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" A EDUCAÇÃO DE PEQUENA ÁRVORE"

Título Original: The Education of Little Tree
Gênero: Drama
Origem/Ano: EUA/1997
Duração: 110 mim
Direção: Richard Friedenberg

Elenco:
James Cromwell...
Tantoo Cardinal...
Joseph Ashton...
Mika Boorem...
Christopher Heyerdahl...
Christopher Fennell...
Graham Greene...
Leni Parker...
Rebecca Dewey...
Bill Rowat...
Robert Daviau...
Norris Domingue...
Mark Jeffrey Miller...
Gordon Masten...
Howard Rosenstein...
 Granpa
Granma
Little Tree
Little Girl
Pine Billy
Wilborn
Willow John
Martha
Dolly
Henry
Ralph
Mr. Jenkins
Preacher
Politician
Calf's Owner
 
O FILME:
Pequena Árvore é um menino cherokee de oito anos, norte-americano, que está entrando para a idade de aprendizado, idade de conhecer o mundo, as coisas que o cerca.
A história se passa na década de 30, durante a Depressão americana, época posterior a quebra da Bolsa de Nova York. Depois de perder os pais, o menino cherokee sai da cidade onde morava com sua tia, irmã de sua mãe e vai morar com seus avós paternos numa floresta do Tennessee, nas montanhas Smoky. Aos poucos ele vai conhecendo a beleza da natureza, o saber e o sentir começam a fazer parte de sua educação, assim como aprende com as dores, com as perdas, com as alegrias. Descobre aos poucos o valor da amizade, aprende amar sua cultura que é a cultura de seus antepassados, aprende não abrir mão de suas convicções e a enxergar a natureza e a enxergar a vida com simplicidade junto de Willow e de seus avós.
Pequena Árvore torna-se uma árvore encantadora que nos conta o sentido da união, e o que é a verdadeira liberdade, nos presenteia com o que significa nos reconhecermos, a importância de sermos o que somos, nunca desistir de nossos sonhos e principalmente de nós mesmos.
Neste século XXI se fala tanto em educação, em estudos, em títulos, em ser grande, importante, ter riqueza e status, podemos fazer algumas reflexões, colocar em debate questões mal resolvidas, questões importantes levantadas por este grandioso filme como: preconceito, aculturação, civilização, moral, aprendizagem real versus aprendizagem formal, “o diferente” como nos é percebido, que lugar ocupa o “ser diferente” em nossa sociedade burguesa normalizada, como é nossa convivência com o outro que não nós, como trabalhar com a alteridade, o fato da repressão, dos castigos, das escolhas, da questão da raça superior e simplicidades como carinho e amor sinceros também são reflexões que fazemos ao assistir este filme tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.
E por ser simples e também complexo vou trabalhar um pouco apenas dois itens dentre tantos outros contidos neste filme que merecem reflexão.

"O SENTIDO DA VIDA NA EDUCAÇÃO DE PEQUENA ÁRVORE"
Não interessa se olhamos de um ângulo ou de outro, a vida é maravilhosa!
Viver é aprender continuamente...
Educação e aprendizado andam lado a lado, de mãos juntas, uma reconhecendo na outra o sentido da vida...
Somos todos feitos da mesma substância , os mais e os menos ricos, os mais e os menos civilizados, temos todos um só coração, somos todos criativos, somos magníficos em nossa singularidade universal. e poderosos também na nossa inventividade, magníficos seres do Universo.
Seja quem somos podemos viver no mais alto pico ou na planície, mas o céu, as estrelas, o sol são de todos nós e ao mesmo tempo não nos pertencem, nós é quem pertencemos ao mesmo tempo uns aos outros elementos naturais, porque fazemos parte de uma sincronia cósmica, cada um ocupa um lugar neste vasto mundo tão vazio de sentido e tão repleto de vida...
E mesmo sabendo de tudo isto e talvez por causa de tudo isto tantas coisas não tem sentido, quando começamos a refletir sobre o que realmente importa, quando começamos a perceber o outro , o lado de fora de nosso pequeno umbigo, começamos nossa educação.
Levamos uma vida inteira aprendendo e sempre existe um motivo a mais, uma razão a mais sempre estamos percorrendo um longo caminho sem retorno, cheio de curvas e declives, e ele é tão profundo e intenso...Quando desejamos aprender, é claro!
Quando não, as sutilezas passam desapercebidas e nós vamos repetindo chavões, vamos nos enganando, continuando empacados em nossas verdades eternas em nossas certezas absolutas e imutáveis. Mas quando nos lançamos ao aprendizado como Pequena Árvore, percebemos que os sentidos são diversos e as maneiras de vivenciar estes milhares de sentidos mudam constantemente de tonalidade e de lugar, como um milagre...O Sentido da vida...
Pequena Árvore foi percebendo ao longo de sua educação o significado de várias palavras e ações como o tamanho exato das dimensões do eu e do tu, do nós e do eles e pode ir combinando metáforas com a vida e foi percebendo que tudo faz parte de uma grande utopia, no sentido do vir-a-ser. Foi percebendo que o mundo dos brancos era controle e foi vendo que quanto maior o controle menor a existência, o verdadeiro sentido de viver em acordo consigo mesmo e com a vida, foi vendo a diferença entre a imaginação do mundo dos brancos e a realidade fantástica de seu aprendizado na natureza e com a magia dos ensinamentos de seus antepassados.
Pequena Árvore rolou lágrimas, aprendeu a questão da vida e da morte como lados complementares da mesma moeda, como algo a ser visto com naturalidade e que vida não significa estar simplesmente em corpo neste planeta, ele pensou e sentiu e percebeu que vida é ampla, que engloba pássaros, vento, chuva, os seus pés, seus sapatos macios, sua amiga branca que ele não temia, a sentia com emoção e tristeza também.
Pequena Árvore aprendeu com suas vivências, não com a de seus avós, com a sua própria, ele sabia o tamanho do saco e das pedras que podia carregar e se responsabilizava pelas coisas que escolhia, sabendo ele que responsabilidade não envolve culpa, apenas assumir a vida e ir em frente sem culpar os outros e/ou a si mesmo pelas escolhas feitas.
 Foi educado e em sua educação individualidade não significava conformidade, a essência de viver está em acreditar e confiar, aprendeu o quanto nossos mitos e nossas fantasias nos ajudam a trilhar os caminhos e que escutar o que o vento diz é mais do que a maioria dos brancos consegue entender ou que jamais conseguirá ouvir. Ele aprendeu com as diferenças  e aprendeu a concordar com a alteridade, viu que o interessante é estar livre e poder escutar os sons da natureza e o silêncio da montanha.
Pequena Árvore apesar de não concordar com as crueldades, deixava o rio seguir seu curso, porque em sua educação a natureza segue seu ciclo e a aprendizagem é mesmo difícil mas necessária em qualquer idade
Mesmo algo tão básico e profundo quanto o acasalamento, devido às regras sociais de grupos distintos, pode ser visto como algo a não ser comentado ou sequer às vezes imaginado e muito menos ensinado. Ele através de sua inocência conhecia mais a vida, a existência plena do que seja o universo do que adultos brancos em suas educações tradicionais.
Ele conheceu a briga, a disputa, ele se reconheceu como membro de sua gente, como participante de um projeto de vida que envolve sentimentos, sensações, emoções verdadeiras...O sentido da vida...
Construímos discordâncias em vez de olharmos as diferenças como salutar, evitamos a confusão que nos causa a cultura diversa, porque temos receio que a nossa cultura fique em xeque-mate, logo, preferimos o mundo das aparências, não queremos ver , nos choca mais saber determinados costumes de outras tribos que não a nossa, do que a violência que nos visita lado a lado todos os dias nas grandes cidades.
Preferimos usar óculos escuros, colírio nem pensar! Arde, queima, nos deixa enxergar o outro lado de lá das cortinas importadas e quando então se por acaso abrimos nossos olhos, ficamos envergonhados com o tamanho de nossa ignorância, com o tamanho de nossa mesquinhez e estupidez preconceituosa, mas mesmo ficando envergonhados se nos dispusermos a questionar , investigar, nos olhar de frente pra nós mesmos...Talvez consigamos descobrir o sentido da vida que Pequena Árvore enxergou desde criança.
O que é a vida? Uma viagem? Pra onde? Para o caminho da sabedoria? E se ela não tiver de fato nenhum sentido? Se ela não tem sentido algum porque os mitos? E porque falar dos antepassados? A história universal é tão importante por quê? Qual será a importância afinal da alteridade? Qual a importância da família? Do carinho? Será tudo por amor?
Talvez seja este amor que Pequena Árvore foi descobrindo, ele é feito de calor, nosso interior fica desperto, celebramos a vida, nos tornamos criativos e firmes e fortes, compreendemos na medida exata e descobrimos na morte a vida e na vida um caminho para aprender a se viver melhor a cada dia e vamos descobrindo...O Sentido da vida...
Felicidade é algo assim tão abstrato e vem de fora pra dentro ou sai de dentro pra fora? Mas se ela sai de dentro pra fora então não é tão abstrato assim...
Ajudar, ser verdadeiros, perguntar, vibrar, sentir medos, desejar, vencer , perder com calma, e correr... Qual o sentido de nosso correr? Qual nosso ideal? Nosso ponto existe em algum sinal? Portanto qual é a razão da vida? Educação e vida são sinônimas então?
As respostas para tantas perguntas e outras tantas mais que possamos todos nós fazer dão acesso ao grande mistério da vida.
Mas sabemos que é pouco provável que sejamos iluminados por uma luz brilhante e a vida apareça sem problemas, sabemos que as coisas que tem valor não aparecem aos olhos reluzindo como ouro em pó, e sabemos que nossa força de vontade e determinação são o  cajado necessário em nossa caminhada.
E acima de tudo sabemos que refletir é difícil e que requer sinceridade e simplicidade e que ao chegarmos na essência não precisamos mais perguntar como chegamos lá, cada um de nós temos nossos atalhos, nossos espinhos, nosso aprendizado, nossa educação, mas precisamos ser e tornar as coisas interessantes, a vida tem que ter colorido, as cores tem que brilhar senão será a mesma coisa que cair num abismo..
Pequena Árvore escutava a voz de seu coração assim como escutava a voz dos seus avós na estrela no céu, assim como conversava com o vento, ele também conversava com a sua consciência, ele podia ouvir a vida e ele conseguia ir em frente e queria então aprender mais um pouco, ele aprendeu que valia a pena sua educação, a educação de seus antepassados e que nada nem ninguém iriam tirar a alma dele para colocar a de um branco em seu lugar. É o coração do menino que o chama para a vida, com sonhos, ele resiste aos perigos, as farpas, as cobras, tem coragem e dedicação ao seu aprendizado.
Crescer é mais que viver anos de vida, assim como encontrar as nossas verdades é despertar nosso potencial de podermos pensar sem medos, saindo do lugar, mudando, buscando talentos, superando crises, fazendo escolhas, nos responsabilizando , criando asas no lugar de nossos braços, mas não podemos depois deixar de voar, nos comprometemos...
E o quanto mais podermos ensinar aos outros a voarem , poderemos ficar mais tempo conversando com o vento, o importante é sabermos que somos humanos, que enganos existem, que culpa , castigo e maldades não são respostas, que rejeições não são suficientes para nos derrubar e que resistência é importante para podermos prever novos perigos, novas dificuldades, afinal a vida é uma caixinha de surpresas infinitas e quanto mais aprendemos mais temos para aprender e recomeçarmos a cada instante.
O futuro é o nosso coração no hoje, conforme ele estiver no hoje, existirá no futuro e o sentido da vida... É ser quem sabe um educador como foram os avós de Pequena Árvore.
Márcia Valéria
Enviado por Márcia Valéria em 14/08/2007
Código do texto: T606479
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Sobre a autora
Márcia Valéria
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Valéria



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