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TRÓIA

TRÓIA, de Wolfgang Peterson

 
- o filme, a guerra e a saga de Helena, Menelau e Páris -
POR FLAVIO PINTO
Muito antes de ver o filme, já o encaro com simpatia e com Peter O’Toole, mais ainda. Simples: a Grécia é a mãe da civilização ocidental e quem não se emocionou ainda pelas histórias e estórias da sua mitologia ?
A mitologia dos deuses gregos está presente no dia-dia ocidental nos seus melhores momentos. É uma Chanson d’amour ler e ouvir cada detalhe das guerras e da vida daqueles que influenciaram, para não dizer criaram, a filosofia. Não posso imaginar a civilização sem esse legado. Platão, Sócrates, Homero, a Ilíada, Helena de Tróia, Páris, Afrodite, Ulisses ou Zeus, Artemisa, Heitor, Gaia, os Campos Elísios, Hades, Aquiles, Sófocles, Arquimedes, Aristóteles, Feidípedes, o Olimpo, Posêidon, Teseu, Adonis, Delos, a ambrosia, Cronos, Titan, Argos, o Peloponeso, a ilha de Santorini, a Lídia, a Acrópole, Leda, Apolo, Péricles,  Alexandre Magno,  Maratona, Telêmaco, as Musas, Andrômeda, Cassiopéia, Dafne, Midas, Pégaso, Atlas, Maia, Jocasta e Édipo, Eros e Psique, Esparta, Atenas, o galho de oliveira, Xenofonte, a Acrópole, Hermes e seu caduceu, Vitória, Hércules, Heródoto, Hera, Mercúrio, Vênus, enfim, misturando realidade e mitologia , o legado é maravilhoso e grandioso demais para encararmos qualquer manifestação sem o mínimo preparo. É só lembrar esses poucos nomes já nos dá um arrepio.
Comentar TRÓIA, ou melhor, a síntese do melhor da história grega, é uma responsabilidade muito grande, e não me furtaria dessa oportunidade face, como já disse, ao seu legado á civilização ocidental.
Não basta vermos o filme: vê-lo sem assinalar e assimilar o que transmite é como mascar um chiclete com papel. Claro, e sem dúvida nenhuma, temos de dar o desconto da produção que, mais do que história grega, misturou alhos e bugalhos para, na sua ótica, apresentar o seu produto.
Existem muitas versões dessa trama e só Homero poderia tirar a dúvida.
O enredo. O causador da encrenca toda, Páris, filho de Príamo e Hécuba, é escolhido por Zeus para decidir quem era a mais bela dentre as três mais belas deusas presentes ao casamento de Tétis e Peleu- Hera, Afrodite e Atena, e que não queriam aceitar dividir entre elas um pomo mandado por Éris, a Discórdia. Só podia ser dela. Era quase o mesmo que ter de escolher entre a Bünchen e a Ciccareli e a ser amaldiçoado pela Helen Roche, que queria entrar na disputa. Zeus determinara e o jovem filho de Príamo escolhe Afrodite. E recebe uma maldição. Em tempo, mais uma, pois seus pais já haviam sido notificados, mesmo antes do mancebo nascer, que ele traria a infelicidade á Pátria. Deveria ser sacrificado, mas Hécuba pede a Arquelau que o deixe nas montanhas e ali ele se criou junto de cabras, bezerros, vacas... Deve ter barranqueado aos montes, pois sua fama chegou á planície. Mesmo assim é enviado a Esparta para trazer de volta sua tia Hesíone, levada por Telamon, rei da Salamina. Lá, ainda que patrulhado por seu irmão Heitor, conhece Helena, mulher de Menelau, rei da Grécia, filha de Zeus  com Leda e enlouquece. E  começa a encrenca.
Bom, antes de tudo, logo no início, quase me arremeti ao caso de Porongos ao ver o exército grego em pleno combate, Aquiles acordando com algumas “papagaias” gregas e o rei clamando por ele. Penso que o filme poderia se chamar AQUILES- rei de Ítaca, um grego que só sabia trepar e matar, não necessariamente nessa ordem, ou então AQUILES e as picardias de Ulisses.
O brigão prestou enorme serviço á Brisíades, filha de Príamo, mas devia ser Polixena, a outra filha,  a destinatária dos carinhos. Será que Príamo iria deixar?
Se tivesse usado( Aquiles Brad Pitt) seu lado-Renato Fábio Assunção Celebridade- a história seria muito diferente. Mas seu primo, Pátroclo, lembrou-se do Clone e entrou bem. Heitor, que o mandou conversar com Zeus mais cedo, é desafiado por Aquiles, que o trucida na frente de todos com Príamo batendo a cabeça na parede em desespero
Mas não vou discutir com alguém que aplicou 200 milhões de dólares na trama, por terem sido alteradas, ou fatos, mitológicos, com pessoas morrendo quando não deviam , por exemplo  Aliás, era o que deveria ter feito Páris antes de cantar Helena e jogado fora, irresponsavelmente, a vida de milhares de soldados gregos e troianos e nos complicado a vida até hoje, pois não sabemos, afinal, quem tinha razão, pois a lógica da guerra fugiu ao seqüestro ou rapto. Será que não foi uma fuga?
E até a pobre da Ifigênia, filha de Agamenon, seria sacrificada para a vitória grega, que afinal, se quiseram fazer isso com a pobre moça, não eram nada santinhos. Puxa vida, as gregas eram divinas, só lembrar da guria de Milo... pelo padrão das bailarinas...tentar sacrificar uma grega daquelas é o mesmo que sacrificarmos a Bünchen para o Brasil ganhar a Copa do Mundo... Mas teve sorte, pois Ártemis andava por perto e salvou a moça da degola colocando uma corça no seu lugar. Que coisa....Zeus, mesmo, nem se importava: traçava todas e até virou cisne para seduzir Leda, pois não perdoava nada. E assim seduziu Europa, Io, Danae e até Métis, com a qual gerou Atena.
Acredito que os testículos de Páris sabiam onde se meteriam, mas ele não sabia na confusão que meteria seu reino e toda indiada que adora filosofia. E foi uma guerra violenta com sangue prá todo lado, como diria um ex-colega de turma do Estadual. Embora tudo tivesse sido previsto por um vidente, Páris nem deu bola.
As guerras de TRÓIA, muito troiano e gregos mais ainda,  pareciam aquelas dos filmes de caubói ítalo-americanos- morria gente como enxame de abelha, mas a quantidade não diminuía. Era o Gre-Nal do mar Egeu. Afinal, uma guerra bem grega com torcida e tudo. Que coisa. E os mirmitões de Aquiles eram invencíveis, e multiplicáveis cada cena. E Menelau, meus amigos, morreu de morte matada, mesmo com a ajuda do irmão Agamenon, embora, nos contos épicos, exceto o filme, fica com a Helena e vivem felizes para sempre. Agamenon  deu uma de político na época de eleição: aproveitou a deixa do corneamento do irmão e partiu para cima de Tróia, uma das cidades mais prósperas daquelas paragens.
Resumindo, os gregos estão por trás de tudo que fazemos a mais de 3000 anos com suas histórias e estórias, misturando realidade e ficção e, na maioria das vezes, não se sabendo o que é uma ou outra.
O filme termina tragicamente, tal como a desclassificação do Grêmio, num campeonato brasileiro, quando se preparava para ir ás finais, a Ferroviária de Araraquara , último time do campeonato, fez o crime e o jogou de volta ao Gauchão. E Páris, que não tinha muito jeito de espada, sem saber o que fazer com ela após recebê-la do pai, deu-a para o primeiro que apareceu.
Falando sério, esperava mais do filme TRÓIA, principalmente aquilo que é característico na história grega e , sem dúvida, fator determinante: a crença num poder invisível e superior que rege nossa vidas. A intervenção dos deuses não foi mostrada, siquer no quase sacrifício de Ifigênia. Será por falta de criatividade ou por, a direção,  não aceitar a crença da fé no invisível? Talvez por ter sido feito por alemães e americanos e seus diretores viverem em países nos quais a vida da população corre numa previsibilidade bárbara e não é muito carregada do êxtase dos valores espirituais.
Mas destacamos o enfoque e  presença constante da morte, a visão serena e até fatalista da civilização grega sobre ela.

Ah, se eu pudesse interferir, daria ordem áquela primeira flecha lançada por Páris, e que atingiu Aquiles no tendão, para que fizesse uma meia volta e lhe acertasse o traseiro (do Páris).
Talvez a única intervenção divina tenha sido o rompimento do tendão de Aquiles de Brad Pitt durante as filmagens.

Por aqui, guardei minhas lições e penso que poderiam ser As 10 máximas da guerra de Tróia, que na realidade podem ser resumidas em 5 e descritas em 2 lembretes, sendo um para os homens e um para mulheres:
- 1. não inclua na delegação que for tratar de negociação de paz com  um eterno inimigo, um cidadão que sempre raciocina com os testículos, principalmente se a primeira dama(dele, o inimigo) for de fechar o comércio  .
- 2. água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar ninguém segura.
Tenho dito e cuidado com os presentes gregos!

PS- Nelson Rodrigues possuía descendência grega?

FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 01/01/2006
Reeditado em 31/08/2006
Código do texto: T93225

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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