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Closer (Perto Demais)





Quando li que Mike Nichols, o diretor de "Quem Tem Medo de Virginia Wolf ?" verdadeira pérola na história do cinema, depois de três décadas no armário, havia lançado o filme "Closer", fiquei intrigada e bastante curiosa. Fui ao cinema e chequei. Não deu outra, lá estavam as marcas de um filme bem dirigido, com personagens extremamente humanos sem nenhum desses clichês que inundam as telas, sobretudo quando o assunto é relacionamento.
A estória se passa em Londres entre dois casais. Uma fotógrafa se casa com um homem, mas mantém um caso secreto com outro. Enquanto isso seu amante usa uma stripper como musa inspiradora para tentar conquistar o amor dela. Absolutamente todos os atores : Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen estão excelentes, fenômeno nada atípico quando se tem um grande diretor e uma ótima estória. Tais personagens irão se conhecer, se apaixonar, trocar de parceiros,  machucar uns aos outros, violentamente, e por fim, se perderem em seus próprios desejos. O filme é cru, com diálogos bastante fortes e diretos. Um filme, sem dúvida nenhuma, para adultos, mas o que mais me tocou foi a maneira eficaz, direta e bela de mostrar como é fácil o envolvimento, mas depois, o que fazer com o objeto do nosso desejo...? A maneira como os personagens buscam a si mesmos através da paixão, usam uns aos outros, se equivocam e mostram-se, ao mesmo tempo, frágeis e cruéis, belos e patéticos, é surpreendente. Nossos demônios subterrãneos que emergem e ceifam as asas do etéreo desejo que, talvez, no fundo, queria-se apenas assim, aéreo, sem forma. Essa herança romântica que ainda permanece em nós e que absolutiza o amor no objeto desejado. Esse objeto frágil, feito de corpo e sonho - O absoluto não cabe em formas e, inevitavelmente, o objeto é estilhaçado como um espelho. Só mesmo um craque como Mike Nichols e um excelente roteiro para expressar tal complexidade humana nos relacionamentos. O mito transformador da paixão cai por terra, uma vez que, nesse caso, o amor mais subtrai do que soma. Ironicamente, o único personagem que tem algum poder transformador e consegue o que quer (Clive Owen) é um machista assumido, sem nenhum escrúpulo para virar a mesa e possuir a mulher desejada. É impressionante notar, os contorcionismos que o emocional desses personagens faz,  para suprir um vazio, reafirmar valores perdidos que se  chocam com a solidão, a posse, o medo, delineando com cores fortes o ressentimento, tão avesso a um ideal de amor e companheirismo. Com tudo isso, o filme ainda esbanja charme e é bem sexy com a bela Natalie Portman.
A música,  "The Blower's Daughter" composta e interpretada pelo irlandês Damien Rice, ainda que considerado meio cafona no Reino Unido, ficou impecável e provoca grande impacto em cenas bastante contundentes.  A letra ilustra ironicamente  esse tipo de conflito: I can't take my mind of you.....until I find somebody else " afinal, a busca incansável para preencher o vazio da solidão não pode parar.
Closer é um filme que, definitivamente, deixa uma boa reflexão para os mais atentos - Como criar relacionamentos mais felizes, em que a generosidade e a amizade possam englobar a esfera da paixão.

Abaixo, um link com o trailer :

http://www.youtube.com/watch?v=mUVZbnuXvkM&feature=related

Para o leitor que apreciou essa análise, deixo o link para o meu outro trabalho com o filme: " Casa de Areia e Névoa"

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=231045
Ana Valéria Sessa
Enviado por Ana Valéria Sessa em 08/03/2005
Reeditado em 12/11/2011
Código do texto: T6037

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Sobre a autora
Ana Valéria Sessa
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Ana Valéria Sessa