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"PLATÃO"

ÍNDICE

-A ética em Platão
-O dualismo platônico, o mundo das idéias e o mundo das aparências sensíveis
-A justiça política e individual, seu significado segundo Platão
-O conhecimento em Platão e sua relação com o mundo das idéias eternas
-O mito da caverna, um mundo de sombras
-O tipos de vidas relacionados às instituições sociais segundo Platão
-O Papel do Estado
-Direitos diferentes para o escravo e para o homem livre
-A sétima carta e sua importância
-A educação  segundo Platão
-A dialética de Platão e sua relação com o mundo das idéias eternas

INTRODUÇÃO

Platão viveu há 2.400 anos, nasceu em 428 a C, aluno de Sócrates, seu pensamento ainda hoje vive no Ocidente, as idéias e conceitos que desenvolveu continuam entre as grandes correntes da filosofia. Foi o primeiro no Ocidente que elaborou um sistema filosófico totalizador. Só encontra a filosofia a partir de preocupações de caráter político.
A ética foi a sua grande temática. Seu sistema foi fundamentado no conceito de que as chamadas idéias ou formas eternas, universais e absolutas, da onde partem os filósofos idealistas, existem como realidades fora do pensamento humano.
Para ele a justiça de um ato deveria ser avaliada a partir da sua adequação a uma justiça eterna, absoluta e imutável, e não a partir das suas conseqüências de fato.
Ateniense, de família aristocrática, coroado duas vezes nos jogos nacionais, Aristóteles, passou a ser conhecido pelo apelido de “Platão” em virtude de seus ombros largos.
 Sua mãe descendia de Sólon, seus ancestrais paternos, do último rei de Atenas, portanto destinado a uma importante carreira política.
Devido as guerras, Atenas foi destruída e Platão sonha com a reconstrução da cidade, mas uma reconstrução antes de tudo moral e espiritual, mais que material, uma cidade em que haja justiça.
O acontecimento fundamental da juventude de Platão é seu encontro com Sócrates quando este já está com 63 anos, de origem modesta, velho e feio, de olhos salientes e nariz achatado, seus lemas eram a verdade e a justiça, amigo querido de Platão.
Platão dava graças aos deuses por três coisas, primeiro por ter nascido homem e não mulher, grego e não bárbaro, e principalmente por ter nascido no tempo de Sócrates.
Platão aderiu ao regime da democracia, mas se decepcionou ao ver que a maioria dos atenienses aprovou a condenação de Sócrates à morte pela cicuta. Acusado injustamente de corruptor da juventude e adversário dos deuses da cidade, daí Platão dizer: “Reconheço que todos os Estados atuais sem exceção são mal governados... É somente pela filosofia que se pode discernir todas as formas de justiça política e individual”. Desta forma adotou um regime político em que os mais sábios, e não a maioria dos cidadãos, é que teriam direito de governar.
É a vida e a morte de Sócrates que movimenta o idealismo platônico; os principais temas do platonismo estão entre a distinção entre o mundo das idéias eternas e o mundo das aparências mutáveis em que a dialética é o caminho.
Platão via a justiça como resultado  da sensibilidade, da vontade e do espírito, encontrando-a na temperança, na coragem e na sabedoria.
Para Platão existiam três classes sociais: os artesãos, dos quais a justiça exige a temperança; os militares, nos quais a justiça é a coragem e os chefes, em que a justiça é sabedoria. Estes são os filósofos. Entre todas as formas de justiça ele prefere a aristocracia, o governo dos melhores.
Viajou pela Grécia, Egito, Itália e Sicília, em que foi tutor do rei Dionísio II de Siracusa, quando então tentou mostrar suas idéias políticas, sem sucesso, pois as opiniões foram contra ele e  teve que deixar a cidade às pressas.
Retornou à Atenas, aos 40 anos, fundou a Academia, uma espécie de Universidade, em que desenvolveu pesquisas filosóficas, científicas, matemáticas e jurídicas, ensinando a arte de governar as cidades segundo a justiça. a instituição de pesquisas foi a mais respeitada de seu tempo no Ocidente. Morreu em 348 a C.

DESENVOLVIMENTO

PARTE (A)

A Filosofia de Platão é baseada num dualismo, em que ele admite a existência de dois mundos. O mundo das idéias imutáveis, eternas e o mundo das aparências sensíveis, sempre mutáveis, em que o mundo das idéias é o único que é verdadeiro, uma vez que o mundo sensível existe porque participa do mundo das idéias, do qual é uma cópia, uma sombra.
Nas obras escritas por Platão, contando com as Epístolas, chega a 36 trabalhos dos quais 25 são diálogos e dois Tratados políticos, a República e as Leis.
Os diálogos, costumam ser divididos em dois períodos: 1) Um primeiro período, em que a figura dominante é Sócrates, e, a partir do chamado diálogo de teeteto, dedicado à ciência. 2) Um segundo período, em que as idéias desenvolvidas são platônicas, um pouco diferentes das idéias socráticas do primeiro período.
Para Platão o conhecimento é uma “relembrança” de algo que antecede ao pensamento e ao ser humano e este continuará existindo depois de sua morte. Para Platão, o verdadeiro conhecimento é o que está no fundo da memória, a lembrança das idéias eternas. Esta teoria só é defendida na fase socrática de seus diálogos. Nos diálogos subseqüentes a teoria das formas é até atacada, como no diálogo de Parmênides, um dos mais importantes.
O diálogo que mais se destaca no primeiro período é sobre a República, em que existe uma argumentação política em defesa  do governo dos mais sábios, apresentando o que viria a ser chamado depois de uma utopia.
O trabalho mais importante de Platão é a República, nela ele expõe suas idéias políticas, filosóficas, éticas e jurídicas.
Neste sétimo livro ele narra o mito da caverna, em que ele diz que quem não percebe o mundo das idéias, apenas vê o mundo das aparências, vive como que numa caverna, onde o conhecimento se faz por meio de sombras.
Para ele somente os filósofos é que chegam a sair da caverna e atinge o mundo luminoso, o mundo das idéias, pois a filosofia é o único caminho capaz de conduzir o homem deste mundo de sombras e aparências para o mundo das idéias e realidade.

PARTE (B)

O diálogo sobre a República, estabelecia uma sociedade totalmente nova, em bases diferentes da sociedade tal como era conhecida, composta de proprietários privados autônomos e independentes em relação ao Estado e a própria sociedade. Platão desejava diminuir essa autonomia e independência dos proprietários privados, submetendo-os à tutela dos filósofos, por meio do governo dos mais sábios.
Platão parte de um princípio eterno e imutável de justiça e ele diferencia entre três tipos de vida humana: a do filósofo, que busca a sabedoria, o conhecimento das verdades eternas, e que por isso leva uma vida harmoniosa; a do que busca o prazer, portanto se desgasta em contradições entre os diversos tipos de gratificação de seus apetites, e a do homem de ação, que vai contra os apetites dos outros e dos seus próprios apetites.
Estes três tipos aparecem nas instituições sociais: 1) estadista, ou o chamado estadista - filósofo, que faz as leis e cria as instituições sociais e políticas; 2) população civil, que cuida das necessidades materiais de todos; 3) Forças repressivas, em que militares e policiais cumprem e fazem cumprir leis elaboradas pelo estadista - filósofo. O estado administra os bens de toda a sociedade, incluindo os bens pessoais.
O escravo tinha menos direitos do que o senhor, a mulher livre menos direitos do que o homem livre, este podia Ter relações sexuais com qualquer escrava, enquanto a mulher livre que engravidasse de um escravo do seu marido seria expulsa do seu país.

PARTE ( C )

No diálogo sobre a República , ele quer derrubar a classe dominante e reformar a sociedade em bases inteiramente novas. No diálogo sobre as leis, ele desiste de reformar a sociedade e aconselha os intelectuais a administrar a sociedade tal como ela é, com a propriedade privada e com escravos, mas substituindo os proprietários como governantes.
A maior contribuição de Platão está na Sétima Carta, em que ele fala que as palavras não conseguem acompanhar as mudanças da realidade, e que quando escritas, se tornam permanentes, aí é quase impossível acompanhar essa mudança, pois pelo menos as palavras faladas podem modificar, mesmo que seja só depois dos objetos a que se referem se tenham modificado.
As palavras, principalmente as escritas, tendem a criar um mundo próprio, diferente do real, um mundo permanente e imutável, diferente do real  o qual é variável e mutante. O texto desta forma não muda, enquanto tudo se altera à sua volta como as instituições sociais, as pessoas, os edifícios, os instrumentos.
Essa é a autoridade eterna contida nos textos, sejam os livros sagrados das religiões, ou as obras fundadoras de sistemas filosóficos, políticos e econômicos.
Na prática, as religiões, as filosofias, a política e a economia estão sempre se alterando, mas referem-se a algo fixo e imutável, o cânon de seus textos de referência, tem de ser sempre reinterpretados, o que obriga uma autoridade para fazer essa reinterpretarão.

CONCLUSÂO

Platão, no final da sua vida questionou a inadequação do texto e até a palavra falada como sendo fontes de verdades. Não falou sobre o que se pode por no lugar do texto e da fala, abriu caminho para aqueles que presumem que a verdade possa ser alcançada pelo raciocínio puro sem verbalização, ou seja, para os místicos, e para os que consideram que a verdade está naquilo que se prega em todo o instante, ou seja, para os homens de ação que a prática é seu critério.
Platão reservava à educação um papel fundamental na reorganização da sociedade. A função da educação era desenvolver a capacidade filosófica nos indivíduos tendo em vista a importante missão social que lhes estaria destinada caso despertassem para a filosofia.
Cabia à educação determinar, seletivamente a posição social do indivíduo. O indivíduo através de sua natureza e da sua educação, deveria assumir por si próprio com o reconhecimento dos demais, à sua missão na sociedade.
A filosofia de Platão era a dialética, seu modo de viver e de ver toda a vida, sua preocupação estava com o ser, para ele esta ciência, o modo de ver as relações do todo do real era a mais importante.
A dialética ensina a encontrar a relação certa, e tem por objeto o estudo das articulações do real, em que a realidade é em si mesma dialética.
As análises de Platão não se vinculam à realidade, ligam-se ao que ele entende por realidade, ou seja, ao mundo das idéias. Para Platão o absurdo do homem preso ao mundo das aparências instaura a necessidade da dialética entendida como ato superador das aparências.
Toda a dialética platônica gira em torno do binômio separação - unidade. Ele dissocia o homem em uma metade mortal sensível e perecível, e em uma metade imortal, supra sensível e eterna. O homem se salva, salvando e conservando a sua alma.
Falar de Platão é falar em dialética, é falar no mundo das idéias, é falar em uma filosofia baseada na verdade, na justiça, em que por meio da razão se atinge a verdadeira sabedoria, para além do mundo das aparências sensíveis.

BIBLIOGRAFIA

ABRIL CULTURAL, CD-Room
BOBBIO, N. A Teoria das formas de governo. Brasília, UNB, 1995.
BORNHHEIN, G. A Dialética Teoria Práxis. São Paulo, Globo, 1977.
COTRIM, G e PARISI, M., Fundamentos da Educação. São Paulo. Saraiva, 1980.
FOLHA DE SÃO PAULO, CD-Room
Os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1979 (Platão)
Platão. A República. São Paulo. Hemus, 1970.
Márcia Valéria
Enviado por Márcia Valéria em 15/08/2006
Código do texto: T217041
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Sobre a autora
Márcia Valéria
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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