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A arte da guerra

                                  RESENHA CRÍTICA

1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A arte da guerra / Sun-Tzu, Sun-Pin; coloaboração de Mei-chun Lee Sawyer; tradução para o inglês, introdução e comentário de Ralph D. Sawyer; tradução a partir do inglês de Ana Aguiar Cotrin – 2ª Ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

2 SINTESE NA OBRA

Na época de Sun Tzu, a prática e o escopo da guerra haviam se desenvolvido suficientemente para pôr em risco a existência de praticamente todos os estados, tanto grandes quanto pequenos. Por conseguinte, em meio ao tumulto do final do período de Primavera e Outono, Sun Tzu percebeu que mobilizar a nação para a guerra conduzir o exército para a batalha e arriscar a destruição do estado só poderiam ser empreendido com o máximo de sobriedade. As palavras com que inicia A arte da guerra enfatizam sua importância decisiva: “A guerra é a empresa essencial do estado, a base da vida e da morte, o caminho para a sobrevivência ou a extinção. Deve ser profundamente ponderada e analisada.”.

Diferentemente de incidentes históricos em que os reis conduziam as tropas à batalha apenas por divertimento, ou das políticas propostas pelos Legalistas, nas quais as medidas militares são vistas simplesmente como mais um modo de ampliar a riqueza e a prosperidade do estado, Sun Tzu enfatizava que não se deve empreender a guerra senão quando o estado é ameaçado.
Ao longo do livro, a abordagem de Sun Tzu é minuciosamente analítica, propondo um planejamento cuidadoso e a formulação de uma estratégia geral antes do início de uma campanha. Em consonância com sua ênfase na necessidade de racionalidade e autocontrole, Sun Tzu priorizava a exigência de evitar todos os confrontos não erigidos sobre uma análise extensa e concreta da situação geral, incluindo as opções de combate e as próprias capacidades. Em uma de suas postulações mais famosas, Sun Tzu disse: “Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo não correrá perigo algum em cem enfrentamentos.”

Cálculos detalhados eram efetuados e, apesar de serem realizados no tempo ancestral, não eram divinotórios, mas sim baseados, provavelmente, em estimativas quantificadas que atribuíam sistematicamente valores numéricos para a força de aspectos objetivamente examinados de ambos os lados, como se vê no Capítulo 1, “Estimativas iniciais”.

Sun Tzu também acreditava que reunir inteligência militar deveria ser uma atividade engajada e contínua, explorando todos os possíveis canais para adquirir conhecimento sobre o inimigo. Naturalmente, os comerciantes deveriam fornecer inteligência comercial valiosa sobre as colheitas, metalurgia e outras industrias de potencial importância militar, enquanto os diplomatas forneciam avaliações sobre a situação geral. Por conseguinte, em “Empregando espiões”, o primeiro capítulo sobre a história da espionagem, Sun Tzu defendia firmemente o emprego judicioso (acertado) de espiões, caracterizando-os de acordo com a função e indicando as bases da interpretação e do controle.

Em uma famosa passagem, Sun Tzu afirmou: “Os meios pelos quais governantes sábios e generais sagazes se moveram e conquistaram outros, pelo qual suas realizações ultrapassaram as massas, foi o conhecimento acurado.” Essa sentença sintetiza a visão que Sun Tzu tinha da guerra e o distingue de muitos outros líderes políticos e militares históricos que de modo ignorante conduziram seus estados à batalha. Como ele postulou em “Combate militar”: “Quem não conhece os planos dos senhores feudais não pode fazer aliança previamente. Alguém que não está familiarizado com montanhas e florestas, gargantas e desfiladeiros, com a forma dos charcos e pantanais, não pode fazer avanças o exército. Quem não lança mão de guias locais não pode obter vantagens do terreno.”

Sun Tzu acreditava que o primeiro objetivo deveria ser derrotar o inimigo sem realmente travar combate, realizando desse modo o ideal da vitória completa. Acreditava que sempre que possível, a vitória deveria ser alcançada por meio da coerção diplomática, interrompendo as alianças do inimigo, baldando seus planos e frustrando suas estratégicas. O governo só deve recorrer ao combate armado se alguém ameaça com uma ação militar ou se recusa a ceder sem ser brutalizado.

No que tange ao Comandante, o qual controla o destino do estado, Sun Tzu discutiu amplamente suas qualificações, enumerando qualidades e habilidades decisivas e identificando habilidades e fragilidades. O capítulo intitulado “Estimativas iniciais” de A arte da guerra identifica as seguintes características como requisito para qualquer general: sabedoria, credibilidade, benevolência, coragem e retidão (honestidades, integridade, justiça, probidade). Ao lado dessas qualidades, o general deve ser culto, habilidoso na análise e despreocupado com a fama e a punição. Ele considera primeiro o exército e é calmo, obscuro, impenetrável, disciplinado, esperto e inventivo. Seus talentos formam um todo coeso. Em oposição, um general fraco é estúpido. Brutaliza e teme as massas, não é rigoroso, ama o povo, é comprometido com a vida, incapaz de compreender o inimigo e obcecado pela obtenção de fama. Ademais, é arrogante, se exaspera com a facilidade e age precipitadamente.

Finalmente, os comandantes e governantes devem cultivar a Virtude, a retidão e outros aspectos da destreza de governo e comando e assim obter Te, o poder pessoal abrangente necessário para intimidar o reino e seus subordinados.

Sun Tzu praticamente não se pronuncia sobre qualificações (exceto relativas aos comandantes), organização e treinamento. Para que sejam eficazes, dizia ele, as tropas devem ser controladas, motivadas e moldadas de modo que componham uma força unificada em que todas as unidades individuais cooperem e sustentem umas às outras. No entanto, a tarefa de extrair a vitória geralmente recai sobre forças selecionadas e determinadas.

Sun Tzu menciona o poder e a importância das recompensas na motivação dos homens no campo de batalha e dos espiões em território estrangeiro em não mais de três ou quatro passagens. As punições recebem um tratamento ainda mais breve, mas como parte de uma passagem muito conhecida que enfatiza que elas podem ser aplicadas apenas depois de constituída uma base emocional: “Se impuseres punições às tropas antes que se tornem afeiçoadas, elas não serão submissas. Se não forem submissas, serão difíceis de empregar. Se não impuserem punições depois que as tropas se tornaram afeiçoadas, elas não poderão ser utilizadas.”

Sun Tzu frequentemente discutia o problema essencial do comando: forjar uma organização claramente definida no controle de tropas completamente disciplinadas e bem ordenadas. O elemento decisivo é o espírito, tecnicamente conhecido como ch’i, o pneuma ou a energia vital essencial. O conceito de ch’i tem sido há muito fundamental para inúmeros aspectos do pensamento chinês, que variam da metafísica à medicina, da ciência à religião. Uma visão popular é a de que o caracter para a palavra representava originalmente os vapores que emanavam do arroz enquanto era cozido e, desse modo, simbolizava a nutrição em todos os sentidos. Ch’i é o fundamento e a base da coragem, o espírito vital dirigido pela vontade e pela intenção. Como Sun Tzu mostra em A arte da guerra, quando os soldados forem bem treinados, descansados, adequadamente alimentados, vestidos e equipados, e seus espíritos estiverem despertos, lutarão vigorosamente. No entanto, se as condições físicas e materiais tiverem amortecido seus espíritos, se houver algum desequilíbrio na relação entre e as tropas, ou se por alguma razão eles tiverem perdido sua motivação, serão derrotados.

O pensamento militar de Sun Tzu foi muitas vezes identificado erroneamente como apenas “logro e ardil”, tanto na China quanto no Ocidente, pelo fato de defender vigorosamente seu emprego para a obtenção dos objetivos militares. Por essa razão foi frequentemente desprezado pelos literatos, mas seguido de perto por escritores militares posteriores. Apesar de muitas das táticas propostas por Sun Tzu ao longo de A arte da guerra serem baseadas na execução de medidas ardilosas, apenas duas afirmações explicitas aparecem no livro. A principal delas ancora boa parte do Capítulo 1: “A é o Tão do ardil. Assim, ainda que seja capaz, exibe incapacidade. Quando decidido a empregar tuas forças, finge inatividade. Quando teu objetivo estiver próximo, faze com que pareça distante; quando distante, cria a ilusão de que está próximo.” A segunda, em “Combate Militar”, afirma: “O exército se funda no logro, se move pela vantagem e se transforma através da segmentação e reunião.”

O reconhecimento de que a topografia é fundamental para as táticas militares, a classificação dos tipos de terreno e a correlação dos princípios táticos básicos com terrenos específicos são geralmente atribuídos a Sun Tzu, que, talvez, foi o primeiro a estudar sistematicamente essas questões e desenvolver um corpo coerente de princípios operacionais. A arte da guerra influenciou, assim, muitos escritos militares posteriores. O primeiro capítulo de A arte da guerra identifica o terreno (Terra) como um dos cinco maiores fatores da guerra. Na definição de Sun Tzu, “A Terra encerra terrenos distante ou próximos, difíceis ou fáceis, extensos ou restritos, fatais ou acessíveis.”

O conceito de poder estratégico ocupa uma posição eminente no pensamento antigo tanto militar quanto legalista, originando-se, talvez, no primeiro. Infelizmente, sua complexidade requer um amplo estudo em separado para resolver uma grande quantidade de questões fundamentais, e a natureza enigmática de muitos escritos militares apenas confunde os temas. O conceito é, entretanto, central nos pensamentos de Sun Tzu. Uma enorme variedade de palavras foi usada para traduzir o termo “poder estratégico”, entre as quais circunstâncias, energia, energia latente, energia combinada, forma, força, ímpeto, poder tático, vigor, autoridade, influencia, poder, condição de poder, vantagem posicional e aquisição. Embora na essência o conceito de poder estratégico implique a idéia de vantagem resultante da posição superior, esse aspecto da vantagem posicional foi superestimado, reduzindo com isso o papel essencial que o elemento de massa (ou as forças do exército) exerce na criação de impacto.
O conceito e a aplicação do heterodoxo e do ortodoxo, muito discutido por clássicos militares posteriores, originaram-se provavelmente com Sun Tzu. Embora claramente visível nos princípios e táticas propostos ao longo de A arte da guerra, o conceito é especificamente nomeado em apenas uma passagem sucinta e decisiva de “Poder Militar Estratégico”. Ainda que o heterodoxo e o ortodoxo requeiram um livro, na essência, as táticas “ortodoxas” são aquelas pelas quais se emprega o exército das maneiras normais, convencionais, “ditadas pelos manuais” e previstas, como ataques frontais massivos, ainda que salientando a ordem e os movimentos deliberados. As táticas “heterodoxas” são realizadas principalmente através do emprego das forças, especialmente as flexíveis, de forma imaginativas, não convencionais e imprevistas. Assim, em lugar dos ataques diretos com os carros, as táticas heterodoxas organizariam investidas circulares ou laterais; ao invés de ataques frontais, seguiriam rotas indiretas para realizar incursões repentinas pela retaguarda.

Os vários princípios de Sun Tzu podem ser reduzidos ao fundamental: manipular o inimigo, criando com isso a oportunidade de uma vitória fácil, e aplicar então o poder máximo no momento apropriado. O princípio tático primordial para os ataques é sintetizado pelo famoso dito: “Avança onde eles não esperam, ataca onde não estão preparados.” Esse princípio só pode ser realizado se mantido o segredo em todas as atividades, estabelecendo pleno autocontrole e estrita disciplina no interior do exército e mantendo-se impenetrável. A regra invariável é jamais confiar na boa vontade dos outros ou em circunstâncias fortuitas, mas garantir, por meio do conhecimento, análise persistente e preparação defensiva, que o inimigo não possa organizar um ataque surpresa ou alcançar a vitória através da simples coerção. Como disse Sun Tzu: “Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo não correrá perigo algum em cem confrontos. Aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo será por vezes vitorioso e por vezes encontrará a derrota. Aquele que não conhece o inimigo e tampouco a si mesmo será invariavelmente derrotado em todos os confrontos.”

Sun Tzu também enfatiza o alto preço do conhecimento parcial: “Se sei que nossas tropas podem atacar, mas não sei que o inimigo não pode ser atacado, estamos somente a maio caminho da vitória. Se sei que o inimigo pode ser atacado, mas não percebo que nossas tropas não podem atacar, estamos apenas a meio caminho da vitória. Saber que o inimigo pode ser atacado e saber que nosso exército pode efetuar o ataque, mas não saber que o terreno não é adequado para o combate, é somente meio caminho da vitória. Quem conhece, pois, verdadeiramente o exército não será iludido quando se mover, não será debilitado quando iniciar uma ação. Diz-se, pois, que se conheces o inimigo e conheces a ti mesmo, tua vitória não será posta em risco. Se conheces o Céu e conheces a Terra, tua vitória pode ser plena.”

Ao longo de A arte da guerra, Sun Tzu aconselhou a lutar apenas quando se puder acreditar na vitória e a adotar uma postura defensiva, ou simplesmente evitar o inimigo, quando em situações contrárias. Implementando medidas defensivas adequadas, o general habilidoso abriga suas tropas em uma posição inconquistável, da qual sairá vitorioso se atacado, mas pela qual poderá também desencorajar um temível inimigo de até mesmo tentar uma investida. Sun Tzu, no entanto, nunca sugeriu quaisquer medidas concretas para realizar essa invencibilidade; tampouco mencionou medidas agressivas que pudessem ser implementadas uma vez que compelido a lutar em circunstâncias desvantajosas. Ademais, embora defenda claramente a adoção de uma postura defensiva, o espírito de A arte da guerra inclina-se evidentemente ao emprego de uma variedade de medidas como intuito de manipular o inimigo e obter a vantagem localizada que permitirá lançar um ataque vitorioso.

Apenas uma passagem de A arte da guerra sugere princípios gerais para o combate sobre condições variadas de força relativa: “Se tua força equivale a dez vezes a deles, cerca-os; se cinco, ataca-os; se duas, divide teus exército. Se em força és igual ao inimigo, podes enfrentá-lo. Se inferior, podes usar de artimanha. Se em franca desvantagem, podes evitá-lo. Assim um inimigo pequeno que age de forma inflexível se tornará prisioneiro de um inimigo grande.” Mesmo aqui, Sun Tzu não propõe realmente que se evite um inimigo senão quando em franca desvantagem, preferindo sem dúvida tramar medidas para dividir as forças oponentes e então lançar ataques concentrados.

Embora Sun Tzu tenha identificado muitos princípios que governam as disposições e o controle dos exércitos no campo de batalha, nunca discutiu as várias formações empregadas na sua época, com exceção de uma referência única à formação circular.
 
3 REFLEXÃO CRÍTICA

Sun Tzu, foi um profundo conhecedor das manobras militares. Escreveu A arte da guerra (tradução para o inglês, introdução e comentário de Ralph D. Sawyer; tradução a partir do inglês de Ana Aguiar Cotrin), ensinando estratégias de combate e táticas de guerra. Súdito do rei da província de Wu (o lar das atividades de Sun Tzu) viveu em turbulenta época dos Estados guerreiros na China, há 2.500 anos, e era um filósofo-estrategista que comandou e venceu várias batalhas. Com inteligência e argumentos bastante racionais, o autor expôs a importância da obediência, disciplina, planejamento e motivação das tropas. É uma obra original e valiosa porque é considerado o mais antigo tratado de guerra e hoje parece destinada a direcionar a guerra das empresas no mundo dos negócios.

A lição que se tira da obra é que a primeira batalha que devemos travar é contra nós mesmos. Para atingir uma meta, o autor ensina que é necessário agir em conjunto, conhecer o ambiente de ação, o obstáculo a ser vencido e, é claro, conhecer seus próprios pontos fortes e pontos fracos, tudo de maneira ampla e consciente. A grande sabedoria é obter do adversário tudo o que desejar, transformando seus atos em benefícios.

Em relação aos comandantes, é preciso manter uma disciplina rígida, ser respeitado, ter prestígio, ser temido. Para isso é preciso agir rápido à medida que as infrações ocorram. A superioridade numérica isolada não confere vantagem, mas a determinação de um líder sim. A energia desse será fundamental para a vitória, mas não se trata de uma energia cósmica ou religiosa, e sim da vontade de agir e conseguir conquistar objetivos.

Seus princípios podem ser aplicados, por indivíduos, no confronto com seus oponentes, exércitos contra exércitos e empresas e suas concorrentes.

Embora não se saiba ao certo se Sun Tzu existiu ou é uma figura lendária, os escritos permanecem misteriosos, não só pela ausência de dados históricos nos textos do período considerados autênticos, mas também porque sua vida nunca gerou anedotas e histórias ilustrativas frequentemente encontradas nos períodos subsequentes sobre personagens famosas. Seus antecedentes e história juvenil são completamente desconhecidos e, apesar dos materiais recentemente descobertos, permanece a dúvida de se ele nasceu no estado de Wu ou Ch’i e se estudou estratégia militar ou serviu em algum cargo de comando antes de se aventurar a instruir o rei de Wu.
Luis Carlos Gontijo
Enviado por Luis Carlos Gontijo em 15/01/2011
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Sobre o autor
Luis Carlos Gontijo
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
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Luis Carlos Gontijo



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