Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A CONSTRUÇÃO DO SABER CIENTÍFICO: ALGUMAS POSIÇÕES

 O DEBATE CONTEMPORÂNEO SOBRE OS PARADIGMAS


CARVALHO, Maria Cecília M.: A construção do saber científico: Algumas posições. In: CARVALHO, Maria Cecília M. de (Org.) Construindo o saber: metodologia científica – fundamentos e técnica. Campinas-SP, Papirus, 1995.
ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. O debate contemporâneo sobre os paradigmas. In: O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira.



O capítulo VI do livro, Construindo o saber: metodologia científica – fundamentos e técnicas, aborda, de modo sucinto alguns problemas e tentativas de solução que caracterizaram três importantes concepções metodológicas da atualidade: o Empirismo Lógico, o Racionalismo crítico de Karl R. Popper e a teoria desenvolvida por Thomas S. Kuhn.

Historicamente, a construção de uma teoria da ciência como disciplina filosófica autônoma se deveu a um grupo de filósofos e cientistas que, no decorrer da década de 20, se reuniram em torno de Moritz Schick em Viena. O grupo, conhecido sob o nome de Círculo de Viena, fundou uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nossos tempo: o Empirismo Lógico(conhecido também como Positivismo Lógico ou Neopositivismo).

Os empiristas lógicos construíram um ideal de ciência que se caracterizou pela adesão a dois princípios: Princípio do Empirismo – um enunciado ou um conceito só será significante na medida em que for fundado na experiência; Princípio do Logismo – para que um enunciado possa valer como científico deve ser passível de exata formulação na linguagem da lógica.

O Empirismo Lógico, por sua vez, não se preocupa mais em saber se os conceitos são adquiridos via abstração ou não; exige, contudo, que os conceitos científicos sejam passíveis de serem reduzidos a conceitos observacionais. Nesse viés, vale dizer que o programa reducionista do empirismo lógico mostrou não ser de todo realizável.

Quanto ao Raciocínio Crítico de Karl R. Popper seu pensamento diverge em pontos essenciais das teses defendidas pelos empiristas lógicos. Popper desenvolveu os primeiros elementos de sua filosofia da ciência no ano de 1919. As idéias básicas da filosofia popperiana da ciência sustenta que é fácil obter confirmação para quase toda teoria, uma vez que as procuremos, sendo assim, toda teoria científica “boa” é uma proibição. Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. Uma teoria é testável na medida em que for passível dizer em que condições ela seria dada como falsa.

No que se refere à teoria de Thomas S. Kuln clarividente fica a sua contribuição para as modificações profundas na maneira de se compreender a ciência, na medida em que priorizou as dimensões históricas, sociais e psicológicas da pesquisa científica.




Segundo Kuhn, nem o empirismo lógico nem a teoria de Popper são capazes de oferecer uma compreensão adequada da ciência. Sendo esta um fenômeno histórico, só pode ser adequadamente aprendida por uma teoria que leve em conta sua dimensão histórica. A teoria de Kuhn gravita em torno de quatro categorias fundamentais, com o auxílio das quais pretende reconstruir a dinâmica da ciência: ciência normal, paradigma, crise e revolução.

O capítulo 6 – O Debate Contemporâneo Sobre os Paradigmas – do livro O Método nas Ciencias Naturais e Sociais: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa apresenta alguns tópicos referentes à discussão sobre o paradigma qualitativo na década de 80, época de suma importância, pois inúmeras foram as publicações que procuraram caracterizar o “novo paradigma”.
Percebe-se, então, que começa a ganhar força, nas ciências sociais, os modelos alternativos ao positivismo e que posteriormente foram reunidos sob o rótulo de paradigma qualitativo. Após a análise sobre o paradigma qualitativo na década de 80, o texto discute sobre o panorama atual e três paradigmas são apresentados como sucessores do positivismo durante a Conferência dos Paradigmas Alternativos (1989). São eles:
- Construtivismo Social: as correntes filosóficas que mais influenciaram esse paradigma foram a fenomenologia e o relativismo. Os pressupostos básicos foram resumidos em uma ontologia relativista, ou seja, as realidades existem sob a forma de múltiplas construções mentais, locais e específicas, fundadas na experiência social de quem as formula; uma epistemologia subjetivista, onde os resultados são sempre criados pela interação pesquisador/pesquisado e uma metodologia hermenêutico-dialética, que tem como objetivo a geração de uma ou mais construções sobre as quais haja um significativo consenso entre os respondentes.
- Pós-Positivismo: é caracterizado como a abordagem que enfatiza o uso do método científico como a única forma válida de produzir conhecimentos científicos confiáveis. A adoção desse método implica na preferência por modelos experimentais com teste de hipóteses, tendo como objetivo último a formulação de teorias explicativas de relações causais.
- Teoria Crítica: neste paradigma, a palavra “crítica” assume pelo menos dois sentidos diferentes. O primeiro se refere à crítica interna, isto é, à análise rigorosa da argumentação e do método. O segundo e mais importante sentido diz respeito à ênfase na análise de condições de regulação social, desigualdade e poder. Com isso, enfatiza-se o papel da ciência na transformação da sociedade. Os pressupostos desse paradigma são uma ontologia crítico-realista, uma epistemologia subjetivista e uma metodologia dialógica, sendo esta metodologia coerente com o objetivo de aumentar o nível de consciência dos sujeitos, com vistas à transformação social.

Dessa forma, pode-se perceber uma diferença entre a teoria crítica e as demais abordagens qualitativas que é, portanto, a motivação política dos pesquisadores e nas questões sobre desigualdade e dominação que, em consequência, permeiam seus trabalhos.

Quanto à questão da objetividade, os teóricos-críticos, ao contrário dos construtivistas e dos pós-positivistas, questionam, a dicotomia objetivo/subjetivo implicando oposições.

Na condição de organizador da Conferência dos Paradigmas Alternativos, Guba (1990), afirma que, preferiu a autenticidade à assepsia, de modo a retratar todas as ambigüidades, confusões e discordâncias existentes, mas também como uma forma de estimular a continuação das discussões. Se é certo que o panorama parece, muitas vezes, caótico, é também verdade que a discussão evoluiu bastante em relação à que se observava no início da década de 80.





ANÁLISE PESSOAL
Pode-se afirmar que o empirismo lógico é conhecido, também, como positivismo lógico ou neopositivismo, sobretudo foi fundado pelo Círculo de Viena, como uma das mais influentes correntes filosóficas e epistemológicas de nosso tempo. O ideal de ciência é baseado em dois princípios: o do empirismo, em que um enunciado ou conceito só será significante na medida em que possua uma base empírica; e o do logicismo, no qual, para um enunciado ou sistema de enunciados valer como científico, deve ser passível da exata formulação na linguagem da lógica.
Sob uma visão contextual, apesar de, sumariamente, classificado como empirista lógico ou neopositivista, a preocupação do racionalismo crítico de Karl R. Popper era de caracterizar a ciência empírica por oposição a outras construções teóricas. Ressaltava a importância da lógica na construção da metodologia e valorizava a experiência como instância de testes para hipóteses ou teorias.
Ao meu sentir, após uma leitura atenta do texto, Thomas Kuhn desenvolveu teoria em que priorizava as dimensões históricas, sociais e psicológicas da pesquisa científica. Os objetos de análise da filosofia são as idéias, relações conceituais, exigências lógicas, e não são redutíveis a realidades materiais, nem passíveis de observação sensorial direta ou indireta.
A partir da análise do capítulo 6 – O Debate Contemporâneo Sobre os Paradigmas – do livro O Método nas Ciencias Naturais e Sociais: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa, pode-se concluir que o atual panorama da pesquisa na educação, assim como nas ciências sociais, é extremamente complexo. As duas últimas décadas têm se caracterizado por uma busca de novos caminhos, mais adequados às necessidades e propósitos atribuídos a esses ramos do conhecimento, o que tem resultado em uma multiplicidade de procedimentos, técnicas, pressupostos e lógicas de investigação, e também tensões, ambigüidades, questionamentos e redirecionamentos. Se é verdade que esta busca é necessária, também é verdade que as pesquisas produzidas nem sempre têm resultado em conhecimentos confiáveis.


Autoria: Mestrando Luis Carlos Gontijo
Luis Carlos Gontijo
Enviado por Luis Carlos Gontijo em 01/01/2011
Código do texto: T2703207
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Luis Carlos Gontijo
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
22 textos (33593 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/14 06:44)
Luis Carlos Gontijo



Rádio Poética