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Como se faz uma tese - Umberto Eco

Se você é daquelas pessoas que precisam de livros com instruções relatando como preparar uma tese em um mês, para depois tirar uma nota qualquer e sair da universidade. Pois definitivamente, esse livro não é para você. Não perca seu tempo.
     E caso você faça parte desse grupo de preguiçosos, a dica para não passar vergonha com um trabalho ruim é: invista uma quantia razoável de dinheiro para que outros façam sua pesquisa. Desta forma, você vai poder comemorar tranqüilo em sua festa de formatura.
     Como o próprio autor radicaliza: “Se quiser fazer uma tese de seis meses gastando apenas uma hora por dia, então é inútil discutir. Para não correr o risco de trabalhar em uma tese medíocre, copiem logo um trabalho qualquer e pronto”.
      O trabalho de conclusão de curso, deve ser entendido como uma ocasião única para fazer alguns exercícios que nos servirão por toda a vida.
     Muitos livros de metodologia científica, destinados a instruir os estudantes a elaborarem uma tese, são escritos de uma maneira tão “pesada”, que acabam fazendo com que o aluno se desinteresse pelo assunto a ser pesquisado. O certo seria induzi-lo à curiosidade, fazendo com que o “aprendiz” queira saber mais sobre os métodos de pesquisa e sobre seu tema.
      Esse quadro pode ser modificado com a leitura de “Como se Faz uma Tese”, do filósofo, semitiocista, romancista e teórico da comunicação de massa, Umberto Eco. “Quem quer fazer uma tese deve fazer uma tese que esteja à altura de fazer”, afirma.
     Eco tenta estimular o aluno para que ele aproveite a ocasião da tese, “mesmo se o resto do curso universitário foi decepcionante ou frustrante, para recuperar o sentido positivo e progressivo do estudo”. A escritora Lucrecia Ferrara, explica que este livro é “um relato da experiência de um pesquisador traduzido nas formas didáticas de um professor que conhece o ofício”.
     Antes de ir direto ao assunto principal, o autor faz uma série de críticas a estrutura das universidades espalhadas pelo mundo. “Em determinados cursos, inscrevem-se milhares de alunos. O professor mal conhece uns trinta mais assíduos”.
     O escritor defende, que o ideal seria “uma sociedade mais justa, onde estudar fosse um trabalho pago pelo Estado àqueles que verdadeiramente tivessem vocação para o estudo e em que não fosse necessário ter a todo custo o “canudo” para se arranjar um emprego, obter uma promoção ou passar à frente dos outros num concurso”.
     Um dos objetivos do autor, é fazer com que a obra seja destinada para os estudantes que tenham uma razoável possibilidade de dedicar algumas horas diárias ao estudo, e que queiram fazer uma tese que lhes dêem certa satisfação intelectual e lhes sirva também para depois da formatura. “Após a formatura, a tese pode se transformar em uma pesquisa mais ampla, que prosseguirá nos anos seguintes”, explica.
     Para se fazer uma tese não é preciso mais de três anos e não menos de seis meses. O ideal mesmo, é escolher o tema no segundo ano de estudo, pois segundo o autor, esse é o tempo suficiente para se formar no prazo ideal. “O estudo deve dizer algo que ainda não foi dito ou rever sob ótica diferente o que já se disse”.
     De acordo com Eco, “se você jogar a partida com gosto, fará uma boa tese. Se partir com a idéia de que se trata de um ritual sem importância e destituído de interesse, estará derrotado de saída”. Para o autor, fazer uma tese significa divertir-se. “O importante, é fazer as coisas com gosto. Viva a tese como um desafio. Encomende sua tese, copie-a, mas não arruíne sua vida e nem de quem irá orientá-lo ou lê-la”.
     


Danilo Nuha
Enviado por Danilo Nuha em 10/08/2006
Código do texto: T213004
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Sobre o autor
Danilo Nuha
Japão, 36 anos
42 textos (45375 leituras)
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Danilo Nuha



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