GOT VIII - 6ª TEMPORADA - 2016

UM DRAMA PSICOLÓGICO?

 
A temporada está chegando ao fim, faltam apenas mais dois episódios (parece que estendidos), mas, ainda existem muitas preocupações, muitas lacunas e um desfecho que está envolto em tamanho mistério, sem pistas, nem sinais que possibilitem concretizar a coerência final da obra ficcional da qual foi adaptada.
Muitos pontos positivos são identificados em GOT, isso não se pode reclamar. Sua influência já é e continuará sendo muito importante tanto no ser como no campo operístico das artes visuais.
Faço apenas um senão à série, com tantos personagens bem construídos, com Casas antigas e poderosas, fortes exércitos, interesses antagônicos, que convergem para o mesmo objetivo, havia de ter dado mais atenção às batalhas, causa principal em mundos antigos, caracterizados pelas tradições monárquicas e feudais. O épico, as grandes conquistas, as guerras seculares, sem a utilização da pólvora, apenas do aço das espadas. Quem sabe, não estará guardado para o último episódio, como aconteceu com “O Senhor dos Anéis” no derradeiro filme de sua maravilhosa trilogia?
Mas quem, afinal, sagrar-se-á o(a) conquistador(a) indubitável do Trono de Ferro?
O episódio oito parece trazer um prelúdio de como poderá ser o passamento do fraco, ingênuo e indefeso rei Joffrey, que morre nos braços da mãe. Esta promete vingança aos Starks e ao irmão, mas é apenas um epílogo. (Interpretado em peça de teatro)
Creio que a morte desse rei débil não pode ter nada de heroico, tampouco, alguma encenação, vitimação, característica que possa dar uma atmosfera espetacular, se é que ele vai morrer. Talvez possa ser deposto.
Arya muito ferida é ajudada pela atriz que a esconde em seu quarto cuidando de seu ferimento. Como numa ligação telepática a projeção fílmica sai de Arya e vai para Clegane que encontra os homens que provocaram a chacina em seu vilarejo, destituído de todo sentimento de bondade, ele vai ao encontro dos mesmos como se fosse o próprio Cérbero com o ódio de mil cães raivosos, mil homens atrozes, os golpeia com apenas cinco ou seis machadadas, cabeças voam, vísceras caem, corpos tombam e outros conseguem fugir. Esse é o destino do “Cão de Caça “, a desgraça, por mais que ele tente fugir, ela vem e lhe abraça!
Os Sete Reinos estão, enfim, próximos de uma união com a conjuração de um único rei, cada um tem o seu favorito e suas razões, bem como, os próprios pleiteadores possuem os requisitos para tal poder, mas como eu já havia comentado numa resenha anterior, não existem protagonistas que se destaquem, por isso a dúvida.
Um destaque desta temporada é o desempenho da personagem Brienne (Gwendoline Christie Brown) como coadjuvante. Todos diziam que ela teria apenas algumas participações nos primeiros episódios e depois sumiria, mas, por ter um desempenho fantástico acabou por continuar e ficará até o fim.
Tyrion é um personagem que desde a primeira temporada se comportou de forma anárquica, com uma interpretação brechtiana, ele vive num mundo onde a fantasia, a diversão, a prostituição, o desrespeito à vida em sociedade, o vinho são os elementos necessários para uma boemia que só acaba quando o sono lhe apaga. Isso o torna um ser incrível.
Em determinado ponto deste episódio até me excitei imaginando que iria narrar uma batalha entre Jaime e Peixe Negro, mas a única coisa que se faz ouvir é “O Peixe Negro morreu em combate!” Eu me pergunto: Onde estão a ação e a fantasia? Deixou de existir a muito tempo, vejo apenas resquícios. Com relação à aventura ela se perde com Bran, que raramente aparece depois da morte de Hodor.
O que realmente estou observando é que a série está descambando para um drama psicológico. Observem: Loras preso e louco; Cersei, com suas inquietações, pois é prisioneira de seu próprio filho; Jon e Sansa correm contra o tempo para que não sejam vencidos por (Chronus, o devorador), alegoria grega, sobre o tempo para os humanos; Arya tentando lutar pela vida, se vê num dilema, não sabe para onde ir ou se vai arquitetar seu plano de vingança; Daenerys, mais uma vez aparece, para surpreender aqueles que estão sob seu jugo.
Enfim, esperando o fim, não confiando num definitivo fim, pois assim, creio eu, espaços e lacunas ficarão ocas.
Agmar Raimundo
Enviado por Agmar Raimundo em 18/01/2017
Reeditado em 18/01/2017
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