
Um psicanalista, um psicólogo não está acima da natureza humana, suas fragilidades diante das pulsões da paixão se igualam a qualquer ser humano, afinal todos nós-indistintamente- temos as mesmas pulsões, os mesmos fantasmas arcaicos e sintomas de defesa ,que manifestamos de acordo com as circunstâncias objetivando proteger a fragilidade de EGO.(Lembra que o EGO fica lá espremidinho no meio do ID e do Superego?).

O que de fato vemos -no filme –é que há ajuste nas demandas-a forma de traduzir o amor em prazer é bom para os dois, o prazer é compartilhado. Não existe o comportamento unilateral.Os dois encontraram- pelo menos no filme- a sua maneira particular de viver o amor.
 
Quem sabe seja por tudo isto que Jung tenha dito que só o que somos tem o poder de curar-nos.
Quando já bem velhinho no seu livro Memórios Sonhos e Reflexões (1963, p.19) Jung diz-“Sou um inconsciente que se realizou”- o que Jung quis nos dizer foi de que nossa sombra-
por mais densa que ela seja - deve ser amada. Não devo amar somente minhas qualidades, meu lado iluminado, mas muito pelo contrário-amar também o meu lado capenga, o meu “eu” mais desprezível.
 
Termino o texto com Guimarães Rosa quando ele diz que:
”-Viver é muito perigoso, porque aprender a viver é que é o viver mesmo.
Travessia perigosa, mas é a da vida.
 
E com Jung quando ele diz para Sabine:
-“
Às vezes temos que fazer algo imperdoável só para continuar vivendo.”
 
 
Maria Poesia 23.08.2012
 
 
Referências:
FREUD, Sigmund. A Dissecção da Personalidade Psíquica. 1976.
 
FREUD, Sigmund. Os instintos e suas vicissitudes. V. XIV. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de janeiro: Imago, 1996[1915].

 

Outras Resenhas de filmes com Análises Psicológicas: 
(Basta clicar no título)


O voo-Filme sobre alcoolismo. Análise(resenha)Psicológica

Perdas e Danos-Resenha (análise) Psicológica. Filme sobre Desejo. (1ª parte)




Para você -querida leitora -que me escreveu e pediu essa resenha. Aí está.
Com meu carinho e agradecimento, por suas visitas e suas palavras sempre tão generosas sobre meus textos.
Obrigada!

Maria Poesia
Enviado por Maria Poesia em 24/08/2012
Reeditado em 10/02/2013
Código do texto: T3846928
Classificação de conteúdo: seguro

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