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Resenha crítica sobre o cap. X do romance novelista de Almeida Garret

Resenha crítica sobre o cap. X do romance novelista de Almeida Garret
Viagem na Minha Terra

    Vou tentar explicar por quê o capitulo X se afirma como uma preliminar  da trama, e de que se trata essa preliminar.
    O viajante chega à terra de Santarém, pela qual compartilhamos o seu deslumbramento. A cidade faz o narrador cultuar, exaltar a natureza que antes era explicitamente puro alvo dos seus protestos. Dá-se aqui mais um passo a voz romântica. Se o narrador vinha trazendo na sua narrativa, uma tentativa de suplantar o aspecto dos árcaides, presente nos dois primeiros capítulos com o fôlego e os vapores românticos, já obteve sucesso através da figura da janela:

“carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta”.

    A janela prende o viajante no seu desejo mais íntimo, profundo e oculto; na imaginação criadora; na volta ao passado; na paixão pela pureza do feminino idealizado.
O símbolo janela leva-nos a perceber que o narrador está em busca do seu EU. O EU romântico que não é imanente pela falta do que é essencial a todos os românticos:

"Se o vulto fosse feminino!...era completo o romance.”

É na busca do idealismo propositalmente feminino, que homem e mulher se encontram, se parecem. Há a abolição da razão e da moral; homem e mulher (“são dois entes mais parecidos da natureza”).A igualdade entre os sexos, pretensão de viverem em harmonia com direitos humanitários.  Essa harmonia é representada pela figura dos rouxinóis:

"...começou um rouxinol a mais linda e desgarrada cantiga(...) e respondeu-lhe logo outro do lado oposto".

    Pinta-se um quadro real: direitos de exercerem o mesmo papel na sociedade, homens e mulheres sem submissão;liberdade para o proveito da terra e não exteriorização dos lucros e riquezas. Essa era a ideologia do Liberalismo político da época em que se engajava o autor Almeida Garret. Mas a mulher é um “vulto feminino de olhos verdes”, onde o verde simboliza as terras e riquezas de um Portugal. Que Portugal é esse? Um Portugal falido,decadente, derrotado, bem expressado por Garret nestas passagens:

 “- Ali, não há ninguém, ninguém que se nomeie hoje, mas houve (...) e a menina dos  rouxinóis foi-se e não voltou”.

 Mostra-se um pensamento pessimista para o presente ao mesmo tempo em que o aspecto passadista avança para o capítulo seguinte através da historia que o narrador nos propõe a contar com o titulo “menina dos rouxinóis”.

    Contudo, se olharmos para as características fundamentais dos estilos de época presente neste capítulo, veremos nitidamente uma mescla dos pressupostos árcades com os do romântico. Nesse caso é mais conveniente afirmar que estamos tratando de uma tendência Pré-romântica, ou seja, fins dos valores ilustrativos e início das questões do espírito idealizante. a tríplce RAZÃO-NATUREZA-VERDADE assume uma posição simbólico-semântica pela personagem bucólica, que busca uma ordem, uma conservação da unidade, ao passo que a narrativa vai se consolidando quase que por si própria, tomada por impulsos e sentimentos, dentro de um lirismo altamente romântico.
lucheco
Enviado por lucheco em 25/09/2006
Reeditado em 21/08/2007
Código do texto: T249260
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Sobre o autor
lucheco
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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