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As Mais Belas Orações de Todos Os Tempos                       

                                                       Ó Pai
                                         Não deixes que façam de mim
                                       O que da pedra tu fizestes
                                         E que a fria luz da razão
                              Não cale o azul da aura que me vestes
                                                         Vander Lee - Alma Nua


           Em determinada datas parece quase obrigatório que todos pensem em presentes. Natal, dia dos pais, das mães, dos namorados e tantas que o mercado inventar para incentivar o consumo. Na páscoa, os coelhinhos de pelúcia, a colomba, os vinhos, os diversos tipos de chocolate e os ovos de todos os sabores e tamanhos colorem e adoçam os dias.
           Já confessei aqui: adoro ganhar presentes não apenas pelo objeto em si, mas pelo gesto, sempre carregado do afeto, da delicadeza de quem escolhe algo para nos agradar. Um presente sempre produz em mim vários sentimentos: de agradecimento, de alegria, de felicidade por me sentir lembrada, acarinhada.
           Também é assim o meu sentimento ao escolher e dar um presente. Dou quando sinto vontade e não necessariamente nas datas determinadas. Gosto especialmente de fazer surpresas. De imaginar qual o sentimento de quem recebe algo escolhido por mim, sabendo que foi com carinho, que é meu jeito de dizer: estou aqui.
              Digo sempre a mim mesma: sorte ou merecimento, vivo recebendo presentes da vida. Todos muito especiais e em qualquer época do ano. Alguns imateriais mas tão belos que ficam na categoria dos inesquecíveis. Alguns, dentre os quais livros e CDs, que vivo tocando-os, para manter a energia de quem me presenteou por perto.
              O livro AS MAIS BELAS ORAÇÕES DE TODOS OS TEMPOS é um deles. Foi presente de um amigo que não mais se encontra entre nós. Discreto, deve ter percebido minha paixão por livros e num dos meus aniversários surpreendeu-me com esta escolha. Algumas amigas brincaram na hora - “Deve ter é percebido que você precisa de reza”. Ri e respondi que sempre é tempo e nunca é demais. Que aceitaria as orações delas com muita alegria.
             Abri e li a apresentação de nada mais nada menos que ALCEU DE AMOROSO LIMA, em forma de poesia. Tão lindo e comovente que fui às lágrimas. “NÃO SEI O QUE TENHO... MAS TENHO DENTRO DE MIM ALGUMA COISA DE ESTRANHO. NÃO SEI O QUE TENHO. MAS TENHO DENTRO DE MIM ALGUMA COISA QUE ME FALA, ALGUMA COISA QUE QUER FALAR, QUE QUER SAIR, QUE QUER SUBIR. NÃO SEI O QUE TENHO, MAS TENHO DENTRO DE MIM ALGUMA COISA QUE É MAIOR QUE EU MESMA...”
             Todas as orações são poemas de expressão da fé e, já na introdução escrita por frei Raimundo Cintra, uma dica que conquista “Em qualquer época e em qualquer lugar da Terra, sob nomes e figuras diversas, o homem, instintivamente, procura Deus. Orar é uma atitude essencial à alma humana. (...) A ciência progredirá ilimitadamente. Mas, jamais, enquanto houver um só homem sobre a Terra, deixará de viver em seu coração, nítido e global, o conhecimento de que o mistério do Universo o ultrapassa indefinitivamente.(...) A certeza de algo superior é inerente ao espírito humano, seja ele pré-histórico ou do século XXI, seja de religiões primitivas, do cristianismo, do islamismo, judaísmo, budismo, ou seja qual for a denominação religiosa. A leitura deste livro com a alma aberta, sem conceitos pré-estabelecidos, será de grande valia para o seu espírito.”
               Gostei muito do presente. É uma das minhas releituras favoritas e sempre o recomendo.E, se sei que algum amigo ou amiga especial gosta de orações e poesia, é minha opção de presente. E digo mais: não é preciso professar nenhum credo para apreciar a alma humana revelando sua essência, seu diálogo com o imponderável, com o divino. É preciso apenas sensibilidade para, respeitosamente, aceitar que somos humanos, seres inacabados em busca de respostas para tanta coisa e para muitos, elas se encontram no sagrado. Aceitar, humildemente, que não há essa ou aquela religião que é a melhor e o caminho da fé se constrói mesmo dentro de nós.
             O livro, resultado de uma pesquisa feita para os cursos de História da Religião, contém orações desde as comunidades primitivas até os "místicos sem Deus" . São orações de muitos credos, através de personagens contemporâneos e de ícones mundiais como Buda, Jesus Cristo, Maomé, Lutero, Karl Marx, Einstein, Frei Leonardo Boff, Dom Pedro Casaldáliga, só para citar alguns.
              Frei Raimundo Cintra garimpou raridades de todos os credos e povos e juntamente com a maravilhosa pesquisadora e escritora Rose Maria Muraro transformaram-nas em poesia. Os dois assinam a organização desta obra de arte em forma de livro, publicado pela extinta José Olympio em 1966, revisado e ampliado em 1994 por Rose para a Rosa dos Ventos, após dez anos da morte de frei Raimundo Cintra e reeditado pela Pensamento em 2001, acompanhado de cd com algumas orações  interpretadas  na bela voz do ator Carlos Vereza.
          “Para Edna, desejando que os anos vindouros sejam mais felizes que os já vividos”...Relendo a dedicatória no livro, minha oração a este amigo eternizado no gesto fraterno, na escolha feliz de um presente tão peculiar, em minha vida. No lugar especial onde certamente está, que estas orações em poemas ou vice-versa, alcance-o.
          

EDNA LOPES
Enviado por EDNA LOPES em 04/04/2010
Reeditado em 04/06/2011
Código do texto: T2176659

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Sobre a autora
EDNA LOPES
Maceió - Alagoas - Brasil, 51 anos
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