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O TEATRO DOS VÍCIOS

No livro O Teatro dos Vícios, de Emanuel Araújo, é bastante explícita a aversão dos brasileiros ao trabalho nos tempos da colônia e império. Na obra, o autor deixa claro que o modelo de sociedade brasileira à época da escravidão não só aceitava o ócio dos brancos como este era incentivado, visto que denotava uma posição de gozo e alto grau. A ostentação ia além das vestimentas e das posses de terra. Quanto mais escravos trabalhando para um senhor mais prestígio ele tinha.

Vários exemplos são considerados para mostrar um retrato de como a sociedade brasileira colonial via o trabalho, principalmente o braçal, que exigia esforço físico. Um homem branco que fosse visto carregando algum objeto pelas ruas era rapidamente rebaixado no conceito dos formadores de opinião. Mesmo que fosse algo insignificante, como uma louça, por exemplo, deveria ser transportada por algum escravo.

O dinheiro investido na compra de escravos garantia aos senhores todas as regalias. Era a garantia de que o escravo seria o seu pé e a sua mão. Quanto mais tempo por dia, o senhor ficar desenvolvendo seu ócio maior nobreza ele adquiria.

Aos filhos dos senhores, tanto na colônia quanto no império, era desonroso aprender alguma função como carpintaria, mecânica, entre outras, tidos como trabalhos para escravos. Apenas funções intelectuais ou negócios eram tidas como nobres. No máximo uma medicina era tolerada.

Emanuel Araújo amplia consideravelmente o papel do escravo na sociedade brasileira. Escravo não era apenas aquele negro que labutava na lavoura, nos serviços pesados e ardilosos. Muitos deles eram simplesmente ornamentados e exibidos pelos passeios de seus senhores. Outros serviam nas residências, fazendo os serviços domésticos. Muitos deles ajudavam na criação dos filhos dos senhores, até como amas-de-leite, etc.

O mais curioso segundo o autor é que muitos escravos, quando conseguiam comprar sua liberdade, tratavam de adquirir escravos também para se afirmarem na sociedade. A luta, neste caso não era pelo fim da escravidão mas sim, pelo fim da sua escravidão, pela ascensão social. Em outras palavras, tornar-se um branco de pele escura.

Sim, o brasileiro era por definição preguiçoso, mas simplesmente pelo fato de ver na atividade laboriosa uma desonra, um insulto à sua qualidade de nobre. E para espanto geral da nação, havia até escravos em cativeiro que possuíam escravos.
Anderson Alcântara
Enviado por Anderson Alcântara em 12/04/2010
Código do texto: T2192818

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Sobre o autor
Anderson Alcântara
Goianésia - Goiás - Brasil, 34 anos
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