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Alfabetização em processo - Emília Ferreiro

Tradicionalmente, o processo de aquisição do sistema alfabético de escrita tem sido considerado como a aprendizagem de um código de transcrição (de sons e grafemas). Os processos psicológicos envolvidos eram de índole periférica: discriminação visual e auditiva, coordenações sensoriais e motoras, etc.
Há poucos anos, a visão do processo de aquisição do sistema de escrita mudou de forma radical, considerando que existe um conhecimento lingüístico prévio que o leitor traz para a tarefa. Agora, as produções escritas das crianças adquiriram um novo significado, merecendo ser interpretadas e aceitas como escritas verdadeiras, embora se apresentem fora dos padrões do sistema alfabético.
 
Definição de alfabetização

A alfabetização é um processo interno, que acontece de formas diferentes em cada indivíduo dependendo da forma com que é estimulado por seu meio ambiente. É caracterizada por grandes dificuldades e conflitos a nível cognitivo, levando a criança a estar em constante coordenação de informações e  reconstrução de seu conhecimento adquirido, provocando assim mudanças internas e grandes avanços para se chegar no pleno desenvolvimento da escrita e da leitura.
É “uma aventura excitante, repleta de incertezas, com muitos momentos críticos, nos quais é difícil manter a ansiedade sob controle” (pág 63).


I - Etapas

A informação oferecida é absorvida, mas deixa-se de lado parte dessa informação que no momento não pode ser assimilada, e introduz-se um elemento interpretativo próprio.
A criança estabelece a sua própria lógica na construção da leitura e da escrita, e busca respostas de acordo com o que tem como sua verdade.
Cria a sua própria forma de ler e escrever, e vai assim conflito após conflito, dificuldade após dificuldade criando intrinsecamente as bases para a alfabetização nos modelos convencionais.
I - Modos de representação que precedem a representação alfabética da linguagem:

Etapa pré- alfabética

Modos de representação alheios a qualquer busca de correspondência entre a emissão de um som e a escrita.
Toda criança parte do suposto que tudo o que está escrito representa o nome da figura que é mostrada, independente das letras e do som que representem.
Pode-se associar as letras de nomes próprios ou de objetos como se a letra pertencesse àquela pessoa, mas sem a preocupação do som X letra.

Etapa silábica

Modo de representação silábicos, com ou sem valor sonoro convencional.
Aqui cabe salientar a tematização (sob a ótica de Piaget), pois inicia-se um certo grau de tomada de consciência.
 Etapas:
1) a sílaba é utilizada sem que o sujeito consiga tirar partido deste “saber como”;
2) a sílaba começa a atuar como indicador, mas impossível de ser coordenado com outros da mesma natureza(  dadas duas sílabas em um nome, em vez de coordená-las na busca de um só nome, cada sílaba desencadeia uma exploração individual);
3) a sílaba se converte em uma parte não ordenada do nome;
4) a sílaba de um nome passa a ser ordenada. É considerada a relação das partes com o todo e a ordem serial.

A transição do “saber como”, ao “saber sobre” pode implicar uma série não especificada de passos ou níveis. O chegar a ser consciente de certos processos implica sempre uma reconstrução com grande esforço cognitivo.

Etapa silábico-alfabético

Modos de representação silábico-alfabéticos que precedem a escrita regida pelos princípios alfabéticos.
Período de reorganização da hipótese da criança. Ela já sabe que precisa olhar todas as letras. Apresenta a conservação de um significado atribuído ao longo de mudanças contextuais. A criança construiu sozinha uma hipótese silábica e começa a compreender a relação entre a totalidade e as partes, além de estar chegando a compreender a relação entre as letras e os sons da fala.


Etapa alfabética

Depois de passar por vários conflitos, a criança chega à conclusão de que não se pode adivinhar o que está escrito, mas precisa-se reconhecer os fonemas e as letras.
Apesar da escrita ainda não ter um único sentido, acontecendo da direita pra esquerda, ou da esquerda pra direita, de baixo pra cima, ou de cima pra baixo, começa-se a escrever com princípios alfabéticos, sem resíduos silábicos, e usando as letras com seu valor fonético convencional.

II - Diferentes modos de se estabelecerem diferenciações qualitativas ou quantitativas, nos diversos estágios da etapa pré-alfabética:
• Quantitativos
a) Diferenciação quantitativa intra-relacional:
é expressa como a quantidade mínima de letras que uma seqüência deve ter a fim de possibilitar uma leitura.
b) Diferenciação quantitativa inter relacional (não-sistemática): estabelece-se pela quantidade de letras que um texto deve ter com respeito a um ponto referencial externo não-estável.
c) Diferenciação quantitativa inter-relacional sistemática: estabelece-se pela quantidade de letras que um texto deve ter em relação a um marco referencial externo  considerado como fixo. Neste caso, estabelece-se um relacionamento entre os sistemas sonoro e o gráfico.
• Qualitativos
a) Diferenciação qualitativa intra-relacional : estabelece-se pela exigência da variação interna, de acordo com a qual um texto escrito não pode ter a repetição da mesma letra. Um nome deve ser escrito com letras diferentes.
b) Diferenciação qualitativa inter-relacional (não-sistemática): para que haja interpretações diferentes deve haver uma diferença objetiva nos próprios textos
c) Diferenciação qualitativa inter-relacional sistemática: estabelece-se pela possibilidade de determinar quais letras, e em que ordem, compõem um nome escrito, com relação a uma estrutura referencial externa fixa. Neste caso, as letras  têm valores estáveis e começam a corresponderem aos valores sonoros convencionais das letras.

Apreciação Crítica

Emília Ferreiro, grande precursora e estudiosa do Construtivismo explica nessa obra todo o processo complexo da aquisição da linguagem escrita.
Para todos os alfabetizadores que se importam realmente com a qualidade de seu trabalho pedagógico,com a mudança radical da vida daqueles pequeninos alunos que lhes são confiados, esse livro é um dos pontos de partida.
Estudar as etapas da aquisição da leitura e da escrita é admitir que as crianças são seres pensantes e capazes de aprender, e ajudar para que todo o processo aconteça da forma mais calma e tranqüila.
Livro indicado a todo alfabetizador!

*****(Você gostou do texto? Não gostou? Tem outra idéia sobre o assunto em questão? Deixe seu comentário. Obrigada!*****
Cláudia Marques
Enviado por Cláudia Marques em 19/09/2008
Reeditado em 12/08/2009
Código do texto: T1187024

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Sobre a autora
Cláudia Marques
Cruzeiro - São Paulo - Brasil, 40 anos
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Cláudia Marques



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