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MACUNAÍMA

RESENHA: “Macunaíma” de Mário de Andrade

Contexto histórico:
Mário Raul de Morais Andrade nasceu em 1893, quando o país vivia o levante da Armada. Também nessa época se disseminava por todos os cantos a fama do Marechal Floriano até a posse do seu sucessor Prudente de Morais, acompanhadas do conflito de Canudos, o atentado contra Prudente, as poesias de Alberto Oliveira e de Olavo Bilac. Mas todos esses acontecimentos não interferiram na vida do pequeno Mário.
Vários conflitos aconteceram durante a sua adolescência e chegada à maturidade, em 1914 é declarada a 1ª Guerra Mundial, inclusive a entrada do Brasil em beligerância contra a Alemanha. Várias revoluções surgiram de 1922 a 1924 e se espalharam por diversas regiões do país, cujos remanescentes se transformaram na famosa Coluna Prestes.
Em 1926, Washington Luís se elege e é deposto por uma revolução chefiada por Getúlio Vargas. No poder, Getúlio enfrenta a revolução constitucionalista de São Paulo em 1932 e o levante comunista de 1935 até a declaração do Estado Novo, período ditatorial que permaneceu até 1937.
Em 1940 eclode a segunda guerra mundial, da qual o Brasil participa em 1942. Em 1945 terminam as hostilidades em maio, quando Mário de Andrade já havia morrido em fevereiro do mesmo ano.
Mário de Andrade foi um dos responsáveis pela Semana de Arte Moderna. Prosador, poeta, crítico literário, teve uma atuação visível como músico e folclorista e como ficcionista.
Vou me ater em Mário, autor ficcionista, que escrevia com inspiração e liberdade.
Sua obra Macunaíma, que agora faço uma apreciação crítica, é, numa visão modernista, o sonho do autor de escrever coisas nossas, desvinculando-se de toda influência européia.

APRECIAÇÃO CRÍTICA
Macunaíma, a quem o autor se refere como “herói da nossa gente”, e “herói sem nenhum caráter”, é uma das mais conhecidas personagens da nossa literatura.
Nascido na tribo dos tapanhumas, índios negros do interior da Amazônia, Macunaíma cresce como criança egoísta e rebelde. Como o próprio Mário falou, esse herói é a cópia, a junção de um montão de coisas: folclore brasileiro, provérbios populares, brincadeiras também populares, assim como o índio, seus costumes, suas vidas, suas
crenças, seu folclore que nada mais são que sua cultura.
A obra Macunaíma deve ser entendida como uma obra mágica, fantástica. O índio de Mário de Andrade é bem diverso do índio de José de Alencar e de Gonçalves Dias, que apresentaram em suas obras a figura do bom selvagem. Na visão marioandradiana o índio é frágil, mentiroso, infiel, desonesto, covarde e sem nenhum caráter. Num estudo comparativo com o índio da 1ª Geração Romântica (Nacionalista/Indianista) em que o índio é símbolo da força, da bravura, da coragem, da honestidade e da fidelidade vê-se que esse é a oposição daquele.
Macunaíma, herói de nossa gente, que nasceu no fundo do mato virgem, era preto retinto e filho da noite, mas que se urbanizou depressa e de forma simples.
Em momento algum Mário de Andrade deixa seu índio, seu herói, parecer ao índio de Gonçalves Dias.
Macunaíma era um índio preguiçoso e parasita de seus irmãos Jiguê e Maanape. Com seu comportamento infiel, seduz até a mulher do irmão Jiguê. É revelada nessa obra, através do índio, a malcaratisse do homem nativo do Brasil.
Percebe-se na obra o racismo dominante, quando Macunaíma vai à gruta, numa viagem a São Paulo, e toma banho. Fica branquinho e de olhos azuizinhos. Dá para apreender dessa passagem a valorização da raça européia pela europeização do índio que, antes negro, torna-se branco como a neve.
Mas a mudança de cor de Macunaíma só se dá externamente, porque o seu interior continuava o mesmo: preguiçoso, mau caráter, personalidade ruim.
Usando as crendices como forte traço da cultura indígena, conta o autor que Macunaíma era inteligente mesmo pequeno. Ficara adulto ao tomar um banho com caldo de mandioca braba. Cresceu todo o corpo, menos a cabeça, onde a água não tocou. Com isso, Mário de Andrade quer mostrar seu ponto de vista em relação à verdadeira inteligência do brasileiro.
É interessante observar que a linguagem marioandradiana emprega as palavras “brincar” e “brincadeiras” para os encontros amorosos entre o índio e as índias, na mata onde viviam. Brincou com Sofará, com Susi, mulher de Jiguê, seu irmão. E assim, Macunaíma vivia sua vida, brincando com uma e com outra.
Nos dias de feira, era comum as índias se arrumarem. Vestiam-se com o vestido mais novo e bonito e Macunaíma ia atrás.
Um dia, Macunaíma conquista Ci, a “mãe do mato”, que se torna seu grande amor. Desse amor, nasce um bebê que morre logo. Ci, inconsolável, morre de desgosto e deixa como presente para Macunaíma seu “império” e uma muiraquitã, um amuleto de pedra verde para que ele o colocasse no lábio inferior. Mas o índio, muito levado, perde o amuleto. Fica muito triste e fica sabendo através do canto de um pássaro que a pedra estava em poder de um gigante, em São Paulo. Junta muito dinheiro e vai com seus irmãos à cidade. Cai nas mãos do gigante e quase morre. Já doente e enfraquecido, Macunaíma recupera a pedra e retorna a sua terra natal. Depois de muito sofrimento e solidão, morre.
Os ditos populares, lendas folclóricas e provérbios constantes da obra, fazem com que Macunaíma rompa as barreiras do tempo e se eternize, com personalidade própria.
Mena
Enviado por Mena em 29/08/2006
Reeditado em 29/08/2006
Código do texto: T228347

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Sobre a autora
Mena
Brumado - Bahia - Brasil
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